A estrutura que abriga o livro de registro de visitantes no ponto mais alto do Pico Paraná, também conhecida como caixa de cume, foi severamente danificada. O incidente, ocorrido em um fim de semana recente quando o Parque Estadual do Pico Paraná (PEPP) esteve temporariamente fechado devido a previsões de mau tempo na Serra do Mar, gerou comoção entre a comunidade montanhista.
O equipamento, construído em aço galvanizado, localiza-se estrategicamente no ápice da montanha, um dos pontos turísticos mais emblemáticos do sul do Brasil. A deterioração da caixa levanta questionamentos sobre a natureza do ocorrido, seja um ato deliberado de vandalismo ou uma consequência de uso inadequado por parte de algum frequentador.
As circunstâncias exatas da destruição ainda são objeto de investigação, mas o impacto é inegável, afetando diretamente a infraestrutura voltada para os praticantes de montanhismo. A expectativa é que o Clube Paranaense de Montanhismo (CPM) providencie a substituição da caixa danificada em um futuro próximo.
A função das caixas de cume: mais que um diário de bordo
Tradicionalmente disseminadas pela Serra do Mar paranaense, as caixas de cume desempenham um papel multifacetado que transcende a simples coleta de nomes e datas. Elas funcionam como um repositório de memórias, onde escaladores compartilham suas experiências, impressões e dedicatórias.
Esses registros são cuidadosamente preservados e, quando completos, substituídos por novos cadernos. O CPM mantém um projeto de digitalização, o “Memórias de Cume”, que torna esses valiosos documentos acessíveis online, criando um acervo histórico e geográfico das atividades montanhistas na região.
A importância dessas caixas, contudo, estende-se para além do aspecto memorialístico. Os dados coletados nos cadernos podem se tornar recursos cruciais para equipes de resgate e órgãos de segurança pública. A informação contida nos registros pode auxiliar na localização de trilhas percorridas e na confirmação da presença de indivíduos em determinadas áreas de difícil acesso.
O valor da preservação do patrimônio natural e cultural
A destruição da caixa de cume do Pico Paraná representa um prejuízo não apenas para a comunidade do montanhismo, mas também para a preservação da memória e da história de ascensões na região. A conscientização sobre a importância desses equipamentos é fundamental.
Atos de vandalismo ou negligência podem comprometer iniciativas de longo prazo que visam a catalogação e a difusão do conhecimento sobre as montanhas. A colaboração dos visitantes e a fiscalização efetiva são pilares essenciais para garantir a continuidade dessas práticas.
A recuperação da caixa de cume não é apenas um ato de restauração de infraestrutura, mas um resgate da própria narrativa que as montanhas contam através das marcas deixadas por aqueles que as desbravam. A valorização e o respeito a esses marcos são imperativos para que futuras gerações também possam registrar suas jornadas.






