A Universidade Federal do Paraná (UFPR) iniciou a semana com uma mobilização em todos os seus campi para a pintura de bancos na cor vermelha. A iniciativa, que se insere na programação do Março das Mulheres, visa conscientizar a sociedade sobre a gravidade do feminicídio e promover a reflexão em torno da equidade de gênero e o combate à violência contra a mulher.
A ação contou com a participação ativa de servidoras, estudantes e demais membros da comunidade acadêmica, que se uniram em um esforço coletivo. Além da cor simbólica, os bancos recebem mensagens que estimulam o pensamento crítico sobre o tema, bem como informações sobre canais de ajuda e emergência.
Esta iniciativa de pintura de bancos vermelhos em espaços públicos de grande circulação de pessoas não é isolada. Ela integra um movimento nacional de universidades federais, discutido e consolidado após o 1º Fórum de Gestoras Públicas do Ensino Superior do Paraná, realizado no ano anterior pela Vice-Reitoria da UFPR.
A medida foi formalizada como política pública de prevenção ao feminicídio através da Lei Federal nº 14.942/2024, o que reforça a importância do tema e a responsabilidade social das instituições de ensino superior.
A vice-reitora da UFPR, Camila Fachin, destacou a importância da universidade em sua responsabilidade social, enfatizando a necessidade de ações concretas para alertar a sociedade sobre os alarmantes índices de feminicídio no Brasil.
Um Legado de Conscientização
No Centro Politécnico da instituição, a ação ganhou um significado ainda mais profundo com a participação de Marcela e Gustavo Bonin, respectivamente filha e neto da professora Suzana Reinecke. A docente foi vítima de feminicídio no próprio campus em 1999, e o local onde um dos bancos vermelhos foi instalado agora leva sua homenagem.
A pintura dos bancos serve como um ato de memória e um alerta permanente contra a violência que ceifa a vida de tantas mulheres. A escolha de locais estratégicos, como os campi universitários, garante que a mensagem alcance um público amplo e diversificado, fomentando debates e reflexões cruciais.
A inclusão de contatos de emergência e frases de conscientização nos bancos busca oferecer um apoio imediato e direcionar quem precisa de ajuda, além de reforçar a mensagem de que a violência não deve ser tolerada.
A universidade, como espaço de formação e debate, assume um papel fundamental na desconstrução de padrões culturais que perpetuam a violência de gênero. A iniciativa é um passo importante para a construção de uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres.
A Cor que Denuncia e Convoca à Ação
A escolha da cor vermelha para os bancos é carregada de simbolismo, representando o sangue derramado pelas vítimas de feminicídio e a urgência em combater essa chaga social. A iniciativa se alinha a um movimento global de conscientização que utiliza a cor para simbolizar a luta contra a violência de gênero.
Mais do que um ato simbólico, a pintura dos bancos vermelhos representa um compromisso institucional com a promoção da igualdade de gênero e a erradicação de todas as formas de violência contra a mulher. A universidade se posiciona como um agente transformador, utilizando seu alcance para educar e engajar a comunidade em uma causa de suma importância.
A continuidade dessas ações e o engajamento da sociedade civil são essenciais para que a mensagem ressoe e se traduza em mudanças concretas, combatendo as raízes da violência e garantindo um futuro onde o feminicídio seja apenas uma triste lembrança de um passado superado.






