A Universidade Federal do Paraná (UFPR) lança a Ouvidoria da Mulher, um novo canal institucional dedicado ao enfrentamento e acolhimento de casos de violência e discriminação de gênero. A iniciativa reforça o compromisso da instituição com a criação de um ambiente mais seguro e inclusivo para todas as pessoas em seu corpo discente e funcional.
A Ouvidoria da Mulher atuará como uma seção especializada da Ouvidoria Geral, oferecendo atendimento voltado para vítimas. Seu objetivo principal é prover orientação, acolhimento e encaminhamento de denúncias, integrando-se à política institucional de prevenção e enfrentamento a diversas formas de violência.
Esta medida se alinha a esforços nacionais para combater a violência de gênero em ambientes acadêmicos. A criação da Ouvidoria da Mulher não é apenas uma resposta a denúncias existentes, mas um passo proativo para construir uma cultura organizacional que repudie e combata ativamente o assédio e a discriminação.
A professora Tirzhá Dantas, designada para liderar a Ouvidoria da Mulher, ressalta a importância da nova estrutura. Ela aponta que o número de denúncias registradas via Plataforma Fala.BR, cerca de 20 casos em 2025 relacionados a assédio sexual e violência contra a mulher na UFPR, pode representar apenas uma fração do problema.
A complexidade e a natureza estrutural da violência de gênero nas universidades são fatores determinantes para a criação de mecanismos de apoio específicos. A organização hierárquica interna, muitas vezes, pode desencorajar denúncias e favorecer a perpetuação de impunidade, tornando fundamental a existência de um ponto focal de apoio.
“A violência de gênero nas universidades federais é um problema estrutural – ainda que muitas vezes invisibilizado – que compromete tanto o direito à educação quanto a garantia de um ambiente de trabalho seguro e saudável”, afirma Dantas. A criação da Ouvidoria da Mulher é vista como um reconhecimento da necessidade de políticas claras e de uma rede de cuidado.
## Ações e Estrutura de Atendimento
A Ouvidoria da Mulher foi formalizada através da Resolução nº 13/2025 do Conselho de Planejamento e Administração (Coplad). Suas atribuições incluem não apenas o recebimento de manifestações, mas também a capacitação e a promoção de campanhas de sensibilização sobre o tema.
A unidade se destina a todas as estudantes, servidoras e trabalhadoras terceirizadas que sofram algum tipo de violência ou discriminação de gênero no exercício de suas atividades na UFPR. A iniciativa integra a Política Institucional de Prevenção e Enfrentamento às Violências da universidade.
A articulação com outras instâncias competentes para apuração e responsabilização é um pilar da atuação da Ouvidoria da Mulher. O objetivo é construir uma rede de proteção eficaz para as vítimas. O acompanhamento próximo e a escuta qualificada são partes essenciais do processo.
A Ouvidoria da Mulher oferece um espaço para orientação prévia à formalização de denúncias. Muitas vezes, vítimas ou testemunhas não sabem como proceder em situações de assédio ou violência de gênero. Este suporte inicial visa empoderar as pessoas a tomarem as medidas cabíveis.
### Canais de Comunicação e Acesso
O atendimento direto da Ouvidoria da Mulher pode ser realizado através do endereço de e-mail ouvidoriadamulher@ufpr.br. Este canal é destinado a quem busca orientação ou deseja apresentar uma manifestação de forma mais informal antes de qualquer procedimento oficial.
Para a formalização de denúncias, o canal oficial é a Plataforma Fala.BR, um sistema integrado do Governo Federal. Casos que envolvam violências, discriminações ou assédios dirigidos a mulheres são encaminhados pela Ouvidoria Geral da UFPR para a Ouvidoria da Mulher.
A Ouvidoria da Mulher se posiciona como um ponto de apoio crucial para a comunidade acadêmica da UFPR. Sua existência reforça a busca por um ambiente universitário que promova o respeito, a equidade e a segurança para todos os seus membros.
A instituição de mecanismos como a Ouvidoria da Mulher é fundamental para desmistificar a violência de gênero e encorajar a denúncia. É um passo importante para garantir que as universidades sejam espaços verdadeiramente seguros e inclusivos, onde o direito à educação e ao trabalho digno seja plenamente assegurado.





