A formação continuada de conselheiros tutelares e de direitos no Paraná ganhou novo fôlego com a retomada das atividades presenciais promovidas pela Escola de Conselhos. Recentemente, os municípios de Guarapuava e Umuarama sediaram encontros que reuniram profissionais da rede de proteção à infância e adolescência, com o objetivo de aprofundar debates sobre políticas públicas essenciais para este segmento populacional.
Esses encontros representam um passo significativo para o aprimoramento técnico e a capacitação de agentes públicos diretamente envolvidos na garantia dos direitos de crianças e adolescentes em todo o estado. A iniciativa, alinhada às diretrizes do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, busca consolidar um ciclo de aprendizado permanente.
A colaboração entre universidades e órgãos governamentais é um pilar fundamental para o sucesso de programas como este. No Paraná, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), por meio de seu projeto extensionista “Somos Rede – Construindo Políticas Sociais”, tem sido peça-chave na articulação e execução dessas formações, que já estão em curso em diversas regiões do país.
A programação dos eventos, com duração de cinco dias, abrangeu um leque diversificado de temas cruciais. Módulos sobre direitos humanos, interseccionalidade e o enfrentamento às violências foram centrais nas discussões. Abordagens sobre saúde mental, neurodivergência, deficiência, além de aspectos de cyberbullying e segurança digital, também integraram a grade curricular.
A presença de especialistas de diversas áreas enriqueceu as formações. Docentes universitários, como o professor Kleber Fernando Pereira da UFPR, trouxeram atualizações sobre autismo e neurodivergência, focando em diagnósticos, inclusão e atuação intersetorial. O Ministério Público também marcou presença, com o promotor de justiça Teilor Santana da Silva discutindo o papel institucional na defesa dos direitos.
Representantes de associações regionais de conselheiros tutelares, como Vilma Aparecida de Paula e Mariane Tavares, foram fundamentais para conectar a teoria à prática cotidiana. As secretarias municipais de assistência social de Guarapuava e Umuarama, representadas por Helena Francisca Alves e Maria Luísa Bertoco, respectivamente, também compartilharam experiências e desafios locais. Profissionais do Centro de Socioeducação (Cense) de Umuarama e pesquisadores da UFPR contribuíram com conhecimentos sobre medidas socioeducativas e análises aprofundadas dos temas abordados.
A coordenadora da Escola de Conselhos, professora Ane Bárbara Voidelo, ressaltou a importância das discussões e da construção coletiva de soluções. “Com a retomada das atividades, a Escola de Conselhos do Paraná reafirma seu compromisso com a formação permanente dos profissionais, fortalecendo diretamente a garantia de direitos de crianças e adolescentes no Estado”, declarou, apontando para a expectativa de novas fases formativas complementares.
Diversidade de Temas e Participação Ampliada
A amplitude dos temas abordados nas formações presenciais reflete a complexidade do universo infanto-juvenil e os desafios enfrentados pelos profissionais que atuam na rede de proteção. A inclusão de discussões sobre saúde mental e neurodivergência, por exemplo, demonstra uma preocupação crescente com o bem-estar integral das crianças e adolescentes, indo além das questões emergenciais.
A articulação entre diferentes esferas de atuação – acadêmica, ministerial, associativa e municipal – é vital para criar um ecossistema robusto de proteção. A troca de experiências entre conselheiros de diferentes regiões, aliada ao conhecimento técnico de especialistas, potencializa a capacidade de resposta a situações de vulnerabilidade e garante a aplicação mais eficaz das políticas públicas.
A certificação dos participantes pela UFPR confere credibilidade e validação ao esforço de capacitação, incentivando a busca contínua por aprimoramento. O número expressivo de participantes já alcançados nas diversas regionais, como indicam os dados parciais, atesta a relevância e a demanda por iniciativas como a Escola de Conselhos.
Impacto e Próximos Passos da Formação
A formação continuada de conselheiros tutelares e de direitos é uma estratégia indispensável para fortalecer o sistema de garantia de direitos. Ao equipar esses profissionais com conhecimentos atualizados e ferramentas analíticas, garante-se uma atuação mais qualificada e sensível às necessidades específicas de crianças e adolescentes em diferentes contextos de vulnerabilidade.
A iniciativa da Escola de Conselhos do Paraná, com sua abordagem regionalizada e temática diversificada, contribui diretamente para a construção de políticas públicas mais eficazes e alinhadas às demandas sociais. A expectativa de novas etapas formativas sugere um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento profissional e, consequentemente, com a proteção integral da infância e adolescência no estado.
O cronograma divulgado, com novas formações agendadas em Francisco Beltrão, Cornélio Procópio, Londrina e Paranavaí, reforça o alcance e a capilaridade do projeto. Essa expansão territorial permitirá que um número ainda maior de conselheiros e profissionais da rede de proteção tenha acesso a essa qualificação essencial, ampliando o impacto positivo para milhares de crianças e adolescentes.






