A Universidade Federal do Paraná (UFPR) estabeleceu um marco na pós-graduação ao instituir uma nova resolução que torna obrigatório o depósito de dados científicos oriundos de pesquisas de mestrado e doutorado. A medida, aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), visa promover a ciência aberta, aumentar a transparência e a reprodutibilidade de estudos, além de potencializar a visibilidade e o impacto da produção acadêmica da instituição.
Estudantes de pós-graduação da UFPR agora precisam registrar os dados gerados em suas teses e dissertações na Base de Dados Científicos (BDC/UFPR). Como resultado, cada pesquisa receberá um Digital Object Identifier (DOI), um identificador digital único que facilita a localização e o acesso a esses dados em meio eletrônico.
Esta iniciativa posiciona a UFPR como a primeira universidade federal a formalizar tal exigência, destacando seu compromisso com as melhores práticas científicas globais. A pró-reitora de Pós-Graduação, Edneia Amancio de Souza Cavalieri, ressalta a importância deste passo para a reputação científica da universidade, comparando a iniciativa a práticas já adotadas por instituições de ponta como a Unicamp.
A exigência de depósito de dados está em consonância com as novas diretrizes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que incluiu a ciência aberta como critério de avaliação para o quadriênio 2025-2028. A Capes passa a considerar a existência de repositórios de dados e a disponibilização dessas informações.
Impacto e Benefícios da Nova Normativa
A professora Paula Carina de Araújo, coordenadora dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu da PROPG, explica que a nova norma contribuirá para o aumento significativo da coleção de conjuntos de dados disponíveis na BDC/UFPR. Isso, por sua vez, eleva a visibilidade da pesquisa desenvolvida na UFPR, impactando positivamente rankings e avaliações nacionais e internacionais, que levam em conta o volume e o acesso a repositórios digitais.
A medida também impulsionará uma mudança cultural entre os discentes, incentivando o planejamento da gestão de dados científicos desde o início do desenvolvimento das pesquisas. A Propg e o Sistema de Bibliotecas (SiBi) da UFPR já preparam capacitações para orientar os pesquisadores sobre a nova exigência e as melhores práticas para o gerenciamento de seus dados.
O DOI gerado após o depósito dos dados, que deverá ser informado às secretarias dos programas, poderá ser incluído no currículo Lattes dos pesquisadores, funcionando como um indicador de produção intelectual e de engajamento com a ciência aberta.
Além disso, a resolução garante a preservação digital dos dados em uma infraestrutura institucional adequada, facilitando sua busca, acesso, verificação, reprodutibilidade e potencial reuso por outros pesquisadores, sempre que as licenças permitirem.
É importante notar que a resolução prevê exceções para o depósito de dados em situações que envolvam restrições legais, éticas ou de propriedade intelectual, garantindo a proteção de informações sensíveis.
Outras Atualizações Importantes na Pós-Graduação
A atualização das normas da pós-graduação da UFPR não se limita apenas ao depósito de dados. A nova resolução, fruto de ampla discussão com a comunidade acadêmica, também abrange diversas outras áreas para modernizar e adequar os programas às demandas contemporâneas da pesquisa.
Entre as alterações mais relevantes, destacam-se o fortalecimento das ações de internacionalização nos programas de pós-graduação, com maior flexibilidade nos percursos formativos. Há também a possibilidade de prever atividades formativas que vão além da docência, voltadas especialmente para os programas de modalidade profissional.
A normativa também introduz a indicação de normas para a prorrogação de prazos para discentes que são mães, promovendo maior equidade. A participação de coorientadores em bancas examinadoras foi flexibilizada, atuando como assistentes sem direito a voto. A entrega de teses e dissertações em formato impresso foi descontinuada, priorizando o formato digital e a gestão eletrônica de documentos.
Adicionalmente, foram flexibilizadas as regras para testes de suficiência em língua estrangeira, com a proibição de exigência de proficiência como requisito de acesso aos programas. As novas normas, aprovadas pelo Cepe, entram em vigor após publicação e os programas terão 180 dias para se adequarem.






