UFPR divulga edital para vestibular de ingresso em 2025

🕓 Última atualização em: 02/04/2026 às 17:32

O Museu de Arte da Universidade Federal do Paraná (MusA-UFPR) inaugurou a exposição “Movimento Impresso”, uma iniciativa que explora a riqueza da impressão tipográfica. A mostra, organizada por docentes do Programa de Pós-Graduação em Design da UFPR, foca nos aspectos humanos inerentes a este processo histórico, como o gesto, o ritmo e a intervenção manual, desafiando a percepção de que se trata apenas de um método industrial.

A exposição, aberta ao público no início de abril, convida à reflexão sobre a evolução da tipografia e o papel das máquinas ao longo do tempo. Destaca-se a interação entre os movimentos mecânicos e os gestos humanos, elementos que foram moldados e transformados ao longo da história da impressão.

O espaço expositivo apresenta materiais provenientes de duas oficinas tipográficas tradicionais em Curitiba, a Alma Gráfica e a Tipografia Gapski. Essas coleções oferecem um vislumbre da prática viva da impressão, demonstrando sua relevância contínua.

Além do acervo das oficinas, a mostra exibe obras-manifesto do artista Maikon Nery, que se apropria da cultura tipográfica para expressar suas ideias. Uma minifeira gráfica-expositiva, com parte do acervo da Plataforma Estopim, também integra a experiência.

A exposição fomenta a percepção da impressão tipográfica como uma prática dinâmica e em constante transformação, incentivando o público a interagir e compreender sua natureza viva e artística. O evento conta ainda com trabalhos da dupla Caçamba Gráfica e do coletivo Grafatório, ampliando o leque de abordagens e expressões dentro do universo tipográfico.

A Profundidade do Gesto na Era Digital

Em um contexto dominado pela comunicação digital e pela produção em massa, a exposição “Movimento Impresso” serve como um importante contraponto. Ela resgata a essência de um ofício que, embora de origem industrial, carrega consigo a marca indelével da mão humana. A lentidão intencional do processo tipográfico, o encaixe preciso das letras, a pressão do papel contra a tinta – tudo isso evoca uma temporalidade diferente da aceleração digital.

A curadoria, a cargo dos professores Rafael Ancara e Ronaldo Correa, busca ir além da mera exibição de peças. O objetivo é instigar o visitante a sentir o ritmo, a cadência e a fisicalidade que definem a tipografia. Essa abordagem humanista realça como a tecnologia, em suas diversas fases, sempre esteve intrinsecamente ligada à intervenção e à sensibilidade humana.

A valorização do processo criativo e da materialidade da impressão é um dos pilares da mostra. Em tempos de efemeridade digital, a tipografia oferece uma experiência tátil e visual que promove uma conexão mais profunda com a mensagem e o objeto gráfico. A arte impressa, nesse sentido, torna-se um testemunho duradouro da habilidade e da expressão individual.

Um Legado em Movimento

A exposição não apenas celebra o passado da impressão tipográfica, mas também a posiciona como um legado vivo, que continua a influenciar o design e a arte contemporânea. A presença de oficinas ativas e de artistas que dialogam com essa técnica demonstra sua vitalidade e capacidade de adaptação.

A iniciativa do MusA-UFPR, através da organização de seus docentes, reforça a importância da preservação e difusão de técnicas que moldaram a forma como nos comunicamos e consumimos informação. É um convite à redescoberta de um ofício que é, ao mesmo tempo, histórico e inovador, e que ensina sobre a paciência, a precisão e a beleza do fazer manual.

O público tem a oportunidade de vivenciar a tipografia não como uma relíquia museológica, mas como uma prática artística e cultural em pleno desenvolvimento. A mostra “Movimento Impresso” consolida a relevância da UFPR na promoção do debate sobre design, arte e patrimônio técnico-cultural, destacando o valor intrínseco do trabalho artesanal em plena era tecnológica.

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