A Universidade Federal do Paraná (UFPR) retoma, em março de 2026, as atividades do projeto Eduder, iniciativa focada na promoção da educação em direitos humanos e na inclusão no ambiente universitário. Um encontro inaugural está agendado para o dia 14 do mesmo mês, com o objetivo de apresentar o projeto a estudantes e egressos interessados em participar de suas ações.
O evento será realizado no Campus Rebouças, em Curitiba, e visa não apenas a integração de novos participantes, mas também a discussão coletiva sobre as metas e atividades a serem desenvolvidas nos próximos meses. O projeto busca consolidar uma rede de atuação voltada para a construção de um espaço acadêmico mais acolhedor e equitativo.
O Eduder integra uma rede internacional de instituições de ensino superior, a Rede Iberoamericana de Educação em Direitos Humanos, com respaldo do programa Erasmus+ da União Europeia. Essa colaboração fortalece a cooperação em educação e intercâmbio de conhecimento entre países.
Uma das linhas de atuação do projeto é o fomento à igualdade de oportunidades no acesso e na permanência de estudantes de grupos historicamente marginalizados no ensino superior. A iniciativa busca atuar como um catalisador para a transformação de práticas institucionais.
Diagnóstico e Mapeamento de Barreiras
No âmbito da UFPR, uma das primeiras frentes de trabalho do projeto foi a realização de um diagnóstico aprofundado. O estudo buscou compreender os desafios enfrentados por diferentes grupos de estudantes em suas trajetórias acadêmicas.
A pesquisa envolveu docentes, servidores técnico-administrativos e discentes, com atenção especial a grupos como pessoas negras, migrantes, indígenas, quilombolas, a comunidade LGBTQIA+, mulheres cisgênero, pessoas com deficiência e neuroatípicas. O objetivo foi identificar barreiras concretas no acesso, permanência e sucesso acadêmico.
Os resultados apontaram que, apesar dos avanços na diversidade do corpo discente nas últimas décadas, persistem obstáculos significativos. Estes desafios abrangem desde questões de infraestrutura e recursos até o sentimento de pertencimento, crucial para a permanência no ambiente universitário.
A professora Mariana Corrêa de Azevedo, uma das responsáveis pelo projeto, enfatiza que as escutas revelaram a complexidade das barreiras. Elas impactam diretamente a experiência cotidiana dos estudantes, exigindo um olhar multifacetado para a promoção da inclusão efetiva.
O projeto também desenvolveu o Curso de Mentoria UFPR, que ocorreu ao longo de 2025. A atividade reuniu estudantes e egressos para debater aspectos fundamentais da vida acadêmica, como organização de estudos e desenvolvimento da autonomia.
Segundo relatos de participantes, o curso proporcionou um espaço seguro para troca de experiências e percepção de que muitos desafios são compartilhados. Essa compreensão coletiva é vista como um passo importante para o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e para o fortalecimento do sentimento de comunidade.
Perspectivas e Engajamento Contínuo
Para 2026, o Eduder almeja expandir seu alcance e consolidar suas ações em prol da educação em direitos humanos. A meta é envolver um número maior de estudantes e construir coletivamente novas iniciativas que promovam uma universidade mais inclusiva e atenta às diversidades.
A participação ativa dos estudantes é considerada um pilar central para o sucesso do projeto. Acreditam que o protagonismo discente é essencial para promover transformações reais e significativas no ambiente acadêmico, tornando-o mais acolhedor e equitativo para todos.
O projeto também se beneficia de apoio institucional, incluindo emendas parlamentares destinadas a iniciativas de inclusão e direitos humanos. Esse respaldo é fundamental para a sustentabilidade das ações e para a ampliação de seu impacto.
O encontro de março servirá como um ponto de partida para articular novas estratégias e fortalecer a rede de apoio. A universidade busca, com isso, reforçar seu compromisso com a formação de cidadãos conscientes e engajados na defesa dos direitos humanos.





