Um marco de três décadas na promoção do conhecimento sobre plantas medicinais será celebrado em 2026, com projetos de extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Setor Palotina. As iniciativas visam garantir o uso seguro dessas espécies, popularizar a ciência e fomentar o diálogo direto com a comunidade local.
Desde 1996, as ações conectam a academia e a sociedade por meio de oficinas práticas, visitas educativas e a produção de materiais informativos. A integração de docentes e discentes de diversos cursos tem sido fundamental para resgatar saberes populares, promover a conservação de espécies vegetais e disseminar informações científicas confiáveis.
O ponto de partida remonta a uma solicitação de um estudante do ensino fundamental, que buscava orientação para um trabalho escolar sobre plantas medicinais. Essa demanda inicial desencadeou uma série de atividades que se expandiram, envolvendo estudantes, professores e diversos setores da sociedade.
Ao longo dos anos, as atividades se consolidaram e ampliaram seu alcance. Em 2010, foram integradas ao Programa Plantas Medicinais, o que permitiu alcançar um público ainda maior. A iniciativa envolveu funcionários de escolas, produtores rurais, grupos comunitários, profissionais de saúde e a população em geral.
O programa foi descontinuado administrativamente em 2019, mas as ações de extensão prosseguiram de forma independente, mantendo o compromisso com a educação em saúde e o uso responsável de recursos naturais.
A importância do Horto de Plantas Medicinais
Um dos pilares fundamentais dessas iniciativas é o Horto de Plantas Medicinais e Aromáticas do Setor Palotina. Com uma área de aproximadamente 495 metros quadrados, o espaço abriga uma diversificada coleção de mais de 85 espécies vegetais, incluindo espécies nativas e exóticas.
Este local serve como um laboratório a céu aberto, funcionando como área de cultivo, ambiente de aprendizado e suporte essencial para pesquisas e atividades de extensão. O horto recebe visitas guiadas de grupos de diversas regiões do estado, atendendo a um público heterogêneo.
Crianças, idosos, estudantes e profissionais da área da saúde encontram no horto um espaço para aprendizado e troca de conhecimento. As visitas contribuem para a conservação de espécies e para a produção de mudas destinadas a ações educativas e projetos científicos.
Além das atividades de extensão, o espaço é utilizado em disciplinas de graduação e em projetos de pesquisa nas áreas de biologia, agronomia e biotecnologia, reforçando seu caráter interdisciplinar.
Diálogo com a comunidade impulsiona o conhecimento
A interação contínua com a população tem sido um fator determinante para o direcionamento e o sucesso das ações de extensão. Observações em oficinas e encontros revelam um interesse significativo no uso de plantas medicinais no dia a dia, mas também a presença de dúvidas sobre a correta identificação das espécies.
Questões sobre métodos de preparo e indicações terapêuticas são frequentes, guiando o planejamento das atividades. O objetivo é oferecer informações embasadas cientificamente, promovendo o uso seguro e eficaz dessas plantas.
O repertório de plantas mais procuradas pela comunidade inclui espécies como erva-baleeira, cavalinha, guaco, alecrim, erva-cidreira, burrito, açafrão e erva-luísa, demonstrando a relevância dessas espécies no cotidiano das pessoas.
A criação de materiais educativos, como livros e guias, surgiu organicamente da necessidade de responder às demandas e aos interesses da comunidade. Esses materiais são desenvolvidos com linguagem acessível e foco em aspectos práticos.
O primeiro livro foi lançado em celebração ao centenário da UFPR, com o intuito de compilar informações científicas de forma compreensível para o público leigo. Posteriormente, expandiu-se a produção para incluir um livro de atividades lúdicas para crianças e um compilado de receitas que incentivam o uso de plantas medicinais na culinária e na promoção da saúde.
Avanços e Perspectivas Futuras
As professoras coordenadoras dos projetos de extensão com plantas medicinais no Setor Palotina da UFPR – Carina Kozera, Patricia da Costa Zonetti, Suzana Stefanello e Roberta Paulert – ressaltam que as ações desenvolvidas nestas três décadas promovem a disseminação do conhecimento científico e a valorização do saber tradicional. Essa sinergia entre ciência e saberes populares fortalece a importância cultural e terapêutica das plantas medicinais.
As iniciativas estão alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, com destaque para o ODS 3, que visa garantir o acesso à saúde e promover o bem-estar para todos.
Em celebração aos 30 anos de atividades, um novo livro está em fase final de produção. A obra, intitulada “Plantas Medicinais Nativas dos Remanescentes Florestais do Oeste do Paraná”, é resultado de uma colaboração interinstitucional significativa. Parcerias com a Itaipu Binacional, a Sustentec (associação de produtores) e instituições de ensino como a Unipar e a UTFPR garantem um conteúdo rico e regionalmente relevante.
A professora Roberta Paulert expressou seu entusiasmo com o lançamento: “Estou ansiosa para o lançamento. Este novo livro evidencia a qualidade e a força das nossas parcerias.” A publicação reflete o compromisso contínuo com a pesquisa e a divulgação científica, solidificando a trajetória dos projetos.
Apesar dos avanços, a equipe aponta desafios persistentes, como a necessidade de melhorias na infraestrutura, a escassez de bolsas de extensão e as complexidades burocráticas inerentes às instituições públicas. A busca por sustentabilidade e o enfrentamento de limitações administrativas são constantes.
No entanto, a resiliência da equipe e a forte conexão com a comunidade garantem a continuidade das atividades. O compromisso com a educação, a pesquisa e a extensão reafirma o papel vital dessas iniciativas no fortalecimento da relação entre a universidade e a sociedade.






