Universidades federais têm fortalecido o vínculo com a sociedade ao expandir suas ações de extensão. Iniciativas financiadas por programas como o PROEXT-PG da Capes, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), integram ensino, pesquisa e atendimento à comunidade, qualificando a formação de estudantes e levando serviços especializados à população. Estas ações demonstram um compromisso institucional em aplicar o conhecimento acadêmico para solucionar problemas sociais e promover o bem-estar coletivo.
Os projetos de extensão universitária são ferramentas poderosas para a democratização do acesso à informação e aos serviços de saúde. Ao transpor os muros da academia, as instituições de ensino superior cumprem um papel fundamental na formação cidadã de seus alunos e na qualificação do atendimento a populações muitas vezes vulneráveis ou com acesso limitado a cuidados especializados.
A articulação entre a pós-graduação e as atividades de extensão é um diferencial importante. Permite que os avanços científicos e a pesquisa aplicada cheguem mais rapidamente à prática clínica e à comunidade, ao mesmo tempo em que oferece aos estudantes de mestrado e doutorado a oportunidade de desenvolverem suas dissertações e teses a partir de problemas reais e demandas sociais identificadas em campo.
Ações de Extensão que Transformam Vidas e Formam Profissionais
A Universidade Federal do Paraná (UFPR), através de seus programas de pós-graduação e com apoio de programas como o PROEXT-PG, tem ampliado sua atuação direta junto à comunidade. Esses projetos unem ensino, pesquisa e atendimento em saúde, proporcionando aos estudantes uma imersão prática e especializada, ao passo que beneficiam diretamente a população com serviços essenciais.
Um exemplo notório é o projeto “Boca Aberta”, que foca na saúde bucal de pacientes hospitalizados em condições de vulnerabilidade, como aqueles com dependência química, alcoolismo ou transtornos mentais. Coordenado por Antonio Adilson Soares de Lima, o projeto oferece aos estudantes de Odontologia a vivência em atendimentos de alta complexidade, em colaboração com equipes multidisciplinares.
A odontologia hospitalar, especialidade reconhecida tardiamente pelo Conselho Federal de Odontologia, ainda enfrenta desafios em sua consolidação no mercado de trabalho. A UFPR, com o “Boca Aberta”, posiciona-se como pioneira ao integrar essa área à formação acadêmica, preparando futuros profissionais para lidar com situações complexas e específicas.
O projeto não apenas trata emergências e realiza abordagens preventivas, como a detecção de câncer de boca, mas também promove a produção científica. Dissertações e teses desenvolvidas a partir das atividades extensionistas enriquecem o conhecimento na área e disseminam informações valiosas, como o e-book sobre o papel da odontologia no manejo de pacientes com alcoolismo.
Em outra frente, o “Clube da Dermatite” atua na orientação de pacientes e familiares diagnosticados com dermatite atópica. Sob a coordenação da professora Vânia Oliveira de Carvalho, o projeto realiza atividades educativas mensais, utilizando dinâmicas lúdicas e rodas de conversa para informar e apoiar as famílias, melhorando a qualidade de vida e o manejo da doença no cotidiano.
Estudos demonstram o impacto positivo dessas intervenções. Uma pesquisa publicada na *Asia Pacific Allergy* confirmou que a participação nas atividades do Clube da Dermatite contribuiu para a melhora da qualidade de vida e a redução da gravidade da dermatite atópica, evidenciando a importância da educação continuada e do apoio psicossocial.
Outra iniciativa relevante é o projeto “Autocuidado e Qualidade de Vida”, vinculado ao Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular. Coordenado pela professora Elaine Benelli, o projeto visa a conscientização sobre hábitos saudáveis, higiene bucal, alimentação e atenção à saúde física e mental. Utilizando linguagem acessível em redes sociais e vídeos informativos, o projeto desmistifica conceitos técnicos e empodera a população para a adoção de práticas preventivas.
Essas ações de extensão demonstram a capacidade da universidade em se conectar com as necessidades da sociedade, oferecendo conhecimento aplicado e promovendo a saúde de forma abrangente. A formação dos estudantes, por sua vez, é enriquecida pela vivência prática, pelo desenvolvimento de competências como empatia e trabalho em equipe, e pela compreensão do papel social do profissional de saúde.
O Papel Fundamental da Ciência na Promoção da Saúde Pública
A disseminação do conhecimento científico é crucial para a prevenção e o manejo de doenças crônicas. O projeto “Transferindo o Saber”, do Departamento de Análises Clínicas, foca na conscientização sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), como diabetes, hipertensão, obesidade e câncer, que representam a principal causa de mortes globalmente e no Brasil. As atividades incluem palestras, orientações e participação em eventos, buscando ampliar o entendimento sobre fatores de risco, diagnóstico precoce e adesão ao tratamento.
A participação de estudantes de diversas áreas da saúde, como Farmácia, Nutrição, Biomedicina e Medicina, enriquece a abordagem multidisciplinar e fortalece a formação desses futuros profissionais. A professora Fabiane Gomes de Moraes Rego destaca o impacto positivo tanto na comunidade, pela conscientização sobre riscos e escolhas alimentares, quanto no engajamento dos discentes, que desenvolvem maior responsabilidade social.
Estas iniciativas, apoiadas por programas de fomento à pesquisa e extensão, não apenas levam serviços especializados às comunidades, mas também qualificam a formação acadêmica. Ao integrar ensino, pesquisa e extensão, as universidades cumprem seu papel de formar cidadãos conscientes e profissionais capacitados, capazes de responder aos desafios da saúde pública com base em evidências científicas e em um profundo senso de responsabilidade social.






