Um estudo pioneiro conduzido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) está recrutando voluntários com doença renal e alterações gengivais para investigar a potencial melhora na saúde bucal através da combinação de tratamento periodontal convencional e laserterapia. A iniciativa visa explorar novas abordagens terapêuticas para um público que enfrenta desafios de saúde complexos.
A doença renal crônica frequentemente desestabiliza o sistema imunológico e intensifica processos inflamatórios no corpo, criando um ambiente propício para o desenvolvimento e agravamento de doenças periodontais. Essa conexão representa uma via de mão dupla, onde a saúde bucal comprometida pode, por sua vez, impactar negativamente o quadro geral de saúde dos pacientes renais.
A inflamação gengival, o sangramento, a retração da gengiva e a mobilidade dentária são alguns dos sinais que podem indicar a necessidade de avaliação. Indivíduos que apresentem essas manifestações e possuam diagnóstico de doença renal são o público-alvo desta pesquisa, que busca oferecer uma alternativa promissora para o controle dessas condições.
A busca por tratamentos mais eficazes é constante na área da saúde, especialmente para populações com condições preexistentes que elevam o risco de complicações. A laserterapia emerge como uma ferramenta com potencial para modular a resposta inflamatória, combater microrganismos patogênicos e acelerar processos de cicatrização, características importantes no manejo da saúde periodontal.
O impacto da relação bidirecional entre saúde renal e bucal
A interconexão entre a função renal e a saúde oral é um campo de estudo cada vez mais relevante. Pacientes com doença renal crônica apresentam um perfil imunológico alterado, com desequilíbrios que facilitam o surgimento de quadros inflamatórios, incluindo a periodontite. As toxinas acumuladas no organismo devido à falha renal podem afetar a saúde dos tecidos gengivais e ósseos que suportam os dentes.
Por outro lado, infecções e inflamações na cavidade oral podem ter um efeito sistêmico, potencialmente sobrecarregando ainda mais os rins comprometidos. A presença de bactérias periodontopatogênicas na corrente sanguínea, por exemplo, pode desencadear respostas inflamatórias em outros órgãos, incluindo os rins, exacerbando a doença renal existente. Portanto, o tratamento odontológico adequado não é apenas um cuidado local, mas parte integral da gestão da saúde do paciente renal.
A pesquisa da UFPR busca justamente quantificar os benefícios da laserterapia como um coadjuvante aos tratamentos periodontais convencionais. A expectativa é que a aplicação do laser possa otimizar a redução da inflamação, o controle bacteriano e a regeneração dos tecidos, fatores cruciais para a melhora da qualidade de vida desses pacientes. Os resultados poderão subsidiar novas diretrizes clínicas no manejo integrado da saúde renal e bucal.
O papel da laserterapia na odontologia
A laserterapia de baixa intensidade, utilizada nesta pesquisa, é uma modalidade terapêutica que emprega luz laser para promover efeitos biológicos. Ao contrário dos lasers cirúrgicos, estes lasers não cortam tecidos, mas atuam a nível celular, estimulando processos como a liberação de fatores de crescimento, a modulação da inflamação e o aumento da atividade metabólica das células.
Seu uso na periodontia tem sido explorado para auxiliar no controle da inflamação gengival, na redução da profundidade de bolsas periodontais e na promoção da cicatrização de lesões. Ao interagir com os tecidos, o laser pode diminuir a produção de mediadores inflamatórios e aumentar a atividade de células reparadoras, tornando-o uma ferramenta valiosa no tratamento de condições inflamatórias e infecciosas.
Os pesquisadores da UFPR, liderados pelas professoras Reila Tainá Mendes e Maria Ângela Naval Machado, buscam ativamente voluntários para participar deste estudo. Pacientes com doença renal que apresentem sintomas como sangramento gengival, inchaço, retração ou mobilidade dentária são convidados a contatar a equipe para uma avaliação gratuita e informações sobre como se inscrever no estudo. O contato pode ser feito pelo telefone/WhatsApp (41) 98819-3754.





