Debates sobre a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental ganharam destaque internacional em Campo Grande (MS), onde a Universidade Federal do Paraná (UFPR), através da Coalizão Paraná pela Década do Oceano e seu Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC), promoveu dois eventos paralelos à COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS). Em colaboração com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o WWF-Brasil, as discussões visaram fortalecer a abordagem Uma Só Saúde como ferramenta crucial para a conservação de espécies migratórias.
A iniciativa buscou evidenciar como a saúde dos ecossistemas está intrinsecamente ligada ao bem-estar humano e animal, especialmente em um cenário global marcado por emergências sanitárias emergentes, desastres ambientais e os impactos das mudanças climáticas.
A importância de conectar diferentes domínios da saúde para enfrentar desafios complexos foi um ponto central. As espécies migratórias, por percorrerem vastas distâncias e conectarem ecossistemas distintos, atuam como sentinelas ambientais, capazes de sinalizar precocemente alterações e riscos à saúde em escala global.
O fortalecimento da Uma Só Saúde como estratégia de conservação ressalta a necessidade de uma visão holística. A conectividade entre ecossistemas, muitas vezes ignorada em abordagens fragmentadas, foi um dos temas abordados, evidenciando como a saúde de rios, florestas e oceanos está interligada e impacta diretamente a sobrevivência de espécies que cruzam fronteiras geográficas.
A COP15 e o Papel Estratégico do Brasil
A COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) é um foro internacional fundamental para a proteção da biodiversidade. O evento reuniu representantes de governos, cientistas e organizações da sociedade civil para definir diretrizes e compromissos globais voltados à conservação de espécies que dependem da cooperação entre países para sua proteção ao longo de suas rotas migratórias.
Neste contexto, o Brasil, detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta e corredor ecológico para diversas espécies migratórias, assume um papel estratégico. As discussões realizadas durante a COP15 e os eventos paralelos organizados pela UFPR e seus parceiros reforçam a importância da integração entre a ciência, a gestão ambiental e as políticas públicas para a conservação.
A participação de entidades como o Ministério da Saúde, ICMBio, MMA, WWF-Brasil, além de instituições acadêmicas e secretarias estaduais de saúde, demonstra um esforço conjunto para alinhar esforços em governança ambiental e vigilância em saúde.
Integração Ciência e Política para a Conservação
A colaboração entre diferentes setores é essencial para o sucesso das iniciativas de conservação. Ao promover o diálogo entre cientistas, gestores públicos e representantes do setor de saúde, os eventos organizados pela UFPR e Coalizão Paraná pela Década do Oceano buscaram construir pontes para a implementação de políticas mais eficazes.
A análise de espécies migratórias como indicadores da saúde ambiental e sanitária permite um monitoramento mais abrangente das ameaças. A compreensão de que a saúde de uma espécie está diretamente ligada à saúde do ambiente em que vive, e que isso, por sua vez, impacta a saúde humana, é o cerne da abordagem Uma Só Saúde e um pilar para a sustentabilidade ambiental e sanitária em longo prazo.
O fortalecimento dessa abordagem é um passo vital para enfrentar os desafios da biodiversidade no século XXI, garantindo que a conservação das espécies migratórias seja vista não apenas como uma questão ambiental, mas como um componente intrínseco da saúde pública global e um investimento na resiliência dos ecossistemas e das sociedades.






