O debate sobre a consolidação de políticas públicas para a equidade de gênero e a defesa dos direitos das mulheres ganhou destaque em um evento promovido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). A iniciativa, que encerrou as atividades do “Março das Mulheres 2026”, reuniu representantes do setor acadêmico, do poder público em suas diversas esferas e de instituições parceiras para analisar tanto as conquistas quanto os desafios persistentes na busca por uma sociedade mais justa.
A discussão ocorreu em um ambiente de profunda reflexão sobre a atuação feminina em espaços de poder e gestão, evidenciando as barreiras ainda existentes. A importância de fortalecer a rede de proteção e o acolhimento às vítimas de violência foi um dos pontos centrais.
A conscientização sobre o feminicídio foi reforçada por meio de uma ação simbólica impactante. Bancos em espaços de convivência acadêmica foram pintados de vermelho, um alerta visual e um convite à reflexão e à ação.
Esta iniciativa nacional, que contou com a adesão de mais de 69 universidades federais, buscou sensibilizar a comunidade sobre a urgência do tema e a necessidade de um compromisso coletivo. A mensagem “Sentar e refletir, levantar e agir” resume o objetivo de transformar a conscientização em engajamento prático.
A programação do Março das Mulheres deste ano foi abrangente, com mais de 30 atividades distribuídas por diferentes campi da UFPR, abrangendo discussões sobre ações afirmativas, concursos públicos e a promoção da saúde feminina.
Avanços e Desafios na Consolidação de Políticas Públicas para Mulheres
A mesa de encerramento do evento contou com a participação de autoridades de notório saber, incluindo a vice-reitora da UFPR, Camila Girardi Fachin, e a ministra de Estado das Mulheres, Márcia Helena Carvalho Lopes. A presença de representantes do judiciário, como a desembargadora Priscilla Placha Sá, e do executivo municipal, representada pela secretária da Mulher e Igualdade Étnico-Racial de Curitiba, Marli Teixeira Leite, sublinhou a importância da articulação intersetorial.
A defensora pública federal, Rita Cristina de Oliveira, e a assessora especial do Ministério das Mulheres, Ligia Lumina Pupatto, trouxeram perspectivas valiosas sobre os marcos legais e as estratégias para a promoção da igualdade. A ex-reitora da Universidade Estadual de Londrina também compartilhou sua vasta experiência em gestão pública e defesa de direitos.
A secretária Marli Teixeira Leite destacou a necessidade de políticas integradas que considerem as múltiplas vulnerabilidades das mulheres, como raça, território e acesso a direitos. Ela enfatizou a importância de canais de acolhimento e denúncia, como o 156, e o papel de equipamentos como a Casa da Mulher Brasileira e os serviços da Fundação de Ação Social (FAS) na rede de proteção municipal. A prevenção e a transformação cultural foram apontadas como estratégias fundamentais para ir além do atendimento emergencial.
A discussão também abordou a relevância de iniciativas que promovam a desconstrução de masculinidades tóxicas e incentivem o diálogo entre homens sobre igualdade de gênero, visando combater a violência e as relações de poder desiguais. O desenvolvimento de grupos reflexivos foi mencionado como uma ferramenta essencial nesse processo.
A defensora pública Rita Cristina de Oliveira, por sua vez, analisou as políticas públicas sob a ótica de três eixos: a proteção imediata para salvar vidas, a prevenção estrutural para reduzir a violência e a transformação das condições de liberdade das mulheres. Ela ressaltou que o grande desafio reside em não apenas aperfeiçoar protocolos ou o sistema punitivo, mas, sobretudo, em formular e executar políticas capazes de desmantelar as estruturas sociais que perpetuam a violência.
A articulação institucional e a busca por soluções que garantam a autonomia e a segurança das mulheres foram temas recorrentes, demonstrando a complexidade do enfrentamento às desigualdades de gênero.
Ações Abrangentes e a Perspectiva de Futuro
A sexta edição do Março das Mulheres na UFPR, organizada pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), através da Coordenadoria de Políticas Interseccionais para Equidade de Gênero, Raça e Sexualidade (CPIn), demonstrou o compromisso da instituição com a causa. As mais de 30 atividades realizadas abrangeram debates sobre mulheres em espaços de poder, ações afirmativas, permanência estudantil (com foco em mães), saúde da mulher e direitos.
A iniciativa buscou criar um espaço de diálogo e aprendizado, promovendo não apenas a discussão teórica, mas também a troca de experiências práticas. A participação de estudantes, docentes e técnicos administrativos em diversas modalidades de eventos, como oficinas e rodas de conversa, evidenciou o engajamento da comunidade acadêmica.
A diversidade de temas e a abrangência geográfica das ações, que se estenderam por diferentes campi da UFPR, refletem a complexidade e a capilaridade das questões de gênero no contexto universitário e na sociedade em geral. A transmissão ao vivo de alguns dos debates permitiu que um público mais amplo acompanhasse as discussões e se engajasse na causa.
Olhando para o futuro, a continuidade e o fortalecimento destas políticas são essenciais. A consolidação de um ambiente acadêmico e social verdadeiramente equitativo exige vigilância constante, revisão de práticas e investimento em iniciativas que promovam a igualdade substantiva. A colaboração entre universidades, órgãos governamentais e sociedade civil é o caminho para superar os desafios e construir um futuro onde todas as mulheres possam exercer plenamente seus direitos e potencialidades.






