Em uma iniciativa de conscientização nacional, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) se une a outras instituições de ensino superior na pintura de Bancos Vermelhos. A ação, parte da programação do Março das Mulheres, visa combater o feminicídio e a violência contra a mulher, transformando espaços públicos em pontos de reflexão e denúncia. A iniciativa, que integra uma campanha coordenada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), reforça o compromisso das universidades com a responsabilidade social e a promoção de uma cultura de paz.
A decisão de pintar bancos de vermelho e afixar mensagens educativas e contatos de emergência em locais de grande circulação foi consolidada recentemente como política pública através da Lei Federal nº 14.942/2024. Esta legislação autoriza a implementação da ação por qualquer entidade, desde que mantida a sua finalidade social e educativa.
A UFPR, através de sua Vice-Reitoria, articulou a participação no projeto após discussões no 1º Fórum de Gestoras Públicas do Ensino Superior do Paraná. A universidade vê na ação uma oportunidade de engajar sua comunidade acadêmica e a sociedade em geral.
“Acreditamos muito na responsabilidade social das universidades federais”, destacou Camila Fachin, vice-reitora da UFPR. Ela ressaltou a necessidade de uma ação conjunta para conscientizar sobre o “alarmante número de feminicídios no Brasil”.
Gabriela Bica, chefe de gabinete da Vice-Reitoria da UFPR, complementou que a instituição não apenas cumpre a lei, mas busca “fomentar diálogos e reflexões para a cultura da paz”. A intenção é ir além da simples sinalização, promovendo um debate contínuo sobre o tema.
Locais Estratégicos para Reflexão e Ação
A atividade de pintura dos Bancos Vermelhos ocorrerá simultaneamente em diversas unidades da UFPR, em diferentes campi, no dia 9 de março. A universidade convida toda a sua comunidade — estudantes, docentes, técnicos-administrativos, funcionários terceirizados — e a população em geral a participar ativamente.
Os locais foram escolhidos estrategicamente para maximizar a visibilidade e o impacto da mensagem. Desde o Setor de Artes, Comunicação e Design, com pontos nos campi Juvevê e Batel em Curitiba, até o Setor Palotina e os campi de Jandaia do Sul e Pontal do Paraná, a iniciativa se espalha geograficamente.
Outras unidades como o Setor de Ciências Agrárias, Humanas, Jurídicas, Sociais Aplicadas, Saúde, Litoral, Toledo, e o Complexo Hospital de Clínicas também receberão os bancos. A diversidade de locais, incluindo áreas comuns, entradas de restaurantes universitários e pátios, visa alcançar o maior número de pessoas possível.
Os bancos pintados de vermelho servirão como um lembrete visual constante da gravidade da violência de gênero e do feminicídio. A presença de frases de incentivo à reflexão e de informações sobre como buscar ajuda transforma esses objetos em ferramentas de empoderamento e apoio às vítimas.
A coordenação da Andifes enfatiza que a pintura dos bancos é apenas uma parte de um esforço maior para educar e mobilizar a sociedade. O objetivo é criar uma rede de apoio e conscientização que transcenda os muros das universidades.
O Significado e o Impacto da Cor Vermelha
A escolha da cor vermelha para os bancos não é aleatória. O tom vibrante é universalmente associado ao perigo, à urgência e, infelizmente, ao sangue derramado em atos de violência. Ao pintar um banco de vermelho, a iniciativa busca chocar e despertar a atenção para uma realidade muitas vezes invisibilizada.
Ao se deparar com um Banco Vermelho, o cidadão é convidado a parar, refletir e questionar. A superfície do banco pode carregar mensagens diretas ou indiretas sobre os ciclos da violência, a importância de ouvir e acreditar nas vítimas, e a necessidade de denunciar.
Além da carga simbólica, os bancos oferecem um recurso prático. Contatos de serviços de emergência, como delegacias especializadas, centros de acolhimento e linhas diretas de denúncia, estarão disponíveis. Essa funcionalidade é crucial para transformar a conscientização em ação imediata.
A iniciativa, ao se espalhar por universidades federais em todo o país, cria um movimento coeso e de grande alcance. A padronização da ação, com a cor vermelha e o conteúdo informativo, garante que a mensagem seja compreendida nacionalmente, fortalecendo a luta contra a violência de gênero em diversas esferas sociais e acadêmicas.






