Trilhas seguras dicas essenciais

🕓 Última atualização em: 11/01/2026 às 03:33

A história do jovem Roberto Farias Thomaz, de 20 anos, mobilizou o Brasil nos últimos dias e reacendeu o debate sobre segurança em trilhas e montanhismo. O caso ocorreu após Roberto aceitar o convite de uma amiga para realizar uma trilha no Pico Paraná durante o período de Ano Novo. Durante o percurso, ele acabou se perdendo e ficou desaparecido por cinco dias, sendo localizado com vida na segunda-feira (05), em uma chácara no município de Antonina (PR), após caminhar mais de 20 quilômetros.

O desaparecimento gerou grande repercussão nas redes sociais, com discussões e opiniões divergentes. Parte dos internautas levantou a hipótese de negligência, apontando que o jovem teria ficado sozinho na trilha em determinado momento, o que pode ter contribuído para o desfecho da situação. Especialistas, no entanto, alertam que esse tipo de análise deve ser feita com cautela, já que trilhas em áreas de montanha envolvem múltiplos riscos.

Orientações de segurança para trilhas e montanhas

As trilheiras Jaqueline e Patrícia, integrantes do grupo Viva Trilhas, compartilham orientações fundamentais para quem pratica trilhas, especialmente em ambientes de maior complexidade. O grupo foi criado em 2017 com o objetivo de reunir trilheiros amadores, sempre priorizando a segurança. Segundo elas, trilhas mais desafiadoras exigem acompanhamento de guias experientes e planejamento rigoroso.

De acordo com as especialistas, os riscos em trilhas podem ser ambientais e físicos, sendo a hipotermia um dos principais perigos técnicos. “Mesmo em regiões de clima tropical, a combinação de umidade e vento pode provocar queda acentuada da temperatura corporal”, explicam. Por isso, o preparo deve incluir condicionamento físico, equilíbrio emocional e conhecimento prévio do trajeto, além do uso de GPS e aplicativos especializados em trilhas.

Quem não deve praticar trilhas de alto risco

Patrícia ressalta que nem todas as pessoas estão aptas a realizar trilhas de maior dificuldade. Indivíduos com condições médicas instáveis, sem liberação médica ou com limitações de mobilidade sem equipamentos adequados devem evitar esse tipo de atividade. A maior restrição, segundo ela, é a falta de preparo físico e mental, frequentemente ignorada por quem subestima os próprios limites.

“Muitas pessoas sedentárias acreditam que conseguem enfrentar montanhas de alto grau de dificuldade, o que é extremamente perigoso. Em nossas expedições, avaliamos o perfil dos participantes, informamos o nível de dificuldade e restringimos quem não está preparado”, explica Patrícia, que possui formação em Educação Física.

Importância de trilhar em grupo e planejar com antecedência

Jaqueline reforça que realizar trilhas em grupo é essencial para a segurança. Em casos de acidente, o grupo pode se dividir para buscar ajuda ou prestar socorro, além de facilitar o gerenciamento de riscos. No entanto, ela alerta que grupos muito grandes também não são recomendados, pois dificultam o controle e aumentam o risco de alguém ficar para trás em trilhas estreitas.

Entre as principais recomendações estão o planejamento prévio do roteiro, informar alguém de confiança sobre o destino e o horário estimado de retorno, além de não subestimar o tempo de deslocamento. “Iniciantes devem começar por trilhas leves. Quem já tem melhor preparo físico precisa estudar a montanha, levar os equipamentos adequados e buscar grupos responsáveis, que não abandonam ninguém”, orienta.

Erros mais comuns cometidos por trilheiros

Patrícia aponta alguns erros frequentes que aumentam o risco de acidentes em trilhas, como o uso de calçados novos, que podem causar bolhas; ignorar a previsão do tempo; sair da trilha demarcada em busca de atalhos; arriscar-se para tirar fotos ou vídeos; e subestimar a quantidade de água e alimentos necessários. Ela também destaca o perigo do consumo de bebidas alcoólicas, relatando situações em que encontrou grupos embriagados em ambientes de alto risco.

Equipamentos essenciais para trilhas seguras

As especialistas destacam os chamados “10 Essenciais”, itens básicos que todo trilheiro deve carregar:

  • Navegação (mapa, aplicativo ou GPS)

  • Lanterna com pilhas extras

  • Proteção solar e repelente

  • Kit básico de primeiros socorros

  • Canivete ou ferramenta multifunção

  • Isqueiro ou meio de fazer fogo

  • Abrigo de emergência (manta térmica)

  • Alimentação extra

  • Água extra

  • Roupas adequadas para isolamento térmico

Quando acionar o resgate

O acionamento das equipes de resgate é indicado em casos de suspeita de fraturas, ferimentos graves com hemorragia, ataque de animais ou perda total de orientação. Jaqueline relata que, em anos de atuação do grupo, o resgate foi solicitado apenas uma vez, durante uma trilha no Pico Araçatuba, quando parte do grupo se perdeu.

“O resgate foi feito com apoio aéreo. Estávamos com um grupo grande, inclusive com crianças, o que nos ensinou a limitar o número de participantes. Foi uma experiência marcante e uma grande lição”, relembra.

Como agir enquanto aguarda o resgate

Por fim, Patrícia orienta que, ao aguardar resgate, o mais importante é manter-se seco e aquecido, evitando a perda de calor corporal. “Use a mochila como isolamento do solo, mantenha o grupo unido, utilize sinais visuais e sonoros e, principalmente, permaneça parado. Andar sem direção dificulta o trabalho das equipes de busca”, conclui.

O caso de Roberto reforça a importância da preparação, responsabilidade e respeito aos limites ao praticar trilhas e atividades em ambientes naturais, onde planejamento e segurança podem ser decisivos para salvar vidas.

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