O Brasil registra um aumento preocupante no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), conforme apontam os dados mais recentes do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A análise, que abrange a Semana Epidemiológica 8, indica uma disseminação generalizada do quadro em diversas regiões do país, com particular destaque para o estado do Paraná.
Este recrudescimento da SRAG tem como principais impulsionadores o aumento expressivo de hospitalizações por rinovírus em crianças e adolescentes na faixa etária de 2 a 14 anos. Paralelamente, o vírus sincicial respiratório (VSR) tem sido o agente predominante em crianças menores de 2 anos, enquanto a influenza A demonstra crescimento notável entre jovens, adultos e idosos.
O retorno às atividades escolares é apontado como um fator que pode ter contribuído significativamente para essa disseminação viral. A recomendação enfática de especialistas é que pais e responsáveis evitem enviar crianças e adolescentes com sintomas gripais ou resfriados para a escola. Essa medida é fundamental para prevenir a propagação dos vírus entre os colegas, minimizando surtos em ambientes coletivos.
Para situações onde o isolamento domiciliar não é possível, o uso de máscaras de proteção, especialmente em salas de aula, é sugerido como uma barreira adicional de contenção. A adesão a essas práticas de higiene e segurança é crucial para a saúde pública, sobretudo no contexto de um cenário epidemiológico em ascensão.
A análise do InfoGripe revela que, com exceção de Roraima, Tocantins, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, a maioria das unidades federativas apresenta um crescimento na tendência de longo prazo de casos de SRAG nas últimas seis semanas. Dez dessas unidades estão em níveis de alerta, risco ou alto risco, indicando a necessidade de monitoramento intensificado e ações preventivas.
Estados como Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Maranhão e Sergipe estão sob observação especial. Em muitos destes, o aumento da SRAG em crianças e adolescentes está diretamente associado ao rinovírus. Em outras localidades, como Acre, Amazonas, Pará, Mato Grosso e Goiás, o VSR continua a ser um agente de preocupação em crianças mais novas.
O panorama das capitais e a vigilância epidemiológica
Doze capitais brasileiras também sinalizam níveis de atividade de SRAG considerados em alerta, risco ou alto risco, apresentando ainda crescimento na tendência de longo prazo. Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Fortaleza, João Pessoa, Macapá, Manaus, Porto Velho, Rio Branco e São Luís são as cidades que exigem atenção redobrada das autoridades de saúde.
O Boletim InfoGripe é uma ferramenta essencial para o Sistema Único de Saúde (SUS), oferecendo suporte à vigilância em saúde. Sua função é identificar áreas prioritárias para ações de prevenção e resposta a eventos de saúde pública, permitindo uma atuação mais ágil e eficaz por parte dos gestores e profissionais de saúde.
No acumulado de 2026 até a Semana Epidemiológica 8, foram notificados 14.370 casos de SRAG. Deste total, mais de 35% tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. A predominância de vírus identificados nos casos positivos revela um cenário complexo, com o rinovírus liderando as ocorrências, seguido pela influenza A e pelo vírus sincicial respiratório. O Sars-CoV-2, causador da Covid-19, também figura entre os agentes detectados.
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a prevalência dos vírus em casos positivos se manteve com o rinovírus em destaque, seguido pela influenza A, vírus sincicial respiratório e, em seguida, Sars-CoV-2. Esta dinâmica viral exige uma abordagem multifacetada nas estratégias de prevenção e controle de doenças respiratórias.
Impacto etário e mortalidade: Focos de atenção
A incidência e a mortalidade associadas à SRAG exibem um padrão que impacta de forma desigual as diferentes faixas etárias. Os dados apontam para uma maior incidência da síndrome entre crianças pequenas, o que ressalta a importância de medidas de proteção específicas para este grupo vulnerável. Em contrapartida, a mortalidade concentra-se de maneira mais expressiva na população idosa, um grupo já comumente mais suscetível a complicações de quadros respiratórios.
A análise detalhada dos óbitos por SRAG revela que a Covid-19 aparece como uma das principais causas, seguida de perto pela influenza A. Essa sobreposição de agentes etiológicos entre os casos positivos e os óbitos reforça a necessidade de uma vigilância contínua e integrada, capaz de monitorar a circulação de diferentes vírus e suas respectivas gravidades em diferentes grupos populacionais.






