Um momento de profunda emoção e gratidão marcou a noite deste sábado (31) em Pontal do Paraná, onde Luciana Vieira, 43 anos, realizou o sonho de reencontrar a dupla sertaneja Gian & Giovani. Paciente em cuidados paliativos devido a síndromes genéticas raras associadas ao câncer, ela expressou seu desejo de agradecer pessoalmente aos artistas que foram inspiração e suporte em um dos momentos mais difíceis de sua vida.
A história de Luciana é marcada pela resiliência diante de condições de saúde complexas. Ela lida com a síndrome de Li-Fraumeni e a síndrome de Lynch, ambas hereditárias e associadas a um risco aumentado de desenvolvimento de tumores.
A conexão com Gian & Giovani se aprofundou em 2015, quando sua filha enfrentou um diagnóstico de leucemia. A intervenção da dupla, através de apoio financeiro e emocional, foi crucial para que a filha de Luciana realizasse um transplante de células-tronco.
“Minha filha está curada hoje, e os artistas tiveram um papel fundamental nisso. Eu não poderia partir sem expressar meu agradecimento”, compartilhou Luciana, visivelmente emocionada durante o encontro nos bastidores do show do projeto Verão Maior Paraná.
A Importância dos Cuidados Paliativos na Qualidade de Vida
O caso de Luciana evidencia a importância de desmistificar os cuidados paliativos. Longe de serem um sinônimo de desistência, eles representam uma abordagem focada em proporcionar a melhor qualidade de vida possível para pacientes com doenças graves e que ameaçam a continuidade da vida.
Luciana, que já tratou câncer de boca, mama e intestino, e atualmente enfrenta um raro câncer de pericárdio, ressalta: “Cuidados paliativos não significam esperar a morte. Significam viver com qualidade.” Essa filosofia a impulsiona a continuar buscando a realização de seus desejos, como retornar à praia e experimentar novas aventuras.
Ela é acompanhada pelo Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, e participa de tratamentos experimentais no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, demonstrando o acesso a diferentes frentes de cuidado.
Um Legado de Esperança e Prevenção
O ciclo de superação na família de Luciana se estende além de sua filha. Seu filho de 6 anos, nascido após os desafios enfrentados, não herdou as síndromes genéticas.
Durante o processo de fertilização in vitro, Luciana optou pelo diagnóstico genético pré-implantacional. Essa tecnologia permitiu a seleção de embriões livres das mutações genéticas, oferecendo uma proteção proativa para as futuras gerações.
“Eu perdi muitos familiares para o câncer. Em mim não consegui mudar a história, mas nos meus filhos, sim. Isso muda tudo”, conclui, reafirmando o impacto da ciência e da medicina preventiva na quebra de ciclos de doenças hereditárias.






