Solar do Barão revitalizado mural icônico realocado

🕓 Última atualização em: 17/03/2026 às 20:25

A revitalização do histórico Solar do Barão, um importante centro cultural de Curitiba, teve sua ordem de serviço assinada nesta terça-feira, marcando o início de um ambicioso projeto de restauro e modernização. O edifício, localizado no setor histórico da cidade, é um ponto de referência para a comunidade artística e para os cerca de 400 mil visitantes anuais, entre turistas e estudantes. A iniciativa integra o PRO Curitiba, um programa de investimentos públicos de larga escala.

A cerimônia oficial, que selou o compromisso com a recuperação do patrimônio, ocorreu no edifício Casa Globo, no Largo da Ordem. Este local tem abrigado provisoriamente parte das atividades artísticas que antes eram realizadas no Solar do Barão, evidenciando a continuidade e a importância da programação cultural mesmo durante o período de obras.

Pouco após a assinatura da ordem de serviço, o prefeito Eduardo Pimentel inaugurou o painel artístico “Largo da Ordem 360º”, uma obra do artista Simon Taylor. A peça, agora instalada na fachada da histórica Papelaria Haupt, na esquina das ruas São Francisco e Barão do Serro Azul, celebra os 333 anos da capital paranaense e enaltece o conjunto histórico do Largo da Ordem.

Esta intervenção artística, que se materializa em um mural de azulejos, é uma releitura de uma das obras mais conhecidas de Taylor. Ela apresenta uma vista aérea detalhada do Largo, destacando edificações icônicas como a Casa Romário Martins, a Igreja da Ordem e a Casa Vermelha, além do calçamento em paralelepípedos característico. A transposição da obra para o mural busca eternizar a memória e a identidade visual deste importante espaço urbano.

O futuro do Solar do Barão: um plano detalhado para a preservação e modernização

O projeto de restauro do Solar do Barão, orçado em R$ 18.997.742,19, prevê a recuperação completa do edifício, com início das intervenções previsto para o final deste mês. Com uma área total de 3.377,08 m² a serem restaurados e 547,31 m² de novas construções, o plano abrange a renovação de sistemas elétrico e hidráulico, a reforma integral da cobertura e a implementação de soluções de acessibilidade, como rampas.

Um novo bloco, com três pavimentos, será construído para abrigar a reserva técnica. Esta área será dedicada à guarda e conservação de acervos, seguindo as mais recentes normas técnicas para museus e bibliotecas de quadrinhos (Gibiteca), garantindo a proteção de importantes coleções culturais.

O trabalho será conduzido com técnicas específicas de restauro, focando na preservação das características originais do Solar do Barão, ao mesmo tempo em que se garante uma estrutura moderna, segura e acessível. O secretário municipal de Obras Públicas, Luiz Fernando Jamur, ressaltou a importância deste cuidado para que o patrimônio permaneça vivo e disponível para as futuras gerações.

O prazo de execução estipulado para esta obra é de 24 meses, com a entrega final prevista para março de 2028. A iniciativa visa não apenas a restauração física do Solar, mas também a sua integração com outros espaços culturais.

A intervenção arquitetônica também contempla a integração paisagística do Solar do Barão com o Estúdio Riachuelo, através da criação de um jardim na Rua Riachuelo. Esta ação faz parte da estratégia de consolidação de um corredor cultural.

Quando finalizado, um corredor cultural conectará fisicamente o Solar do Barão, o Estúdio Riachuelo e o Cine Passeio. Esta ligação visa a integração de diversas linguagens artísticas, desde a gravura até o universo digital e audiovisual, enriquecendo a oferta cultural da cidade.

O legado do Largo da Ordem e o papel do Solar do Barão

O Largo da Ordem, onde está inserido o Solar do Barão, possui um profundo significado histórico e cultural para Curitiba. A região é um testemunho da formação da cidade, com edificações que remontam a períodos importantes de sua trajetória. O próprio Solar do Barão tem sido um pilar para a expressão artística, recebendo um público expressivo anualmente.

Marino Galvão, presidente da Fundação Cultural da Cidade (FCC), enfatizou a relevância deste momento, uma vez que o Solar do Barão foi um dos primeiros equipamentos a serem geridos pela Fundação. A região do Largo da Ordem, outrora ligada à figura do Barão do Serro Azul, um expoente da economia paranaense e pioneiro em iniciativas como a Impressora Paranaense, continua a ser um polo de relevância histórica e cultural.

A revitalização do Solar do Barão, portanto, transcende a mera reforma de um edifício. Trata-se de um investimento estratégico na memória da cidade, na sua produção cultural e na sua projeção futura. A expectativa é que, com a conclusão das obras, o Solar do Barão consolide ainda mais sua posição como um centro vibrante de arte, conhecimento e encontro, fortalecendo a identidade curitibana.

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