Uma simulação de atendimento a múltiplas vítimas foi realizada em um hospital privado de Curitiba, visando testar a prontidão e a capacidade de resposta a eventos de grande escala. O exercício, conduzido pela Defesa Civil municipal em parceria com o Hospital Vita, no bairro Batel, replicou um cenário fictício de acidente automobilístico envolvendo seis pessoas, algumas delas com sintomas de intoxicação por metanol. A iniciativa faz parte de um plano mais amplo de capacitação para instituições de saúde.
O objetivo principal foi avaliar a dinâmica de recepção e triagem de pacientes em situações de desastre, integrando as equipes hospitalares com os protocolos de atuação de órgãos públicos. A colaboração entre o setor privado e a administração pública em emergências é fundamental para otimizar recursos e garantir atendimento humanizado.
Profissionais do hospital interpretaram as vítimas, divididas em categorias de acordo com a gravidade. Foram encenados três casos de ferimentos leves (triagem verde), dois de gravidade intermediária (amarela) e um de alta complexidade. Este último simulou um paciente com múltiplas fraturas e intoxicação, retirado de um veículo em condições críticas.
A simulação incluiu a chegada das ambulâncias, o transporte dos pacientes e toda a cadeia de atendimento médico e de enfermagem. Cada etapa foi projetada para refletir o realismo de uma ocorrência, desde a identificação inicial até o encaminhamento para os devidos tratamentos, permitindo a identificação de pontos fortes e áreas de aprimoramento no fluxo de trabalho.
Fortalecendo a Preparação para Desastres
A articulação entre hospitais e a Defesa Civil, como no caso do Plano de Auxílio Mútuo dos Hospitais (PAM – Hospitais), é um componente vital na construção de sistemas de saúde mais resilientes. Essas parcerias estratégicas transcendem a rotina assistencial, focando na preparação para eventos que podem sobrecarregar a capacidade de atendimento. O treinamento periódico assegura que os profissionais estejam aptos a agir com rapidez e precisão.
Ronaldo Suek, chefe de prevenção da Defesa Civil, ressaltou a importância de “suar no treinamento para não chorar na emergência”. Ele explicou que, embora o hospital seja privado, ele faz parte de uma rede de apoio público para absorver pacientes em caso de calamidades. Esse tipo de exercício valida a capacidade do hospital em gerenciar um volume inesperado de vítimas, testando também a eficiência de sua infraestrutura.
A integração das equipes internas com os serviços de emergência externos é um dos maiores ganhos desses exercícios. A comunicação fluida e a coordenação de ações em um ambiente simulado de alta pressão preparam os envolvidos para lidar com o estresse e a complexidade de situações reais. O aprimoramento contínuo dos protocolos de atendimento é um compromisso com a vida.
Osni Silvestri, diretor institucional do Grupo Vita, destacou o Plano de Atendimento a Múltiplas Vítimas como um instrumento essencial para a organização e agilidade em cenários críticos. Ele enfatizou que essas simulações não apenas testam procedimentos, mas também fortalecem o espírito de equipe e a confiança mútua entre as instituições participantes, garantindo que a qualidade do atendimento seja mantida mesmo diante dos desafios mais complexos.
O Papel da Experiência Prática na Formação
Angélica Cristina de Souza, técnica de enfermagem que participou ativamente da simulação como uma vítima de gravidade intermediária, compartilhou sua perspectiva sobre a relevância do treinamento. Ela descreveu a experiência como uma oportunidade valiosa para vivenciar um cenário de emergência de forma controlada, sentindo na prática os procedimentos que seriam aplicados em um caso real.
Essa imersão permite que os profissionais compreendam melhor a perspectiva do paciente e a importância da rapidez e da precisão em cada ação. A vivência simulada contribui para a internalização de protocolos e o desenvolvimento de uma resposta mais intuitiva e eficiente em momentos de crise. A preparação vai além do conhecimento técnico, abarcando o aspecto emocional e a tomada de decisão sob pressão.
Segundo Angélica, a simulação serve como um lembrete tangível da necessidade de estar sempre preparado para salvar vidas. A participação ativa em atividades como essa reforça o compromisso com a profissão e a importância de cada detalhe no processo de atendimento. A capacitação contínua é, portanto, um pilar fundamental para a excelência em saúde.






