O uso recreativo da água durante os meses de calor, especialmente com a popularidade crescente de piscinas infláveis, tem gerado preocupações significativas sobre o desperdício hídrico. A prática de esvaziar e reabastecer esses tanques diariamente, motivada pela crença de que a água se deteriora rapidamente, sobrecarrega os sistemas de abastecimento e pode levar a cenários de baixa pressão e até mesmo desabastecimento em regiões urbanas.
Empresas de saneamento, como a Sanepar, investem vultosos recursos em infraestrutura, incluindo reservatórios, estações de tratamento e redes de distribuição, para garantir o fornecimento contínuo. No entanto, a eficiência desses investimentos é comprometida quando o consumo individual desproporcional impacta a disponibilidade para toda a comunidade.
Um único recipiente de 5 mil litros, trocado duas vezes em um fim de semana, pode suprir a necessidade de água de uma família de quatro pessoas por até duas semanas. Essa comparação ilustra o impacto coletivo de ações aparentemente pontuais e reforça a necessidade de uma consciência sobre o uso racional dos recursos hídricos.
A manutenção da qualidade da água em piscinas de maior porte requer atenção profissional e inspeções regulares, visando preservar a saúde pública e evitar o descarte desnecessário de grandes volumes.
Estratégias para o uso consciente da água em piscinas
Adotar medidas simples e de baixo custo pode reverter o ciclo de desperdício associado ao uso de piscinas. A cobertura adequada e o tratamento químico da água são passos fundamentais para prolongar sua vida útil, eliminando a necessidade de trocas constantes.
Para piscinas infláveis, a adição diária de uma pequena quantidade de água sanitária (hipoclorito de sódio) é suficiente para inibir a proliferação de microrganismos. A aplicação deve ser feita fora do período de uso, preferencialmente antes do repouso noturno, permitindo que a água esteja segura para o dia seguinte.
O hipoclorito de sódio atua como um agente antimicrobiano, prevenindo o desenvolvimento de algas, que causam a coloração esverdeada, e combatendo bactérias. Se a água não for contaminada por detritos como terra ou alimentos, o tratamento pode ser repetido a cada quatro dias, aumentando significativamente a durabilidade da água.
A cobertura da piscina, além de evitar a queda de folhas e insetos, limita a incidência de luz solar direta. Essa restrição é crucial, pois a radiação solar acelera o crescimento de algas e bactérias. Adicionalmente, uma cobertura eficaz previne a piscina de se tornar um criadouro para o mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como a dengue.
Em relação ao enchimento e à complementação do nível da água em piscinas, as companhias de saneamento recomendam horários específicos. Para evitar sobrecarregar a rede de distribuição durante os períodos de maior demanda, o ideal é realizar essas operações antes das 10h ou após as 22h, quando o consumo geral tende a ser menor.
O impacto do desperdício hídrico na infraestrutura e na sociedade
A gestão de recursos hídricos em centros urbanos é um desafio complexo, que envolve planejamento estratégico e investimentos massivos em infraestrutura. Ações como o descarte irresponsável de água de piscinas, embora pareçam isoladas, geram um efeito dominó que pode comprometer a capacidade de abastecimento de toda uma comunidade.
A sobrecarga nos sistemas de tratamento e distribuição pode resultar em falhas operacionais, exigindo manutenções corretivas dispendiosas. Além disso, a escassez temporária de água afeta diretamente a qualidade de vida da população, impactando desde atividades domésticas básicas até a saúde pública.
Portanto, a conscientização e a adoção de práticas de consumo sustentável são essenciais para garantir a disponibilidade hídrica a longo prazo. A colaboração entre a população e as concessionárias de água é fundamental para a preservação deste bem tão precioso.






