A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) anunciou a completa remoção da geosmina, substância responsável por conferir odor e sabor terroso à água distribuída em Ponta Grossa. A confirmação vem após a otimização do processo na Estação de Tratamento de Água (ETA) local, onde análises contínuas desde o início de março indicaram a eliminação total da substância. A medida restabelece as características organolépticas habituais da água para os consumidores da região.
A intervenção técnica na ETA foi direcionada para combater uma condição incomum de hiperfloração de cianobactérias na Represa de Alagados. Esse fenômeno, intensificado por períodos de forte insolação e estiagem na bacia hidrográfica, elevou significativamente a concentração de compostos que afetam a qualidade sensorial da água.
A Sanepar implementou estratégias que incluíram a aplicação de carvão ativado em pontos específicos das captações e um controle rigoroso na dosagem de dióxido de cloro. Adicionalmente, nos momentos de maior crítica, houve uma redução na captação proveniente da Represa de Alagados, diminuindo sua contribuição para o abastecimento geral.
Desafio Biológico e Sensibilidade Humana
A magnitude do evento em Ponta Grossa é destacada pela própria companhia. A densidade de cianobactérias atingiu um patamar próximo a 300 mil células por mililitro, volume consideravelmente superior à média histórica e comparável a crises hídricas de outras regiões. Essa proliferação massiva resultou em uma concentração de geosmina excepcionalmente alta.
A percepção humana ao contaminante é notavelmente aguçada. A geosmina pode ser detectada em concentrações mínimas, na ordem de um nanograma por litro, equivalente a um grão de açúcar em uma piscina olímpica. Mesmo quando a água atende a todos os parâmetros físico-químicos e microbiológicos de potabilidade, a presença em níveis baixos pode ser sentida por indivíduos com maior sensibilidade sensorial.
A normalização da qualidade da água é assegurada pela operação técnica, garantindo que o produto final que chega às residências permanece dentro dos padrões estabelecidos para o consumo humano.
Estratégias de Prevenção e Segurança Hídrica a Longo Prazo
A Sanepar não se limita à resposta emergencial, mas investe em medidas preventivas para mitigar futuros impactos de oscilações climáticas e biológicas no sistema de abastecimento. A contratação de consultoria especializada visa ao aprimoramento contínuo dos processos operacionais e à identificação de vulnerabilidades.
Um plano ambicioso inclui a perfuração de seis novos poços artesianos em diferentes áreas de Ponta Grossa. O objetivo é diversificar as fontes de captação, reduzindo a dependência da Represa de Alagados e aumentando a resiliência do sistema contra eventos extremos. Além disso, há a intenção de implementar uma tecnologia canadense inovadora, baseada em ondas eletromagnéticas de baixa potência, a ser aplicada diretamente na represa.
Em paralelo, a companhia lidera uma iniciativa conjunta com órgãos como IDR, Simepar, IAT e Adapar, focada na elaboração e implementação do Plano de Segurança da Água. Essa colaboração transinstitucional busca a gestão de riscos e a conservação da bacia hidrográfica, com a participação ativa da sociedade civil e dos diversos usuários da região, abrangendo os municípios de Ponta Grossa, Carambeí e Castro. A conservação da qualidade da água em sua origem é um pilar fundamental para a segurança hídrica de longo prazo.






