SAMU Paraná: Anna Lúcia Quebra Tabus

🕓 Última atualização em: 07/03/2026 às 11:08

A presença feminina em cargos de liderança e na linha de frente da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Paraná atinge patamares expressivos, evidenciando um protagonismo crescente e essencial para a eficácia do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. Com 68,10% dos 6.734 servidores sendo mulheres, a Sesa demonstra a capilaridade da força de trabalho feminina em todas as esferas, desde o atendimento direto ao paciente até a gestão de áreas estratégicas e a condução de ambulâncias de urgência.

Esses números não apenas reforçam a predominância feminina na área da saúde, mas também sinalizam uma evolução na ocupação de posições de comando e tomada de decisão. Tal cenário contribui significativamente para o fortalecimento da gestão, a diversificação de perspectivas e o aprofundamento do compromisso da Secretaria com um modelo de saúde pública mais representativo e inclusivo.

O mês de março, dedicado à celebração do Dia Internacional da Mulher, torna-se um palco para a Sesa destacar a relevância do papel feminino. As mulheres são peças-chave em funções que abrangem desde o cuidado direto com os cidadãos até a pesquisa científica, percorrendo um espectro amplo de atividades.

Mulheres na Linha de Frente: Comprometimento e Superação de Barreiras

Um exemplo emblemático dessa atuação é a de Anna Lúcia, condutora-socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) há três anos. Ela compartilha a satisfação de integrar a dinâmica da urgência e emergência, descrevendo sua função como “satisfatório demais” e “muito compensador” para quem sempre almejou estar nessa posição, exercendo suas tarefas com “entusiasmo e muita dedicação”, visando sempre a “perfeição” no auxílio a quem necessita.

Historicamente associada ao público masculino, a função de condutor de ambulâncias tem observado uma notável ascensão da presença feminina nos últimos anos. Anna Lúcia, que também possui formação técnica em enfermagem, relata a realidade encontrada em seu cotidiano profissional. Frequentemente, ao chegar a um local de atendimento com sua colega técnica de enfermagem, são questionadas sobre a ausência do motorista homem, demonstrando a persistência de estereótipos de gênero. A resposta afirmativa, de que ambas são responsáveis pela condução e atendimento, frequentemente é recebida com admiração, como o comentário “como vocês são fortes, meninas, estão de parabéns!”. Essa validação, segundo ela, é extremamente gratificante, pois contribui para a desmistificação de tabus e para a construção de um ambiente de trabalho mais equânime.

A Sesa conta com um corpo técnico diversificado, composto por médicas, enfermeiras, técnicas, fisioterapeutas, fonoaudiólogas, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogas, gestoras e diretoras. Essa multiplicidade de profissões reflete a abrangência da atuação feminina em todas as áreas da saúde. Independentemente das especificidades de suas funções, essas profissionais compartilham a característica de promover um atendimento mais eficiente, acessível, humanizado e acolhedor, espelhando o crescente protagonismo feminino na edificação de um sistema de saúde mais conectado às necessidades da população.

O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, enfatiza a importância dessa representatividade, declarando que “a presença crescente das mulheres em todos os níveis da Secretaria da Saúde fortalece nosso sistema e reforça nosso compromisso com um atendimento de qualidade, acessível e acolhedor para todos os paranaenses. O protagonismo feminino é essencial para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficientes e humanas”.

A Liderança Feminina na Gestão Pública da Saúde

A influência feminina na Sesa se estende a posições de alta relevância gerencial. Diversas áreas cruciais da Secretaria são lideradas por mulheres. No núcleo central em Curitiba, a Diretoria de Contratualização e Regulação tem à frente Raquel Mazetti, enquanto a Diretoria de Atenção e Vigilância em Saúde (DAV) é comandada por Maria Goretti David Lopes. A Diretoria de Obras também tem sua gestão assegurada por Marianna Cardoso.

A força feminina na gestão é ainda mais evidente ao observar instituições e setores vitais para a saúde pública estadual. O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) é dirigido por Vivian Patrícia Raksa, e o Sistema Estadual de Transplantes tem a coordenação de Juliana Ribeiro Giugni. A Escola de Saúde Pública do Paraná é liderada por Solange Rothbarth Bara, e a ouvidora-geral da Saúde é Laís Alves Ventura, demonstrando a abrangência do impacto feminino nas esferas estratégicas.

No âmbito da assistência farmacêutica, o Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) tem como comandante Margely de Souza Nunes, enquanto Deise Pontarolli coordena a Assistência Farmacêutica. O Núcleo Administrativo Setorial é chefiado por Zicleia Maria Schmidt Chevalier, e o Núcleo de Recursos Humanos por Cynthia Akemi Endo. A gerência de Urgência e Emergência é conduzida por Giovana Fratin, consolidando a presença de mulheres em posições de comando.

Dentro da Diretoria de Atenção e Vigilância em Saúde (DAV), outras lideranças femininas também se destacam: Célia Fagundes da Cruz comanda o Laboratório Central do Estado (Lacen-PR); Tatiane Dombroski coordena o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs); Aline Jarschel de Oliveira Graziani é responsável pela coordenação de Atenção à Saúde; Ivana Belmonte lidera a Vigilância Ambiental; e Elaine Cristina Vieira de Oliveira coordena o Centro de Gestão da Informação (CGI) da Sesa. Essa lista se estende a dezenas de outros setores, diretorias de Regionais de Saúde, hospitais e unidades estaduais, onde mulheres ocupam posições de chefia, evidenciando uma rede consolidada de liderança feminina.

Patrícia Capelo, coordenadora da Vigilância Sanitária da Sesa e servidora pública há 22 anos, ressalta que a presença feminina na saúde transcende os números. Ela pontua que “o reconhecimento e participação das mulheres nesses espaços de decisão são importantes para garantir cada vez mais igualdade de oportunidades. Eu acredito que a secretaria tem avançado nesse sentido e ver mulheres ocupando tantas posições estratégicas na gestão pública mostra que nós estamos construindo um ambiente mais equilibrado, onde competência, compromisso e sensibilidade caminham juntos”.

A gestora complementa, destacando a responsabilidade inerente aos cargos de gestão em serviços de saúde, especialmente na vigilância, onde o desafio é garantir a segurança da população em face de diversas realidades. “Como mulher, eu me sinto muito satisfeita com o reconhecimento desse ambiente da secretaria, por compreender que é possível realizar esse trabalho, assumir essa função e essa responsabilidade num cargo que exige muito diálogo e muito comprometimento”, concluiu.

O Papel do SUS no Cuidado Feminino ao Longo da Vida

O Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha um papel fundamental no acompanhamento da saúde feminina desde o nascimento. No Paraná, a rede pública oferece suporte contínuo, iniciando com a vacinação na infância e adolescência, consultas de rotina e ações preventivas. Ao longo da vida, o SUS assegura o acesso a exames cruciais para a saúde da mulher, como o Papanicolau e a mamografia, além de fornecer orientações sobre planejamento reprodutivo e acompanhamento em diferentes fases da vida.

Um marco importante nesse cuidado é a campanha Paraná Rosa, idealizada pela primeira-dama do estado, Luciana Saito Massa. Em sua sétima edição, a campanha lançou a unidade móvel de saúde da mulher mais completa do Brasil. A Carreta Saúde da Mulher realizou mais de 19 mil atendimentos em aproximadamente três meses, percorrendo 13 cidades e abrangendo a demanda de 77 municípios, demonstrando o alcance e a efetividade das iniciativas.

Durante o período gestacional, a atenção à saúde da mulher se intensifica significativamente. O Paraná se destaca nacionalmente pela alta frequência de consultas de pré-natal realizadas pelo SUS, garantindo acompanhamento médico, exames e orientações vitais para o bem-estar materno e fetal. As gestantes também têm acesso a vacinas específicas para o período e contam com suporte em maternidades e hospitais da rede pública, onde partos são realizados e toda a assistência necessária é oferecida antes, durante e após o nascimento.

Além das ações de prevenção e acompanhamento contínuo, o SUS garante acesso a tratamentos e procedimentos de maior complexidade quando necessários. Cirurgias, atendimentos especializados, internações hospitalares e reabilitação integram a estrutura que beneficia milhares de mulheres diariamente no estado. Esse cuidado abrangente é potencializado por uma rede de profissionais, majoritariamente composta por mulheres, dedicadas a acolher, orientar e promover a saúde da população em todas as regiões paranaenses.

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