Ratinho Jr. e Moro em disputa eleitoral tensa no Paraná

🕓 Última atualização em: 01/02/2026 às 08:55

A política paranaense vive um momento de reconfiguração estratégica, com o cenário para a sucessão do governo estadual sendo redesenhado por indefiníveis alianças e vetos. A disputa pela liderança do Palácio Iguaçu, tradicionalmente dominada por forças de centro-direita há mais de uma década, encontra-se em um complexo jogo de xadrez partidário, com menos de dois meses para o fechamento das janelas de filiação.

Neste contexto, o Partido Social Democrático (PSD) do atual governador se depara com a necessidade de definir seu candidato. A sigla abriga pelo menos três nomes com aspirações ao posto principal, gerando incertezas sobre a escolha final.

O governador, figura central na decisão, já teria sinalizado preferência nos bastidores pelo Secretário de Estado das Cidades, Guto Silva. Contudo, a oficialização da escolha ainda aguarda o momento oportuno, mantendo outros interessados em compasso de espera.

Dois outros importantes filiados do PSD, o Presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o Secretário de Estado do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, cogitam buscar novas legendas caso suas pretensões sejam preteridas. Ambos possuem bases de apoio consolidadas, Curi em redes municipais e Greca com histórico de gestão na capital.

A demora na definição pelo PSD preocupa alguns correligionários, que temem a consolidação de candidaturas de oposição, como a do senador Sergio Moro. O União Brasil enfrenta, por sua vez, seus próprios dilemas.

O papel do PP e a inviabilidade de Sergio Moro em certas alianças

Sergio Moro, pré-candidato declarado ao governo estadual, encontra obstáculos significativos em sua articulação. Um veto imposto pelas lideranças do Partido Progressista (PP) no Paraná, anunciado no final do ano passado, coloca em xeque sua possibilidade de concorrer pela sigla.

O deputado federal Ricardo Barros, influente no diretório paranaense do PP, declarou que a legenda não homologará a candidatura de Moro. Paralelamente, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, indicou que não intervirá na decisão local.

Essa divergência assume maior relevância considerando a federação existente entre PP e União Brasil em nível nacional. A União Progressista pressupõe a tomada de decisões conjuntas sobre candidaturas, o que torna o veto do PP paranaense um fator de grande peso.

O PP, diante desse cenário, avalia alternativas. Uma delas é apoiar o candidato que emergir da escolha do PSD. Outra via é lançar um nome próprio, como a ex-governadora Cida Borghetti, esposa de Ricardo Barros, ou o ex-prefeito de Londrina, Marcelo Belinati. Uma terceira opção em consideração é acolher Rafael Greca em suas fileiras e lançá-lo como candidato. Moro, enquanto isso, conta com o apoio da presidência nacional do União Brasil, mas a busca por outro partido se mostra complexa.

O Partido Liberal (PL), alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, já manifestou apoio ao candidato que for escolhido pelo governador. O partido Novo também considerou uma candidatura com Paulo Martins, vice-prefeito de Curitiba, mas não descarta alianças.

A frente de esquerda e centro-esquerda consolida seus apoios

No espectro oposto, a formação de alianças no campo da esquerda e centro-esquerda já demonstra maior clareza. O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu apoiar a pré-candidatura do deputado estadual Requião Filho, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), ao governo do Paraná.

Esta estratégia reflete a abordagem petista nas eleições municipais de Curitiba em 2024, quando optaram por apoiar uma chapa de aliados do PSB e PDT, abdicando de candidaturas próprias. O objetivo principal é consolidar um palanque competitivo nesse segmento político.

A aliança no Paraná também simboliza uma reaproximação com a família Requião. Em 2022, o ex-governador Roberto Requião se filiou ao PT para compor um palanque regional para o então candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, desentendimentos posteriores levaram à sua saída da sigla no início de 2024.

Posteriormente, Roberto Requião migrou para o PDT, acompanhado de seu filho, que agora se apresenta como pré-candidato ao governo estadual. A decisão conjunta visa fortalecer a representatividade e a força política dessas legendas no estado.

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