O consumo de quiabo tem registrado um notável aumento em Curitiba, impulsionado tanto pela sazonalidade favorável da produção quanto pela crescente conscientização sobre seus benefícios nutricionais. Vendedores no Centro da capital paranaense observam um crescimento expressivo na demanda, com o produto tornando-se mais acessível e popular entre os consumidores.
Tradicionalmente, o período entre janeiro e março marca a alta temporada do quiabo no Paraná. Essa época coincide com o clima mais quente, que favorece o cultivo em regiões produtoras como Morretes e municípios do norte do estado. Essa abundância na oferta naturalmente reflete em preços mais baixos, atraindo mais compradores.
Entretanto, as razões para a popularidade crescente do quiabo parecem transcender apenas a questão sazonal. Relatos de comerciantes indicam que a procura atual supera as expectativas, mesmo considerando o período de safra. Há uma percepção de que os consumidores estão, de fato, redescobrindo este vegetal.
## A Descoberta dos Benefícios: Saúde e Paladar Andam Juntos
A explosão na venda de quiabo não se deve unicamente à queda de preços durante a temporada. O que tem surpreendido os vendedores é a forma como o produto se tornou um item essencial nas compras, com volumes significativamente maiores sendo vendidos diariamente em comparação com anos anteriores.
Essa nova onda de popularidade é atribuída, em parte, à divulgação dos benefícios para a saúde associados ao consumo de quiabo. O vegetal é uma rica fonte de vitaminas A e C, além de folato (vitamina B9). Minerais essenciais como cálcio, ferro, magnésio e fósforo também compõem seu perfil nutricional.
As fibras presentes no quiabo desempenham um papel crucial na saúde intestinal, auxiliando na prevenção da constipação. Mais notavelmente, as fibras solúveis contribuem para o controle da glicemia, retardando a absorção de carboidratos e evitando picos de açúcar no sangue, o que o torna um aliado para pessoas com diabetes.
O Fim da Temporada e o Aumento de Preços: Uma Corrida Contra o Tempo
Para os consumidores que desejam aproveitar o quiabo em sua melhor fase, o tempo é um fator crucial. A produção tende a diminuir após meados de março, um reflexo direto do fim do período de clima mais favorável para o cultivo.
Com a redução da oferta, o preço do quiabo tende a sofrer um aumento considerável, podendo até mesmo dobrar em comparação aos valores praticados durante a alta temporada. Um pacote que atualmente custa em torno de R$ 10, com aproximadamente 600 a 700 gramas, pode chegar a R$ 15 ou R$ 20 fora de época.
A qualidade do quiabo também se altera. O produto colhido fora da temporada tende a ser mais fibroso, perdendo a maciez e a textura apreciadas por muitos. Portanto, o período atual representa uma oportunidade única para adquirir quiabo de boa qualidade e a preços mais acessíveis.
A diversidade de preparos do quiabo adiciona outro ponto de interesse. Seja refogado, frito, assado ou em ensopados, as opções são variadas. Uma característica que gera debate é a presença da “baba”, a substância mucilaginada liberada durante o cozimento. Enquanto alguns apreciam essa característica, outros preferem técnicas para minimizá-la, como o uso de limão ou vinagre, demonstrando a versatilidade e a capacidade de adaptação do vegetal ao paladar individual. Curiosamente, apesar de ser frequentemente tratado como um legume na culinária, botanicamente, o quiabo é classificado como um fruto, assim como tomate e abóbora, devido à sua origem no ovário da flor e à presença de sementes em seu interior.





