Professores e servidores de Curitiba encerram greve após acordo com prefeitura

🕓 Última atualização em: 08/04/2026 às 21:20

A suspensão da greve dos professores e servidores da rede municipal de ensino de Curitiba foi confirmada na noite de quarta-feira (8), após uma assembleia deliberativa. A paralisação, que durou todo o dia com manifestações no Centro Cívico, foi encerrada após a Prefeitura apresentar novas propostas à categoria. As aulas devem retornar à normalidade nesta quinta-feira (9).

A negociação envolveu avanços significativos em pontos cruciais para os trabalhadores. Um dos acordos prevê o pagamento do vale-alimentação para servidores do nível médio, básico e do Magistério a partir de março do próximo ano.

Adicionalmente, um ajuste emergencial será realizado ainda neste ano para garantir a manutenção do benefício para o grupo de servidores que havia perdido o direito ao vale-alimentação.

O Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal (Sismmac) e o Sindicato dos Servidores Municipais (Sismuc) foram notificados das novas propostas durante reuniões realizadas no Palácio 29 de Março, sede do Executivo municipal.

Participaram das discussões os secretários Paulo Schmidt (Educação) e Daniele Regina dos Santos (Gestão de Pessoal), que apresentaram as contrapropostas às direções sindicais.

No que tange ao crescimento vertical dos profissionais da Educação, um percentual maior de beneficiados foi assegurado, impactando positivamente mais da metade dos inscritos.

Essa medida visa garantir a isonomia do plano de carreira em relação a outras carreiras municipais, considerando o tempo de serviço dos profissionais.

A Prefeitura reforçou seu compromisso com a qualidade do ensino e a valorização profissional. Conforme declarado pela secretária Daniele dos Santos, as negociações permitiram ampliar as oportunidades reais de crescimento na carreira, dentro dos limites legais.

A rede municipal conta atualmente com 11.540 servidores, dos quais 6.576 se inscreveram para o programa de crescimento.

A proposta atual eleva o limite de avanço vertical de 20% para 30% do total de servidores, um aumento de 50% em relação ao teto legal.

O impacto do acordo na carreira dos servidores

A nova proposta também contempla melhorias nos percentuais de avanço, com 30% no nível 1 e 25% nos níveis 2 e 3, com implementação prevista para setembro deste ano. Esses avanços representam um ganho significativo para a progressão funcional.

A administração municipal destacou ainda outras conquistas recentes, como a nomeação de 1.200 novos profissionais, o crescimento horizontal de quase 7 mil servidores e o crescimento vertical para mais de 2.300.

A intenção é fortalecer o quadro de servidores com chamamentos de concursos públicos e processos seletivos em andamento.

A gestão também se comprometeu a ampliar o número de profissionais de apoio em turmas com estudantes em processo de inclusão, visando um atendimento mais individualizado.

O secretário da Educação reiterou a disposição para manter o diálogo aberto com os sindicatos, buscando soluções conjuntas para as demandas da categoria.

Um anúncio relevante feito no final de março pelo prefeito Eduardo Pimentel foi o descongelamento de 583 dias de tempo de serviço.

Essa medida, suspensa em 2020 e 2021 devido à pandemia e legislação nacional, impactava benefícios como o adicional por tempo de serviço e a licença-prêmio.

A decisão beneficia diretamente 22.600 servidores, representando mais de 82% dos estatutários da Prefeitura, e regulariza um período importante para a contagem de tempo de carreira.

O dia de mobilização e a decisão final

Ao longo do dia de quarta-feira, centenas de professores e servidores da rede municipal de Curitiba se concentraram no Centro Cívico, em uma demonstração de reivindicação por melhores condições de trabalho. O protesto incluiu um carro de som e percorreu a Avenida Cândido de Abreu.

A partir das 15h30, representantes do Sismuc e Sismmac iniciaram as negociações com a Prefeitura. Durante as tratativas, servidores se mantiveram em vigília em frente ao Palácio 29 de Março, aguardando o desfecho.

A proposta apresentada pela administração municipal foi formalizada e posteriormente levada à assembleia, onde foi votada e aprovada pela maioria dos presentes, culminando na suspensão da greve.

Na manhã da quarta-feira, o secretário de Educação informou que, mesmo durante a paralisação, 95% das escolas municipais operavam normalmente, evidenciando a adesão parcial à greve.

A resolução do conflito demonstrou a importância do diálogo e da negociação para a superação de impasses entre servidores públicos e o poder executivo, buscando um equilíbrio entre as demandas trabalhistas e a continuidade dos serviços públicos essenciais.

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