Pochetes Vitais Revitalizam Moda Local

🕓 Última atualização em: 11/03/2026 às 22:36

O que antes era visto com desconfiança e até ridicularizado, hoje se consolida como um acessório prático e versátil, presente em diversas facetas do cotidiano. As pochetes, um item que marcou presença na moda das décadas de 1980 e 1990, experimentam um notável renascimento, transcendendo a efemeridade das tendências passageiras para se firmar como uma escolha funcional e estilosa. A maneira de usá-las também evoluiu, afastando-se da tradicional fixação na cintura para abraçar novas propostas, como o uso transversal no peito ou nas costas, conferindo um toque contemporâneo a variados looks urbanos, esportivos e casuais.

Essa retomada de popularidade não se restringe a um fenômeno isolado. Em diversas cidades, observa-se um crescente interesse pela peça. Em Curitiba, por exemplo, o acessório tem um defensor de longa data, o jornalista e publicitário Lycio Vellozo Ribas. Para ele, a pochete deixou de ser apenas uma moda para se tornar um item indispensável em seu dia a dia desde 1991.

Ribas relata que o apreço pela praticidade do acessório surgiu de forma inesperada. O presente de um curso profissionalizante marcou o início de uma relação quase simbiótica. A necessidade de ter sempre à mão documentos, carteira, dinheiro e outros pequenos objetos motivou o uso contínuo, tornando a pochete um companheiro inseparável em suas atividades, com raras exceções.

A evolução do uso da pochete também se reflete em sua percepção. O que em determinado momento foi marginalizado como um item ultrapassado e de mau gosto, hoje é revisitado com outros olhos. Essa transformação é parcialmente atribuída à capacidade do acessório de se adaptar a diferentes estilos e necessidades, algo que se alinha com a busca contemporânea por praticidade e individualidade.

A reintrodução de um clássico no mercado

O ressurgimento das pochetes não é apenas uma questão de estilo, mas também um reflexo da capacidade de marcas inovadoras em reimaginar e reposicionar produtos com história. Em Curitiba, a marca Katsukazan, fundada entre 2017 e 2018 por Priscila de Araújo Sabino e Guilherme Akio, tem desempenhado um papel crucial nessa revitalização.

Nascidos e criados na capital paranaense, Priscila e Guilherme encontraram na paixão compartilhada pelo ciclismo uma oportunidade de negócio e de expressão criativa. Durante seus estudos em Design de Produtos na UFPR, a necessidade de um acessório que protegesse seus pertences da chuva durante o uso da bicicleta inspirou a criação da primeira pochete da marca, batizada de “Pastel de Vento”.

Esse modelo inicial, que se tornou o carro-chefe da Katsukazan, destaca-se pela sua versatilidade, podendo ser utilizado tanto na transversal quanto na cintura, ideal para carregar o essencial como celular, carteira e chaves. A partir daí, a marca expandiu sua linha com os modelos “Rolinho” e “Rolinho Primavera”, que oferecem maior capacidade de armazenamento e designs mais elaborados.

A estratégia da Katsukazan focou na qualidade dos materiais, como a lona resistente à água, e na funcionalidade, adaptando o acessório a diversos cenários. A aceitação do público foi notável, com as pochetes da marca encontrando espaço em festivais, shows, viagens e atividades ao ar livre.

A empresa, que hoje vende uma média de 450 peças mensais para todo o Brasil, observa um mercado cada vez mais aberto à pochete como um item de moda e utilidade. A percepção de que se trata de um acessório democrático, que agrada a homens e mulheres e se integra facilmente ao dia a dia, contribui para sua permanência no cenário fashion.

A evolução da pochete, de um item associado a uma década específica para um acessório adaptável e moderno, demonstra a dinâmica do design e da moda, onde a funcionalidade e a capacidade de reinvenção se tornam pilares para a longevidade de um produto.

O impacto cultural e a data comemorativa

O retorno triunfal da pochete ao cenário da moda é um fenômeno cultural que vai além da estética. Ele reflete uma mudança nas prioridades de consumo, onde a praticidade e a funcionalidade ganham cada vez mais destaque. A capacidade de ter itens essenciais sempre à mão, com segurança e conforto, é um apelo poderoso em um mundo cada vez mais dinâmico e imprevisível.

Essa ascensão popular justifica a existência de uma data dedicada ao acessório: o Dia Internacional da Pochete, celebrado em 12 de março. Embora a origem exata da criação desta comemoração seja um tanto nebulosa, a data se estabeleceu como um marco para celebrar o item, especialmente nas redes sociais e no varejo, impulsionando discussões e iniciativas relacionadas ao acessório.

A história da pochete remonta aos anos 1970, com raízes na cultura hippie, onde era vista mais como um item masculino. No entanto, foram as décadas seguintes que consolidaram sua imagem e popularidade globalmente, transformando-a em um ícone de uma era. O renascimento atual, porém, apresenta um acessório com novas roupagens e funcionalidades, adaptado às demandas do século XXI.

A percepção da pochete como um item de moda “para ficar” é reforçada pela diversificação de seu uso e pela entrada do acessório em catálogos de inúmeras marcas, indicando uma aceitação generalizada e uma demanda sustentada. A pochete, portanto, deixou de ser uma tendência passageira para se consolidar como uma peça-chave no guarda-roupa contemporâneo, competindo em importância e versatilidade com outras bolsas e acessórios tradicionalmente estabelecidos.

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