Patrulha Maria da Penha Curitiba Mulheres Inspiradoras

🕓 Última atualização em: 08/03/2026 às 15:39

A Força da Patrulha Maria da Penha: Uma Década de Combate à Violência Doméstica

Completando 12 anos de atuação ininterrupta, a Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal de Curitiba se consolida como um marco na proteção às mulheres em situação de violência doméstica no Brasil. Fundada em 2014, no Dia Internacional da Mulher, esta iniciativa pioneira, no âmbito das guardas municipais, demonstra a importância de abordagens especializadas e humanizadas para enfrentar um problema social complexo e persistente.

Ao longo de sua existência, a unidade já realizou aproximadamente 86 mil atendimentos, monitorando rigorosamente as medidas protetivas impostas aos agressores e assegurando a integridade das vítimas. Essa atuação direta resultou em mais de 3.300 encaminhamentos de agressores às delegacias especializadas, evidenciando o papel fundamental da patrulha na efetiva aplicação da lei.

O ano de 2025, por exemplo, registrou 9.431 atendimentos, com 369 prisões em flagrante e o acompanhamento de 4.560 medidas protetivas. Esses números refletem o volume e a urgência das demandas enfrentadas pelas equipes, que operam na linha de frente do combate à violência de gênero.

A dedicação das profissionais que integram a Patrulha Maria da Penha é um dos pilares de seu sucesso. Guarda Municipal há mais de uma década, Gislaine Aparecida Seneiko Szumski destaca a profunda identificação com o trabalho, buscando constante capacitação para aprimorar o acolhimento às vítimas. “Entendo que esse tema é totalmente relevante e necessário para a sociedade. Nós somos mulheres e compreendemos o que elas enfrentam no dia a dia”, ressalta.

O voluntariado e a aptidão são requisitos essenciais para integrar a equipe. Juliana Tozzi, que atua na atividade externa realizando atendimentos e monitorando medidas protetivas, buscou ativamente a transferência para a Patrulha Maria da Penha em 2020. Sua motivação reside na crença do fortalecimento mútuo entre as mulheres. “Temos que lutar muito para conseguir conquistar as coisas, por isso é importante a gente se proteger”, afirma.

O Impacto Transformador do Acolhimento

A frase “Você mudou a minha vida” ecoa na memória de Giselly Tavares, que atua nas viaturas de atendimento externo. Para ela, o trabalho transcende o aspecto técnico-operacional, configurando-se como um processo de aprendizado diário e gratificante, onde a escuta atenta é a ferramenta mais poderosa. O reencontro com uma vítima de cárcere privado, anos após o atendimento inicial, reforçou a dimensão humanizada da sua atuação.

A vítima, que havia sofrido violência psicológica e física severa, compartilhou com Giselly a coragem que encontrou naquele acolhimento para romper o ciclo de abuso. Essa experiência demonstra como o apoio emocional e o escuta empática podem ser decisivos para que mulheres retomem o controle de suas vidas e reafirmem seus direitos.

Jéssica Agostini, responsável pelos atendimentos e orientações sobre medidas protetivas, aponta a educação como o principal caminho para a erradicação da violência de gênero. Como mãe de uma menina de 6 anos, ela nutre a esperança de uma sociedade futura com mais equidade e menos violência, onde as próximas gerações de mulheres desfrutem de plenos direitos.

“Temos que romper essa cultura machista que infelizmente está enraizada no nosso País”, defende Agostini, vislumbrando um futuro onde sua filha cresça em um ambiente mais seguro e justo.

Prevenção e Conscientização: Ferramentas Essenciais

Além do atendimento direto às vítimas, a Patrulha Maria da Penha dedica esforços significativos à prevenção e conscientização. A realização de palestras em empresas, escolas e órgãos públicos visa disseminar informações sobre os direitos das mulheres e os mecanismos de denúncia e proteção.

Gislaine Seneiko destaca a importância dessas ações, especialmente junto ao público jovem. Ao abordar temas como limites em relacionamentos, as palestras auxiliam na formação de indivíduos mais conscientes e respeitosos, contribuindo para a desconstrução de padrões de comportamento violentos desde cedo.

A divulgação de canais de denúncia e apoio é um componente crucial da estratégia da Patrulha Maria da Penha. A existência de múltiplos pontos de contato, como o telefone da própria Patrulha (3221 2760), a Central de Pré-Atendimento à Mulher (180), e diversas delegacias e centros de apoio, garante que mulheres em situação de risco tenham acesso facilitado à rede de proteção.

Essa articulação entre diferentes órgãos e serviços é fundamental para assegurar que cada mulher receba o suporte necessário em sua jornada de superação da violência, consolidando a Patrulha Maria da Penha como um pilar essencial na garantia dos direitos humanos e na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

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