Paraná vacina 72 mil profissionais saúde contra dengue

🕓 Última atualização em: 21/02/2026 às 21:03

O Ministério da Saúde deu início a uma nova fase na luta contra a dengue com a disponibilização da vacina brasileira desenvolvida pelo Instituto Butantan. Inicialmente, o foco está em proteger os profissionais de saúde da Atenção Primária, um grupo essencial na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS). As primeiras 650 mil doses já foram distribuídas, visando imunizar 1,2 milhão de trabalhadores.

No Paraná, a iniciativa contemplará 72,7 mil profissionais, com o envio de 31,4 mil doses iniciais, e novas remessas estão previstas. Essa vacina, que atua contra os quatro sorotipos do vírus, representa um marco na autonomia sanitária do país e na oferta de proteção coletiva.

Amplas estratégias de imunização e pesquisa

A escolha de priorizar os profissionais da Atenção Primária, como médicos, enfermeiros, técnicos e agentes comunitários de saúde, é uma medida estratégica. Esses profissionais estão em contato direto com a população, seja em visitas domiciliares, identificação de focos do mosquito Aedes aegypti ou no primeiro atendimento a casos suspeitos.

Para o segundo semestre, a expectativa é expandir a vacinação para outras faixas etárias, começando pelos mais velhos dentro do grupo de 15 a 59 anos, conforme a capacidade produtiva do Butantan aumentar. O Ministério da Saúde assegurou a compra de 3,9 milhões de doses, adquirindo todo o quantitativo disponível para este ciclo inicial.

Paralelamente, uma ação de pesquisa em três municípios – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) – busca avaliar o impacto do imunizante na dinâmica epidemiológica da dengue. Nessas cidades, adolescentes e adultos de 15 a 59 anos são o público-alvo.

A definição desse público prioritário ocorreu após análise de especialistas e recomendação da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI).

Avanços na produção e panorama epidemiológico

A expansão da oferta da vacina para a população em geral será impulsionada por uma parceria tecnológica com a China. A transferência da tecnologia nacional do Instituto Butantan para a empresa WuXi Vaccines tem o potencial de aumentar a produção em até 30 vezes, garantindo maior acesso ao imunizante.

A vacina brasileira demonstrou uma eficácia de 74,7% contra a dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos, e oferece 89% de proteção contra formas graves da doença. O cronograma de vacinação para a população em geral iniciará com adultos acima de 59 anos, seguindo para faixas etárias mais jovens.

O desenvolvimento desta vacina contou com um investimento significativo de R$ 130 milhões do BNDES, além de aportes contínuos do Ministério da Saúde, que destinará R$ 1,3 bilhão do Novo PAC Saúde para a infraestrutura de quatro fábricas do Butantan. O SUS já oferece, desde 2024, uma vacina de outra fabricante, indicada para adolescentes entre 10 e 14 anos e aplicada em duas doses, tendo alcançado a aplicação de 7,4 milhões de doses até o momento.

Em um cenário epidemiológico mais brando em 2025, com uma queda de 74% nos casos prováveis de dengue em comparação ao ano anterior, e uma redução de 72% nos óbitos, o Ministério da Saúde reforça a importância da continuidade das ações de combate ao Aedes aegypti.

A principal estratégia para o controle da dengue, Chikungunya e Zika continua sendo a eliminação dos criadouros do mosquito. A vacinação se soma a medidas como controle vetorial, uso de inseticidas e outras tecnologias inovadoras para a proteção da saúde pública.

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