O Paraná consolidou em 2025 sua posição como líder nacional em apreensões de drogas, retirando de circulação um volume expressivo de 566 toneladas de entorpecentes. Este número representa mais de um terço de todo o material apreendido no Brasil no mesmo período, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O feito marca o maior volume já registrado desde o início do monitoramento nacional em 2017.
O volume apreendido no estado paranaense demonstra um crescimento exponencial. Em comparação com 2018, o aumento é de aproximadamente 450%, saltando de 102,8 toneladas para as 566 toneladas atuais. Essa marca reflete uma atuação coordenada e persistente das diversas forças de segurança estaduais, incluindo as polícias Civil, Militar, Penal e Científica, em colaboração com órgãos federais como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, além de aparatos de segurança municipais.
Estados vizinhos também apresentaram números significativos, mas o Paraná se destacou isoladamente. Mato Grosso do Sul figura em segundo lugar com 423 toneladas, seguido por São Paulo (162 toneladas) e Santa Catarina (135 toneladas). A concentração dessas apreensões em estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste sinaliza uma intensificação no combate ao crime organizado nessas regiões.
A maconha foi o entorpecente com maior volume apreendido no Paraná. Entre janeiro e dezembro de 2025, foram retiradas de circulação 555 toneladas da substância, o que corresponde a quase 39% de toda a maconha apreendida no país. Em comparação com o ano anterior, o aumento nas apreensões de maconha no estado foi de 15%, superando as 482 toneladas registradas em 2024. Ao longo de sete anos, o crescimento foi de 455%.
No que diz respeito à cocaína, o Paraná apreendeu 11,2 toneladas em 2025, um aumento de 40% em relação a 2024, quando foram registradas 7,9 toneladas. Este é o melhor índice para a substância na série histórica monitorada pelo Sinesp.
Estratégias e Inovações no Combate ao Tráfico
O expressivo avanço nas apreensões é atribuído, em grande parte, ao fortalecimento da atuação integrada das forças de segurança. O foco estratégico tem sido direcionado para as principais rotas de tráfico e para as extensas áreas de fronteira, especialmente na região Oeste do Paraná. Essa abordagem permitiu a interceptação de grandes carregamentos, como 4 toneladas de maconha encontradas em meio a sacas de arroz, com destino ao Rio de Janeiro, em uma operação no final do ano passado.
A vigilância constante em áreas de acesso internacional e nas rodovias estaduais tem sido crucial para a eficácia das operações. Exemplos notórios incluem a apreensão de 1,5 tonelada de maconha em uma área rural de Santa Helena e outra de 3,5 toneladas da mesma droga, juntamente com fuzis, nas proximidades do Rio Paraná. Essas ações visam não apenas apreender, mas também impedir que ilícitos cheguem a diversas partes do país.
Além de reduzir a capacidade logística e financeira das organizações criminosas, as operações deflagradas possuem um forte caráter preventivo e servem como ponto de partida para investigações mais amplas e complexas. Uma ação conjunta recente entre a Polícia Civil e Militar do Paraná resultou na prisão de 25 suspeitos de integrar uma organização criminosa responsável pela movimentação mensal de 1,5 tonelada de drogas, com ramificações interestaduais e atuação há pelo menos dois anos.
O emprego estratégico de cães policiais também tem se mostrado um diferencial significativo no combate ao narcotráfico. Em 2025, quase 150 toneladas de entorpecentes foram localizadas com o auxílio especializado da Companhia Independente de Operações com Cães (CIOC) e do Núcleo de Operações com Cães (NOC). A aguçada capacidade olfativa desses animais potencializa a atuação policial em diversas frentes, desde operações rodoviárias até o cumprimento de mandados judiciais.
Investimentos contínuos em tecnologia e infraestrutura têm sido um pilar fundamental para o reforço das forças de segurança do estado. A ampliação da frota de veículos, embarcações e aeronaves, assim como a aquisição de equipamentos de alta tecnologia, impactam diretamente na desarticulação das estruturas criminosas e na redução da circulação de entorpecentes. A iniciativa do projeto “Polícia de Fronteira”, com a inauguração de sua primeira base operacional em Ribeirão Claro, visa intensificar o enfrentamento ao crime organizado, tráfico e contrabando em regiões estratégicas.
A nova estrutura de policiamento de fronteira combina inteligência policial, patrulhamento especializado e o uso de tecnologias avançadas, como armamento de maior calibre e a integração de bases de dados. Essa sinergia tecnológica e operacional, aliada à presença ostensiva, aumenta a capacidade de resposta imediata a flagrantes e operações de combate à criminalidade.
Reflexos e Perspectivas para o Futuro
O sucesso na apreensão de drogas no Paraná transcende a simples retirada de entorpecentes de circulação. Ele reflete um aprimoramento contínuo nas técnicas de investigação e inteligência policial, que permitem não apenas interromper rotas de abastecimento, mas também alcançar o núcleo financeiro e logístico das organizações criminosas. A prisão de 13 indivíduos em uma operação interestadual, desdobramento da maior apreensão de haxixe já registrada no estado, exemplifica como uma apreensão pontual pode desencadear desdobramentos de grande impacto contra o crime organizado.
A consolidação de estados da região Sul como potências em apreensões de drogas aponta para uma reconfiguração do panorama do combate ao crime organizado no Brasil. A necessidade de ações coordenadas e de um investimento constante em inteligência e tecnologia se torna ainda mais evidente, visto que as organizações criminosas se adaptam e buscam novas rotas e métodos para o escoamento de seus produtos. O Paraná, com sua experiência e os investimentos realizados, demonstra um modelo de enfrentamento que pode servir de referência para outras unidades da federação.






