O Paraná está se posicionando como um protagonista na transição energética do setor de transportes no Brasil. Iniciativas inovadoras, que transformam subprodutos da agropecuária em combustíveis limpos e acessíveis, estão moldando um futuro mais sustentável para a mobilidade no estado. O foco recai sobre o uso do biometano, derivado de dejetos animais, como alternativa viável e econômica ao diesel.
Essa estratégia ambiciosa visa a descarbonização de frotas, tanto de veículos leves quanto pesados, estabelecendo corredores logísticos que priorizam a energia renovável. A cadeia produtiva é cuidadosamente orquestrada, integrando produtores rurais, transportadores, concessionárias de energia e órgãos governamentais.
O resultado é a emergência de um novo mercado energético, onde resíduos da produção de proteína animal são convertidos em combustíveis com menor impacto ambiental e custo reduzido.
A iniciativa de criar corredores rodoviários sustentáveis no Paraná vai além da simples oferta de combustíveis alternativos. O objetivo é ampliar a disponibilidade de gás natural e biometano para veículos pesados, diversificando a matriz energética do transporte com soluções que incluem eletrificação, etanol e biodiesel.
Uma rota pioneira, estabelecida entre Londrina e Paranaguá, já permite o abastecimento de caminhões com GNV, com planos para a incorporação do biometano. Treze postos estrategicamente localizados conectam o estado a regiões vizinhas, garantindo autonomia para as rotas de longa distância.
Paralelamente, o governo estadual está implementando uma linha de atuação que leva o biometano a áreas do interior sem infraestrutura de gasodutos, mas com vasta produção rural de biomassa. O biometano, que é quimicamente idêntico ao gás natural, surge como uma solução eficaz para a descarbonização.
O Impacto do Biometano na Cadeia Produtiva e Logística
O biometano, obtido através da digestão anaeróbica de resíduos orgânicos, como dejetos de suínos, aves, bovinos, vinhaça de cana-de-açúcar e resíduos de aterros sanitários, apresenta um potencial significativo para a redução de emissões de gases de efeito estufa.
A Superintendência de Energia do Paraná (SUPEN) coordena a estratégia estadual de transição energética. Segundo seus representantes, o conceito evoluiu de “corredores verdes” (para eletromobilidade) e “corredores azuis” (para gás natural) para o atual “corredor sustentável”, abrangendo diversas fontes de energia.
O gás natural é visto como um combustível de transição, servindo como indutor para a expansão do biometano. A infraestrutura existente para o gás natural pode ser plenamente aproveitada, conferindo capilaridade ao projeto de disseminação do biometano.
Programas como o RenovaPR, que oferece incentivos financeiros e equalização de juros para a instalação de biodigestores, também são cruciais para fortalecer a produção de biometano no estado. A iniciativa visa a criação de um mercado demandante, com projeções de substituição de até 15% do diesel consumido no Paraná até 2035.
Exemplos práticos já demonstram a viabilidade e os benefícios dessa cadeia. Cooperativas no Oeste do estado transformam dejetos suínos em biometano e fertilizante organomineral, abastecendo suas frotas e reduzindo custos em até 35% em comparação com o diesel. A economia circular é evidente, com os dejetos retornando como adubo para a produção de ração animal, além de gerar benefícios ambientais e abrir portas para certificações internacionais.
Outro investimento notável é o da empresa Potencial, que planeja interligar sua planta na Lapa a distribuidoras de gás, expandindo a oferta de biometano e gás natural. Esses investimentos totais da Compagas somam R$ 200 milhões, impulsionando a infraestrutura de gás no Paraná.
Descarbonização e Competitividade: O Futuro da Mobilidade Paranaense
O Paraná está atuando ativamente no estímulo à demanda por veículos mais limpos. Parcerias com entidades do setor de transporte visam incentivar a migração para veículos híbridos ou movidos a gás. O setor de transporte responde por uma parcela significativa das emissões energéticas do estado, principalmente devido ao uso intensivo de diesel.
O foco é criar um cenário onde o biometano seja uma alternativa viável e competitiva. Workshops e mapeamentos de rotas e frotas auxiliam na identificação da infraestrutura necessária, com o modelo híbrido sendo visto como um passo seguro para a adoção completa de veículos a gás.
Essas ações colocam o Paraná na vanguarda da regulamentação e operação em larga escala do biometano como combustível, alinhando-se a programas federais de descarbonização. A expectativa é que o uso do biometano possa reduzir o custo do quilômetro rodado em até 60% quando utilizado em sua forma pura, além de aumentar a competitividade da produção de proteína animal paranaense em mercados internacionais.
A expansão da infraestrutura de abastecimento, os incentivos à produção e a colaboração entre os setores público e privado consolidam o biometano como um vetor de desenvolvimento. Trata-se da construção de uma nova cadeia produtiva que gera empregos, movimenta a economia local, reduz emissões e diminui os custos logísticos, representando um ciclo econômico virtuoso.
Paralelamente, o Paraná investe em outras soluções de mobilidade sustentável, como a eletromobilidade. O estado conta com uma das mais extensas eletrovias do país, cobrindo 730 quilômetros da BR-277 e áreas urbanas, conectando o litoral a Foz do Iguaçu. Essa infraestrutura, gerida pela Copel, registra um volume crescente de recargas de veículos elétricos, demonstrando o avanço da diversidade energética no transporte paranaense.






