Paraná como ter animal silvestre legalmente IAT detalha regras

🕓 Última atualização em: 24/03/2026 às 14:42

A posse legal de animais silvestres no estado do Paraná é uma realidade possível, contanto que sejam seguidos procedimentos rigorosos e éticos. Espécies como papagaios, canários-da-terra, pintassilgos e sabiás podem compor lares sob a tutela de cidadãos conscientes, desde que a aquisição ocorra exclusivamente através de criadouros ou estabelecimentos devidamente licenciados pelos órgãos ambientais competentes, como o Instituto Água e Terra (IAT) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A regularidade da venda é um ponto crucial, exigindo a apresentação de nota fiscal, certificado de origem e a devida marcação do animal, seja por meio de anilhas ou microchip. O IAT disponibiliza canais para que o consumidor possa verificar a idoneidade do vendedor antes de fechar negócio, enviando o nome e CNPJ do estabelecimento para o endereço eletrônico sisfauna@iat.pr.gov.br.

Em casos onde animais silvestres são encontrados em situação de risco ou resgatados, a orientação primordial é o acionamento imediato dos órgãos ambientais locais. Para animais sem documentação legal, a entrega voluntária ao IAT é o caminho recomendado, isentando o cidadão de quaisquer penalidades legais.

A Natureza Selvagem no Cativeiro: Desafios e Responsabilidades

Superada a etapa burocrática de aquisição legal, a responsabilidade do tutor se intensifica no cotidiano. Existe uma distinção fundamental entre animais domesticados, como cães e gatos, e os animais silvestres. Estes últimos possuem instintos selvagens e requerem um manejo significativamente diferente, como ressalta Pedro Chaves de Camargo, médico veterinário do IAT.

A falta de compreensão sobre as necessidades específicas de cada espécie silvestre pode levar a sérios problemas de saúde e bem-estar. Gaiolas inadequadas, por exemplo, são apontadas como causadoras de estresse crônico, automutilação e depressão em aves. Estudos indicam que até 80% de araras e papagaios podem desenvolver o picacismo, uma condição de arrancamento de penas, devido ao manejo incorreto em cativeiros impróprios.

A alimentação é outro ponto de atenção crítica. Oferecer comida humana, mesmo frutas, a animais silvestres pode causar alterações comportamentais e graves problemas de saúde. Esses animais necessitam de rações específicas para suas espécies, complementadas com dietas prescritas por veterinários especialistas em fauna.

A alimentação oportunista na natureza difere drasticamente das “refeições fáceis” disponíveis em ambientes urbanos. Ao consumir alimentos humanos, como frutas produzidas em larga escala, esses animais podem ingerir uma quantidade calórica excessiva para seu metabolismo, levando a uma dieta adulterada que pode, inclusive, resultar em morte.

O acesso a tratamento veterinário especializado para animais silvestres também é um diferencial, muitas vezes implicando em custos mais elevados para o tutor. O transporte desses animais exige autorizações específicas, como a Guia de Trânsito Animal (GTA), e o cumprimento de normas para garantir a segurança e o bem-estar durante o deslocamento.

Regularização e Devolução Voluntária: Caminhos para a Conservação

A legislação ambiental brasileira prevê a possibilidade de devolução voluntária de animais silvestres que foram mantidos em cativeiro de forma irregular. Essa medida visa regularizar a situação sem a imposição de sanções legais, permitindo que os animais sejam entregues a órgãos ambientais como o IAT.

É fundamental compreender que animais silvestres sem origem legal ou licença de posse não podem ser legalizados posteriormente. A entrega voluntária é o caminho mais seguro e ético para quem se encontra nessa situação, garantindo que os animais recebam a avaliação e a destinação mais adequada por equipes técnicas especializadas.

No entanto, o IAT alerta veementemente contra a devolução de animais silvestres criados em domicílio diretamente à natureza. Essas espécies não estão preparadas para sobreviver sozinhas em um ambiente selvagem, necessitando de processos de readaptação supervisionados por profissionais. A conduta correta é contatar o órgão ambiental da cidade para que um processo adequado de reintrodução ou destinação seja iniciado.

Para denúncias de atividades ilegais contra a fauna silvestre ou para reportar animais feridos, o Instituto Água e Terra oferece canais de comunicação através de sua Ouvidoria, além do Disque Denúncia 181. Informações detalhadas sobre a localização e as circunstâncias do ocorrido são cruciais para uma resposta eficaz das equipes de resgate.

Informações oficiais e orientações completas sobre a tutela responsável de animais silvestres como pets estão disponíveis no site do Instituto Água e Terra e na Instrução Normativa nº 05/2025, em seu Capítulo VII.

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