Mais de 24 mil estudantes estrangeiros estão atualmente matriculados na rede estadual de ensino do Paraná, um indicativo da crescente diversidade cultural e do compromisso do estado com a inclusão e o acesso à educação. Este número engloba alunos de diferentes níveis de ensino, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e cursos específicos de Português para Falantes de Outras Línguas. A presença de estudantes de diversas nacionalidades, com destaque para Venezuela, Haiti, Cuba e Paraguai, reflete um esforço contínuo em promover um ambiente escolar acolhedor e de qualidade para todos.
A Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) tem intensificado ações para garantir não apenas o acesso, mas também a permanência e o sucesso destes estudantes. O direito à escolarização é assegurado por meio de políticas públicas que visam facilitar a adaptação e a integração, especialmente diante do desafio inicial imposto pela língua. A oferta de cursos de Língua Portuguesa, por exemplo, é uma estratégia fundamental para que migrantes possam se desenvolver plenamente em um novo país e contexto educacional.
Essa iniciativa se alinha com a premissa de que todo indivíduo, independentemente de sua condição migratória, tem o direito fundamental à educação básica. O sistema educacional paranaense tem se adaptado para atender às necessidades específicas de estudantes que chegam de diferentes partes do mundo, buscando superar barreiras e promover um intercâmbio cultural enriquecedor nas salas de aula.
Desafios e Oportunidades no Ambiente Escolar
A adaptação a um novo sistema educacional e a uma nova língua representa um desafio significativo para estudantes estrangeiros. No entanto, as experiências relatadas por alunos como José Luís Fermin Bellorin, de 16 anos, estudante venezuelano no Colégio Estadual Paula Gomes, em Curitiba, evidenciam que o acolhimento e o apoio da comunidade escolar podem transformar essa jornada. Bellorin relata um primeiro contato tranquilo e um ambiente receptivo, onde as dificuldades pontuais com a pronúncia em português foram superadas com o auxílio de professores e colegas.
A trajetória de Bellorin, que busca formação técnica em Tecnologia ou Gastronomia após concluir o Ensino Médio, ilustra como a educação pública pode ser um trampolim para a realização de sonhos e para a construção de um futuro promissor. A interação com professores e amigos tem sido fundamental para seu desenvolvimento, ampliando sua visão de mundo e incentivando sua participação ativa no processo de aprendizagem.
Outro exemplo inspirador é o de Antônio Duarte, angolano de 17 anos, que cursa o Ensino Médio integrado ao técnico em Administração no Colégio Cívico-Militar Bento Munhoz da Rocha Neto. Sua chegada ao Brasil há pouco mais de dois anos foi marcada por uma experiência positiva na rede estadual. Duarte destaca o acolhimento recebido desde o primeiro ano e sua rápida adaptação, evidenciando o papel da escola como um espaço de oportunidades e de convivência intercultural.
A experiência de Duarte em uma escola com características distintas em Angola exigiu um período de adaptação às novas rotinas e práticas pedagógicas. Contudo, sua interação e destaque nas aulas demonstram a eficácia das estratégias de integração adotadas pelas instituições de ensino paranaenses, que valorizam a diversidade e promovem um ambiente propício ao aprendizado e ao desenvolvimento pessoal.
O secretário estadual de Educação, Roni Miranda, reforça que histórias como a de José e Antônio validam o papel transformador da educação pública, preparando o terreno para o desenvolvimento de competências e para a construção de uma sociedade mais inclusiva e plural. A escola, nesse contexto, vai além da transmissão de conhecimento, tornando-se um espaço de acolhimento, pertencimento e projeção de futuro para todos os seus estudantes.
O Papel Fundamental do Acolhimento e da Integração
A integração efetiva de estudantes estrangeiros na rede estadual do Paraná passa por um acompanhamento dedicado das equipes pedagógicas e da gestão escolar. Na perspectiva da diretora Rosemary de Souza, do Colégio Estadual Paula Gomes, o processo de acolhimento inicia-se no momento da matrícula, com atenção especial às famílias. A fluidez na comunicação, muitas vezes facilitada pelo domínio do espanhol, contribui para que os alunos se sintam mais seguros e bem recebidos.
A diretora enfatiza a importância do diálogo constante com alunos e responsáveis, demonstrando a escola e explicando seus funcionamentos em línguas que os aproximem. Esse cuidado individualizado reforça o sentimento de pertencimento e facilita a adaptação às dinâmicas escolares. O acompanhamento em sala de aula garante que o estudante se sinta integrado e apoiado por seus colegas e educadores.
A convivência entre estudantes de diferentes nacionalidades é vista como um valioso motor de troca cultural e aprendizado coletivo. Atividades pedagógicas que celebram a diversidade, como trabalhos sobre culinárias típicas de diferentes países, promovem a integração e o compartilhamento de experiências, enriquecendo o currículo e a vivência de todos os envolvidos. Essa abordagem multifacetada solidifica a rede estadual como um espaço de acolhimento e desenvolvimento para a comunidade migrante.
Além do acolhimento a migrantes que se estabelecem no estado, o Paraná também participa ativamente de programas de intercâmbio, recebendo estudantes de diversos países com o objetivo de aprender a língua portuguesa. O Colégio Estadual Júlia Wanderley, por exemplo, tem recebido intercambistas da Alemanha, Polônia e Turquia, fomentando ainda mais a interculturalidade dentro do ambiente educacional.
A garantia do direito à escolarização para estudantes estrangeiros é amparada por normativas como a Deliberação n°09/01 do Plano Estadual de Educação. Mesmo na ausência de documentos comprobatórios de escolaridade prévia, o aluno migrante tem caminhos para ingressar no ensino regular, seja por classificação, matrícula em série compatível com a idade ou revalidação de estudos incompletos. A verificação do nível de proficiência em português é um passo crucial, seguido pela matrícula e, quando necessário, pelo acesso ao curso de Português para Falantes de Outras Línguas (Pfol), disponível para alunos e suas famílias, reforçando o compromisso do estado com a educação inclusiva.






