Um contingente significativo de trabalhadores do transporte coletivo em Curitiba deflagrou uma paralisação na manhã desta quarta-feira (14), interrompendo a circulação de ônibus operados pela empresa Auto Viação Mercês. A medida, que impacta diretamente os usuários das linhas da região Oeste da capital, especialmente aquelas que atendem o Terminal de Santa Felicidade, tem como motivação principal o atraso reiterado no pagamento de salários e benefícios.
A interrupção dos serviços se estende às linhas que operam a contento nas áreas de Santa Felicidade e São Braz, gerando incertezas e dificuldades para milhares de passageiros que dependem do transporte público para seus deslocamentos diários.
A situação é agravada pela persistência do problema. Segundo informações do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), as negociações com a empresa para a quitação integral dos valores devidos vêm se arrastando desde o final do ano passado. Os trabalhadores relatam que o recebimento dos salários tem ocorrido de forma parcelada.
O 13º salário, por exemplo, só foi efetivamente pago no último dia de 2025, após intervenção conjunta do Sindimoc e da Delegacia Regional do Trabalho. Contudo, uma parcela substancial dos valores ainda permanece em aberto, situando-se entre 30% e 40% do total devido.
Repercussão e Medidas de Mitigação
A Urbanização de Curitiba (URBS), autarquia responsável pela gestão do transporte público na cidade, reconheceu o impacto da paralisação, destacando a região Oeste como a mais afetada. A URBS informou que já está em processo de reorganização para mitigar os transtornos à população.
Para suprir a lacuna deixada pela interrupção dos serviços da Auto Viação Mercês, a URBS informou que está acionando outras operadoras do sistema. O objetivo é reposicionar frota e garantir, na medida do possível, a continuidade do atendimento às linhas prejudicadas, minimizando os prejuízos aos cidadãos que utilizam o transporte público.
Diálogo e Soluções a Longo Prazo
A paralisação escancara um problema estrutural que afeta a qualidade do serviço público e a dignidade dos trabalhadores. A falta de transparência e o descumprimento dos acordos trabalhistas geram um ciclo de instabilidade, prejudicando tanto os empregados quanto os usuários.
É fundamental que os órgãos fiscalizadores e a própria gestão pública atuem de forma mais incisiva para garantir que as empresas concessionárias cumpram integralmente suas obrigações, assegurando a pontualidade nos pagamentos e o respeito aos direitos dos trabalhadores. Somente com um compromisso firme com a responsabilidade financeira e social será possível restabelecer a confiança no sistema de transporte público e garantir sua eficiência e qualidade a longo prazo.






