Ônibus mais caros Londrina

🕓 Última atualização em: 17/01/2026 às 02:59

A tarifa do transporte público coletivo em Londrina para o início de 2026 registrará o menor índice de reajuste dos últimos anos. A decisão oficializa uma correção de 8,67%, calculada com base na inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) nos anos de 2024 e 2025. Com essa atualização, o valor da passagem passará de R$ 5,75 para R$ 6,25, com a nova tarifa entrando em vigor a partir da meia-noite de segunda-feira.

Este percentual aplicado à tarifa de passageiros demonstra uma inflexão na política de precificação do serviço de transporte público na cidade. Tal medida se contrapõe aos aumentos significativamente superiores registrados em anos anteriores, que frequentemente superaram a inflação oficial.

É importante contextualizar que, desde 2022, o custo para o usuário vinha sendo elevado em patamares consideravelmente mais altos que a variação do INPC. Uma exceção notável ocorreu em 2025, durante o primeiro ano da gestão municipal atual, quando o valor da passagem foi congelado, mesmo diante de uma substantial alta na chamada tarifa técnica.

A série histórica de reajustes revela uma tendência de desaceleração. Entre 2022 e 2023, a passagem sofreu um aumento acumulado de 20%, saltando de R$ 4,00 para R$ 4,80. No ano seguinte, o índice de reajuste foi ainda mais expressivo, registrando 19,80% e elevando o preço de R$ 4,80 para R$ 5,75.

A presente correção de 8,67%, mesmo considerando dois anos sem ajustes anteriores, sinaliza um esforço concentrado em amenizar o impacto financeiro sobre os cidadãos que dependem do transporte coletivo para seus deslocamentos diários.

Paralelamente, o sistema de transporte público passa por um processo de reestruturação financeira e operacional que visa a sustentabilidade a longo prazo.

Análise da Tarifa Técnica e Impacto nas Concessionárias

A revisão recente não se limitou apenas ao valor pago pelo passageiro. A tarifa técnica, que representa o custo efetivo das operações de transporte e é repassada às empresas concessionárias por trajeto realizado, também passou por análise e reajuste.

As empresas responsáveis pelo serviço, Londrisul e TCGL, apresentaram solicitações de aumento de 17,32% e 3,74%, respectivamente. Contudo, após criteriosa avaliação pela Companhia Municipal de Trânsito de Londrina (CMTU), os percentuais recomendados foram de 6,20% para a Londrisul e um acréscimo mínimo de 0,14% para a TCGL.

Com esses ajustes, a tarifa técnica passará a ser de R$ 10,85 para a Londrisul e R$ 11,86 para a TCGL. Este é o menor percentual de aumento da tarifa técnica em um período de cinco anos.

A trajetória recente da tarifa técnica evidenciava uma política de reajustes consistentemente acima de dois dígitos desde 2022. Em 2023, os aumentos chegaram a 27,70% e 11,72%. No ano seguinte, os reajustes foram ainda mais significativos, atingindo 25,71% e 35,40%. Em 2025, os percentuais foram de 35,31% e 23,72%.

A contenção desses valores é um indicativo da gestão em buscar um equilíbrio entre a remuneração justa às operadoras e a manutenção de tarifas acessíveis ao usuário.

Otimização Operacional e Qualidade do Serviço

Em coletiva de imprensa, o presidente da CMTU, Fabrício Bianchi, atribuiu o controle do reajuste à implementação de uma nova política de gestão e à reorganização da operação do sistema de transporte público.

Bianchi ressaltou que, caso o modelo de gestão anterior tivesse sido mantido, o valor da passagem estaria, atualmente, próximo a R$ 7,00. O foco em otimização, a melhoria da performance operacional e a revisão de despesas foram cruciais para viabilizar a manutenção do valor por um ano e, em seguida, aplicar apenas a correção inflacionária.

A cidade de Londrina testemunhou uma significativa modernização da sua frota de ônibus no ano de 2025, com a incorporação de 102 novos veículos. Este investimento, superior a R$ 90 milhões, trouxe uma melhoria substancial em quesitos como conforto e segurança, com todos os novos ônibus equipados com ar-condicionado, câmeras de vigilância, acesso à rede Wi-Fi e portas USB para carregamento de dispositivos móveis.

Atualmente, mais da metade da frota total de 384 ônibus dispõe de ar-condicionado, e a idade média da frota se situa em 2,5 anos, refletindo um compromisso com a renovação e a qualidade do serviço prestado à população.

Esses investimentos em infraestrutura e modernização da frota tiveram um impacto direto e positivo na demanda. Os últimos meses de 2025 registraram um crescimento de 9,31% no número de passageiros pagantes, marcando o primeiro aumento de demanda desde o início da pandemia de Covid-19 em 2020.

Este crescimento é interpretado como um sinal de retomada da confiança da população no sistema de transporte público e uma demonstração da melhoria na qualidade percebida do serviço oferecido.

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