Mercês deixa linhas de ônibus em Curitiba

🕓 Última atualização em: 26/01/2026 às 20:59

A reestruturação do sistema de transporte público em Curitiba ganha contornos definitivos com a transferência integral das linhas de ônibus anteriormente operadas pela Auto Viação Mercês para as empresas Glória e Santo Antônio, integrantes do Consórcio Pontual. A decisão, oficializada pela Urbanização de Curitiba (Urbs), visa assegurar a continuidade e a qualidade do serviço prestado aos cerca de 13 mil passageiros diários que dependem dessas rotas.

A medida emergencial, que já vinha sendo implementada de forma temporária, agora se consolida em caráter permanente. A Urbs fundamenta sua intervenção na cláusula de solidariedade contratual, um mecanismo que permite a redistribuição de operações em caso de descumprimento de obrigações por parte de uma concessionária.

O principal fator que motivou a intervenção foi a constatação de falhas recorrentes por parte da Auto Viação Mercês. A empresa acumulou atrasos significativos no pagamento de salários e benefícios aos seus colaboradores, além de apresentar deficiências graves na manutenção de sua frota de veículos.

Uma série de vistorias técnicas realizadas entre os dias 16 e 22 de janeiro revelou um cenário preocupante. Dos 43 ônibus inspecionados, apenas cinco estavam em condições adequadas para operar, um número alarmantemente inferior ao exigido para atender à demanda das linhas. A falta de comprovação de condições financeiras para honrar compromissos básicos, como pagamento de funcionários, manutenção e abastecimento da frota, também pesou na decisão.

O Imperativo da Continuidade e da Segurança

A incapacidade da Mercês em apresentar um plano de recuperação credível, que atestasse sua viabilidade financeira e operacional, tornou a situação insustentável. O presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, enfatizou que a manutenção da operação pela empresa em crise representaria um risco iminente à segurança de passageiros e trabalhadores.

A intervenção da Urbs não possui um caráter punitivo, mas sim uma reorganização administrativa. O objetivo primordial é salvaguardar o interesse público, evitando descontinuidade e prejuízos à população usuária do transporte coletivo. A medida visa restabelecer a confiança no sistema e garantir a regularidade das 17 linhas afetadas.

O consórcio agora tem um prazo de 10 dias úteis para formalizar a regularização das linhas e a identificação das empresas responsáveis pela operação. As linhas transferidas incluem trajetos importantes da cidade, como as que atendem os bairros Santa Felicidade, Butiatuvinha e Jardim Itália, além de rotas interbairros essenciais para a mobilidade urbana.

O Futuro dos Passageiros e dos Colaboradores

Para os passageiros, a transição deve ser imperceptível. As empresas Glória e Santo Antônio já vinham operando as rotas temporariamente, garantindo que não houvesse interrupções no serviço ou alterações significativas nas tabelas de horários. A expectativa é de que a normalidade seja mantida, com a qualidade do serviço como prioridade.

A situação dos cerca de 198 funcionários da Auto Viação Mercês, entre motoristas e cobradores, também está em pauta. Nas próximas semanas, sindicatos e representantes patronais deverão se reunir para discutir a absorção desses trabalhadores pelas demais empresas do setor de transporte público em Curitiba. Essa negociação é crucial para mitigar os impactos sociais da reestruturação e garantir a manutenção de postos de trabalho.

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