O cenário artístico e cultural do Paraná lamenta a perda do músico Marinho Gallera, que faleceu nesta segunda-feira (9 de março), aos 78 anos. A notícia foi confirmada por seu colaborador e amigo de longa data, Paulo Vitola, que expressou profunda tristeza pela partida do artista. Vitola ressaltou o imensurável valor de Gallera tanto como pessoa quanto como profissional, incentivando a população a revisitar sua obra como forma de honrar sua memória.
Gallera, embora natural de Araraquara, interior de São Paulo, consolidou sua trajetória artística no Paraná. Sua mudança para Curitiba ocorreu em 1968, aos 20 anos, motivada pela aprovação no curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A capital paranaense rapidamente se tornou seu lar e palco de sua produção musical.
Ao chegar em Curitiba, Marinho Gallera mergulhou intensamente na vibrante cena musical e teatral da cidade. Sua atuação abrangeu a composição, a performance como violinista e a participação como cantor em diversas produções teatrais. Foi nesse período que iniciou uma das parcerias mais significativas de sua carreira com o compositor Paulo Vitola, um encontro facilitado pelo jornalista Aramis Millarch.
A colaboração entre Gallera e Vitola resultou em centenas de composições que exploram as nuances da música brasileira. O acervo dessas obras, que inclui partituras e gravações, está disponível no site www.nosdepinho.com.br, um portal dedicado a preservar e divulgar o legado dessa dupla artística.
A profunda conexão com a poesia e outras colaborações
Além da proeminente parceria com Paulo Vitola, Marinho Gallera manteve um diálogo artístico igualmente fértil com o renomado poeta Paulo Leminski. Essa colaboração com Leminski resultou em um significativo corpo de canções, reunidas no álbum “Fazia Poesia”, gravado pelo próprio Gallera. As partituras dessas obras foram posteriormente incorporadas ao Songbook de Paulo Leminski, demonstrando a sinergia entre a música e a palavra.
A habilidade de Gallera em transitar entre diferentes gêneros e formatos artísticos o consagrou como um artista multifacetado. Sua formação acadêmica em Ciências Sociais, aliada à sua sensibilidade musical, proporcionou uma perspectiva única em suas composições, muitas vezes permeadas por reflexões sociais e existenciais.
A versatilidade de Marinho Gallera também se manifestou em sua atuação no teatro, onde suas composições e performances musicais enriqueceram diversas peças. Essa experiência teatral, combinada com seu trabalho como violinista e cantor, contribuiu para a profundidade e expressividade de sua arte, marcando a cultura paranaense com um legado de excelência e sensibilidade.
O legado de Marinho Gallera para a música paranaense
Marinho Gallera deixa um legado indelével para a música paranaense, não apenas pela quantidade, mas pela qualidade e originalidade de suas composições. Sua capacidade de fundir elementos diversos e de colaborar com artistas de diferentes vertentes o posicionou como uma figura central na cena cultural do estado.
A parceria com Paulo Vitola, em particular, é um marco que exemplifica a força da colaboração criativa. Juntos, eles criaram um repertório que transcende gerações, demonstrando a atemporalidade de sua música. O acesso facilitado a essa obra através do site dedicado permite que novos ouvintes e artistas descubram e se inspirem em seu trabalho.
A contribuição de Gallera ao lado de Paulo Leminski também ressalta sua importância como intérprete e musicista sensível à poesia. A gravação de “Fazia Poesia” e sua inclusão no Songbook de Leminski solidificam seu papel como um elo fundamental entre a literatura e a música, garantindo que sua arte continue a ressoar e a influenciar.






