Linhas Mercês redistribuídas após greve

🕓 Última atualização em: 14/01/2026 às 13:28

Uma paralisação inesperada de trabalhadores da Viação Mercês, motivada pelo atraso no pagamento de salários, deixou aproximadamente 12 mil passageiros sem o transporte coletivo nesta quarta-feira (14/1). A interrupção do serviço, que afeta diversas linhas na região Norte de Curitiba, levou a Urbanização de Curitiba (Urbs) a anunciar medidas emergenciais para garantir a continuidade do atendimento à população.

A Urbs planeja a transferência integral das linhas operadas pela Viação Mercês para as empresas Santo Antônio e Glória, que formam o consórcio Pontual. Esta reorganização visa assegurar 100% do serviço, evitando maiores transtornos aos usuários. A decisão oficial será formalizada por meio de um ofício a ser enviado ao consórcio até o fim da tarde.

A frota da Viação Mercês compreende 35 ônibus, responsáveis por sete linhas exclusivas e dez linhas compartilhadas. A empresa tem histórico de notificações por atrasos em pagamentos e problemas de manutenção, o que já resultou na transferência prévia de algumas de suas rotas.

“Fomos surpreendidos pela paralisação dos funcionários da Mercês, mas garantimos a operação normal já no início do dia, sem filas e aglomerações, com o remanejamento das linhas para outras empresas. A Urbs tomou providências rapidamente para minimizar o impacto. A partir de agora, por previsão contratual, as demais empresas do consórcio devem assumir toda a operação”, declarou o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto.

Contexto e Análise das Medidas

A intervenção da Urbs reflete um modelo de gestão que busca responder prontamente a crises operacionais no transporte público. A transferência de linhas para outras empresas do mesmo consórcio é uma estratégia prevista em contratos para garantir a prestação de um serviço público essencial.

A entidade municipal enfatizou que todos os repasses financeiros para as concessionárias de transporte coletivo estão em dia, afastando a hipótese de pendências por parte do município. A situação da Viação Mercês aponta para dificuldades financeiras internas da empresa, agravadas por atrasos salariais recorrentes.

A legislação determina que paralisações em serviços essenciais devem ser comunicadas com antecedência mínima de 72 horas. A ausência dessa notificação por parte do sindicato dos trabalhadores da Mercês pegou de surpresa tanto a Urbs quanto os milhares de usuários afetados, evidenciando uma falha na comunicação e no cumprimento dos protocolos legais.

Medidas como a retenção de valores do consórcio para garantir o pagamento do 13º salário e, mais recentemente, a solicitação para que o consórcio realizasse o pagamento direto aos funcionários, demonstram a atuação da Urbs na mediação de conflitos e na busca por soluções que minimizem o impacto sobre os trabalhadores e a população.

Linhas Afetadas e Futuro da Operação

Com a mudança, as linhas exclusivas que passam a ser operadas pelo consórcio Pontual incluem a X46 – Especial Mercês, 150 – C. Music/V. Alegre, 912 – José Culpi, 913 – Butiatuvinha, 915 – O. Verde/V. Bádia, 967 – Júlio Graf e 972 – Jardim Itália. O planejamento da Urbs visa integrar essas rotas, oferecendo um fluxo contínuo para os passageiros.

As linhas compartilhadas impactadas são 022 – Inter 2 (horário), 023 – Inter 2 (anti-horário), 040 – Interbairros IV, 464 – A. Munhoz/Jardim Botânico, 817 – Saturno/Veneza, 821 – Fernão Dias, 901 – Santa Felicidade, 902-Santa Felicidade/Praça Tiradentes, 911- Passaúna e 979 – Linha Turismo. A reorganização dessas rotas busca otimizar o atendimento em áreas de grande demanda.

A transferência definitiva das operações para as empresas Santo Antônio e Glória sinaliza uma potencial reestruturação dentro do consórcio Pontual. A expectativa é que a transição seja feita de forma a garantir a qualidade e a regularidade do serviço de transporte público, fundamental para a mobilidade urbana de Curitiba.

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