Leite em falta Hospital de Curitiba apela por doações

🕓 Última atualização em: 10/03/2026 às 12:19

A estrutura de apoio à amamentação no Paraná enfrenta um desafio crítico. O Banco de Leite Humano (BLH) do Hospital do Trabalhador, em Curitiba, registrou uma redução drástica em seus estoques, levantando preocupações imediatas quanto à capacidade de atender a demanda de bebês prematuros. Atualmente, a unidade dispõe de apenas 8 litros de leite pasteurizado, um volume significativamente inferior aos 35 a 40 litros semanais necessários para suprir as necessidades da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e da Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais (UCIN).

Essa escassez compromete o cuidado de aproximadamente 30 recém-nascidos que dependem diariamente do leite materno em suas internações. O alimento é crucial para o desenvolvimento e recuperação dessas crianças vulneráveis.

A importância do leite humano para bebês prematuros transcende a nutrição básica. Ele atua como um poderoso reforço para o sistema imunológico em formação e auxilia diretamente no ganho de peso necessário para a alta hospitalar.

A falta de um suprimento adequado obriga a equipe médica a recorrer à fórmula infantil, uma alternativa que, embora nutricionalmente formulada, não replica os complexos benefícios imunológicos e de desenvolvimento encontrados no leite materno. A necessidade de escolher quais bebês receberão o leite disponível, em detrimento de outros, representa um dilema ético e clínico de difícil resolução para os profissionais de saúde.

A Rede de Doação e os Impactos da Escassez

O Paraná possui uma rede composta por 15 Bancos de Leite Humano e 18 Postos de Coleta, uma infraestrutura organizada para garantir a segurança e a distribuição do leite doado. Essas unidades desempenham um papel duplo: além de processar o leite, promovem ativamente a amamentação, oferecendo suporte e orientação a mães e famílias.

O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, enfatiza a urgência da situação e apela à solidariedade da população. Ele ressalta que a doação de leite humano é um gesto que salva vidas, especialmente para os bebês que necessitam de um impulso extra em seu desenvolvimento inicial.

Estudos científicos comprovam o impacto vital do aleitamento materno. A redução da mortalidade infantil é um dos benefícios mais notáveis, com evidências apontando para uma diminuição de até 13% em mortes evitáveis em crianças menores de cinco anos. Essa estatística sublinha a relevância da amamentação e da doação como estratégias de saúde pública de alto impacto.

A escassez atual no Hospital do Trabalhador não afeta apenas a nutrição, mas também a recuperação e o prognóstico de bebês prematuros, que têm sistemas de defesa ainda em desenvolvimento.

Como Contribuir para a Rede de Solidariedade

Tornar-se uma doadora de leite humano é um ato acessível a toda mulher em período de amamentação. Os requisitos básicos incluem boa saúde e ausência de contraindicações médicas, como o uso de medicamentos que possam interferir na amamentação ou a presença de doenças infectocontagiosas.

O processo de doação é simplificado e seguro. As interessadas podem entrar em contato diretamente com o Banco de Leite do Hospital do Trabalhador. A equipe fornece todo o material esterilizado para a coleta e organiza a retirada em domicílio, garantindo conveniência e segurança para a doadora e para o leite coletado.

Para aquelas que desejam contribuir, o Hospital do Trabalhador oferece atendimento pelo telefone e WhatsApp no número (41) 99709-0098, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Após o cadastro inicial, todas as orientações necessárias para a coleta domiciliar serão fornecidas.

Mulheres em outras regiões do estado também podem participar da rede. Basta procurar o Banco de Leite Humano mais próximo de sua localidade. A estrutura do Paraná está preparada para receber e processar doações de leite humano em diversas unidades espalhadas pelo território.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *