O cenário jornalístico, especialmente no estado do Paraná, lamenta a perda de um de seus cronistas mais emblemáticos. Rubens Fernandes Cabral, aos 84 anos, encerrou sua trajetória neste sábado (7 de fevereiro), deixando um legado marcante, com ênfase especial na cobertura esportiva do norte paranaense. Sua partida ocorreu no Hospital Zona Norte, em Londrina, onde estava internado devido a complicações de saúde que culminaram em falência múltipla de órgãos.
Nascido em Limeira, São Paulo, Cabral estabeleceu residência no Paraná desde 1960, tornando-se uma figura reconhecida na região. Antes de se dedicar plenamente ao jornalismo, exerceu a função de árbitro de futebol, experiência que, sem dúvida, moldou sua compreensão das dinâmicas esportivas.
Sua carreira no jornalismo esportivo foi extensa e multifacetada, abrangendo diferentes veículos de comunicação. A atuação de Cabral foi fundamental para a consolidação da identidade de clubes locais, a exemplo do Londrina Esporte Clube (LEC).
Um dos feitos mais notórios associados a ele é a criação do apelido “Tubarão” para o LEC. A inspiração surgiu após o estrondoso sucesso do filme “Tubarão”, de Steven Spielberg, que estreou no Brasil no final de 1975.
O impacto do apelido e a consolidação da marca
Em 1976, enquanto atuava na Rádio Clube, Cabral começou a usar o apelido de forma recorrente para se referir ao time. A adoção do termo foi inicialmente impulsionada por uma sequência de três vitórias consecutivas do Londrina no Campeonato Paranaense, contra adversários como IX de Julho, Operário e Grêmio Maringá.
A popularidade do apelido cresceu rapidamente. A própria diretoria do Londrina Esporte Clube, percebendo a força e o apelo do termo, passou a adotá-lo oficialmente. A iniciativa culminou na transformação do tubarão em mascote oficial do clube, solidificando uma identidade que perdura até os dias atuais.
Essa estratégia de marketing esportivo, embora desenvolvida em uma época anterior à sofisticação midiática atual, demonstra uma aguda percepção de Rubens Fernandes Cabral sobre a capacidade de elementos culturais populares influenciarem a formação da identidade de agremiações esportivas.
A influência de Cabral transcende a mera narração de jogos; ele soube captar o espírito da época e canalizá-lo para fortalecer o vínculo emocional entre a torcida e o time. A escolha de um animal marinho potente e temido como símbolo foi uma jogada de mestre.
O jornalismo como palco de memórias e identidade
A carreira de Rubens Fernandes Cabral no jornalismo paranaense, com especial destaque para a crônica esportiva, ilustra o papel vital que os profissionais da mídia desempenham na construção e preservação da memória coletiva. Através de suas narrativas, eventos esportivos ganham contornos épicos e figuras adquirem contornos lendários.
O jornalismo, em sua essência, é um guardião de histórias. No caso de Cabral, sua expertise permitiu não apenas cobrir acontecimentos, mas também influenciar a forma como o público os percebia e se relacionava com eles, como é o caso emblemático do apelido do LEC.
O legado deixado por ele ressalta a importância da especialização e da profundidade na cobertura jornalística, elementos cruciais para a construção de narrativas ricas e duradouras. Sua contribuição para o jornalismo esportivo do Paraná é inegável e merece ser lembrada.






