A cidade de Maringá inaugurou oficialmente sua 43ª horta comunitária, um espaço de 1,6 mil metros quadrados dedicado à produção de alimentos e à inclusão social. O empreendimento, batizado de Horta Santa Felicidade, conta com 46 canteiros e tem como objetivo principal beneficiar diretamente 20 famílias em situação de vulnerabilidade social, devidamente cadastradas nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).
A iniciativa vai além da simples oferta de alimentos frescos, posicionando-se como um polo de atividades terapêuticas. A horta está estrategicamente localizada adjacente ao Centro de Convivência Santa Felicidade, facilitando o acesso para indivíduos em tratamento em serviços de saúde mental.
Pacientes do Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Outras Drogas (CAPS AD), do CAPS III e residentes de um lar terapêutico participarão ativamente das atividades na horta. O contato direto com a terra e a rotina de cultivo são reconhecidos por seus benefícios ao bem-estar psicológico.
Cultivo sustentável e integração comunitária
O manejo da horta adota princípios de sustentabilidade, utilizando compostagem a partir de resíduos orgânicos e priorizando o uso de adubos naturais. Essa abordagem garante a produção de hortaliças livres de agrotóxicos, como diversas variedades de alface, rúcula, almeirão, cebolinha, salsinha, beterraba e coentro.
Espaços foram designados para o cultivo de culturas como quiabo, berinjela e abóbora, diversificando a produção local. A iniciativa visa não apenas o suprimento de alimentos para as famílias beneficiadas, mas também a possibilidade de comercialização do excedente, promovendo uma fonte de geração de renda complementar.
A horta comunitária representa um importante avanço na política pública de segurança alimentar e nutricional do município, promovendo acesso a alimentos saudáveis e, simultaneamente, fomentando a agricultura urbana. A integração de pessoas em tratamento de saúde mental nas atividades diárias da horta é um componente crucial, visando a reintegração social e o desenvolvimento de novas habilidades.
Moradores locais têm relatado o impacto positivo da horta, destacando o envolvimento e a criação de vínculos entre os participantes. A atividade regular de cuidado com as plantas, a colaboração nas tarefas e a colheita transformam o espaço em um ponto de encontro e de fortalecimento comunitário, contribuindo para a melhora na qualidade de vida.
O impacto terapêutico e social da iniciativa
O envolvimento de cerca de 20 pessoas em tratamento na rede de saúde mental nas atividades da horta demonstra a força da terapia ocupacional através do contato com a natureza. A rotina de cuidados, o acompanhamento do ciclo de vida das plantas e a colheita oferecem um senso de propósito e realização.
O trabalho diário na horta se configura como uma ferramenta eficaz para ocupar a mente, reduzir sintomas de ansiedade e depressão, e promover a formação de vínculos sociais saudáveis. Para muitos, o espaço se tornou um elemento essencial em suas jornadas de recuperação e bem-estar.
A Horta Santa Felicidade, além de seu papel na produção de alimentos, consolida-se como um laboratório a céu aberto para a reabilitação psicossocial e um modelo inspirador de como a gestão pública pode aliar segurança alimentar, sustentabilidade e políticas de saúde mental.
A iniciativa de Maringá, com a criação da 43ª horta comunitária, reforça a importância de espaços públicos que promovam a saúde integral, a inclusão social e o desenvolvimento comunitário, demonstrando um compromisso com o bem-estar de seus cidadãos.






