A gestão urbana de Curitiba tem investido significativamente em infraestrutura para mitigar os desafios impostos pelo alto volume de tráfego diário, que compreende aproximadamente 800 mil viagens, com a predominância do uso de automóveis particulares. Recentemente, o município anunciou um conjunto de obras de grande porte, incluindo a construção de novas trincheiras e viadutos, com o objetivo de otimizar a fluidez e eliminar pontos críticos de congestionamento. O Hipervisor Curitibano, uma ferramenta tecnológica avançada, desempenha um papel crucial nesse planejamento, auxiliando na identificação de gargalos e na simulação do impacto das intervenções propostas.
O investimento em infraestrutura visa aprimorar a mobilidade urbana em diversos pontos da cidade. Um exemplo é a trincheira em construção no cruzamento da Avenida Prefeito Lothário Meissner com as ruas Ostoja Roguski e Alberto Twardowski, no bairro Jardim Botânico. Orçada em R$ 67 milhões, esta obra promete criar uma ligação direta entre as vias mencionadas, eliminando a necessidade de semáforos e, consequentemente, melhorando o fluxo de veículos.
Paralelamente, estão em andamento as obras das trincheiras da Estação Vila São Pedro, localizada na Linha Verde, conectando os bairros Capão Raso e Xaxim, com um investimento máximo estimado em R$ 110,5 milhões. Uma intervenção de maior escala está planejada para a Avenida Marechal Floriano Peixoto, na porção Sul da Linha Verde, no Boqueirão. Essa requalificação, orçada em R$ 173 milhões, prevê a implantação de um trinário e a construção de dois novos viadutos.
Um dos novos viadutos será construído na Rua Anne Frank, estabelecendo uma conexão direta entre a avenida e a Rua Aloísio Finzetto, facilitando o tráfego de quem se desloca do Boqueirão em direção ao Rebouças. O segundo viaduto, com um formato em “Y”, será erguido na Rua Tenente Francisco Ferreira de Souza. Ele permitirá duas rotas de acesso no sentido Boqueirão: uma para quem chega do Centro pela Rua Escritora Lurdes Strozzi e outra para quem vem do Fazendinha/Portão pela Avenida Presidente Wenceslau Braz. Ambas as estruturas serão paralelas ao viaduto existente na Avenida Marechal Floriano Peixoto.
A Tecnologia por Trás da Mobilidade Urbana
A gestão eficiente do trânsito em Curitiba é amplamente subsidiada pelo Hipervisor Curitibano, uma plataforma lançada em fevereiro de 2024. Essa ferramenta funciona como um centro de inteligência urbana, agregando e processando uma vasta quantidade de dados provenientes de diversas fontes. Sensores municipais, como radares, semáforos inteligentes e contadores de tráfego, são integrados a informações de fontes externas, incluindo câmeras de monitoramento e dados fornecidos por aplicativos de navegação e empresas de tecnologia, como Waze e Google.
Oscar Schmeiske, diretor do Hipervisor, explica que a plataforma tem como função primária identificar os pontos de estrangulamento no fluxo viário. Ao detectar um gargalo, a informação é repassada à equipe de planejamento urbano, que realiza uma análise aprofundada para determinar a prioridade das intervenções. Fatores como disponibilidade financeira e impacto no cotidiano da população são considerados nessa definição. Uma vez que uma obra é priorizada e tem seu financiamento garantido, o projeto retorna ao Hipervisor para que seus efeitos sejam simulados e avaliados.
Embora os pontos de congestionamento estejam dispersos por diferentes regiões da cidade, o Hipervisor auxiliou na identificação de áreas críticas que demandam atenção imediata ou futura. Além das obras já em andamento ou anunciadas, outros quatro gargalos relevantes foram apontados: um na continuação da Avenida Brasília, próximo à Rua Francisco Derosso, no Xaxim; outro na Rua Cândido Hartmann, nas imediações do Parque Barigui, um trecho curto, porém historicamente congestionado; na Avenida Erasto Gaertner, no Bacacheri; e em um trecho entre o Bairro Alto e o Tarumã, nas proximidades da Victor Ferreira do Amaral.
A capacidade de simulação do Hipervisor permite a criação de modelos virtuais detalhados do tráfego da cidade. Essa representação realista possibilita testar, antes mesmo de sua execução, o impacto de intervenções como a adição de novas faixas de rolamento ou a reconfiguração de cruzamentos. Ao alimentar o modelo com dados sobre o fluxo de veículos, rotas de deslocamento e intenções de manobra, os engenheiros conseguem prever como o trânsito se comportará após a conclusão de uma obra.
Embora a simulação não ofereça uma garantia absoluta de sucesso, ela eleva significativamente o grau de certeza sobre a eficácia de uma determinada intervenção. Essa precisão é fundamental para otimizar o uso dos recursos públicos e evitar a paralisação da cidade durante a realização de obras. A priorização das intervenções é também uma estratégia para contornar as limitações orçamentárias e garantir que as obras de maior impacto sejam realizadas gradualmente, minimizando transtornos.
A necessidade de construir estruturas de maior complexidade, como trincheiras e viadutos, surge quando o volume de tráfego excede a capacidade de soluções de transposição em nível, como rotatórias e semáforos. Essas intervenções, embora mais custosas, são essenciais para garantir a fluidez e a segurança viária em pontos de alta demanda. A decisão por obras de maior porte é sempre precedida por uma análise rigorosa do fluxo de veículos e da sua capacidade de absorção.
O Conceito de Hipervisor Urbano e sua Ampla Aplicação
O Hipervisor Curitibano representa a materialização de um projeto de longo prazo focado na revolução informacional e na gestão pública baseada em dados. Sua concepção, iniciada há sete anos, culminou na sua efetiva inauguração em fevereiro de 2024. A proposta central é consolidar a plataforma como um hub de informações municipais, fornecendo as ferramentas necessárias para o planejamento estratégico de políticas públicas e para a gestão em tempo real dos serviços urbanos.
A força do Hipervisor reside em sua abordagem interdisciplinar. Ao invés de analisar problemas de forma isolada, a plataforma integra dados de diversas áreas do conhecimento. Uma questão relacionada à Educação, por exemplo, pode ser investigada em conjunto com dados de Segurança Pública, Saúde, Transporte e outras áreas relevantes. Essa visão holística permite uma compreensão mais profunda e soluções mais eficazes para os desafios urbanos.
Para sustentar essa complexidade de análise, o Hipervisor conta com uma equipe multidisciplinar de 12 analistas de informação especializados em áreas específicas, como Saúde, Educação e Segurança Pública. Além deles, três engenheiros de dados e três cientistas de dados complementam o quadro, dedicando-se a trabalhos de maior complexidade técnica e ao desenvolvimento de algoritmos avançados. Essa estrutura robusta permite o processamento de grandes volumes de dados, conhecidos como big data, provenientes de fontes diversas e complexas.






