Servidores Técnico-Administrativos em Educação (TAEs) de universidades federais no Paraná anunciaram adesão a uma greve nacional, que tem início marcado para esta terça-feira, 3 de março. A decisão, formalizada em assembleia pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Paraná (Sinditest), integra um movimento mais amplo convocado pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA), englobando instituições de todo o país.
O movimento grevista busca pressionar o governo federal a atender a uma série de demandas consideradas cruciais para a categoria. As reivindicações variam entre questões salariais, condições de trabalho e políticas institucionais, refletindo um cenário de insatisfação generalizada no setor da educação pública superior.
Em instituições como a Universidade Federal do Paraná (UFPR), as preocupações se concentram em aspectos operacionais e de bem-estar dos servidores. No âmbito do Complexo Hospital de Clínicas (CHC), por exemplo, a luta é pela efetivação do acordo sobre a Hora Ficta, garantindo a organização adequada da jornada de trabalho e a compensação justa do tempo laborado. A revisão dos adicionais de insalubridade também figura entre as pautas, visando o reconhecimento das reais condições de exposição a riscos no ambiente de trabalho.
Adicionalmente, a categoria na UFPR reivindica a implementação de medidas concretas de combate ao assédio moral. Isso inclui a formulação de políticas eficazes de prevenção, responsabilização dos infratores e a criação de um plano de saúde institucional que atenda às necessidades específicas dos trabalhadores, um ponto essencial para a qualidade de vida e a segurança no trabalho.
Avanço nas Demandas Nacionais e Institucionais
O escopo das reivindicações se estende para além das particularidades de cada instituição, abarcando demandas nacionais que impactam toda a categoria de TAEs. Uma das bandeiras centrais é a articulação pela aprovação da jornada de 30 horas semanais, acompanhada da manutenção e ampliação da flexibilização de horários. Tal medida é vista como fundamental para a melhoria das condições laborais e, consequentemente, para um atendimento mais eficiente à comunidade acadêmica e à sociedade.
Outro ponto de destaque nas negociações é a implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para todos os servidores, incluindo aposentados e pensionistas. O sindicato argumenta que essa iniciativa é crucial para valorizar a experiência e a qualificação dos profissionais. Paralelamente, há uma forte rejeição à Reforma Administrativa e ao Projeto de Lei 6170/2025, que propõe o RSC-TAE, mas que, segundo o Sinditest, não cumpre integralmente os acordos firmados em greves anteriores, especialmente a de 2024.
A exigência do cumprimento integral do Acordo de Greve de 2024 é um eixo prioritário do movimento. O sindicato ressalta a necessidade da efetivação de todos os compromissos assumidos pelo governo federal para encerrar deflagrações anteriores, demonstrando a importância da palavra empenhada e da concretude nas políticas públicas.
A paralisação também visa pressionar o cumprimento da Resolução 45/2021 na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). A norma estabelece que os processos de remoção e transferência de servidores devem ser priorizados antes da abertura de novos concursos públicos, um pleito que busca otimizar a alocação de recursos humanos e atender às necessidades internas das instituições.
Na UTFPR, as preocupações vão além das questões administrativas e abrangem as condições de infraestrutura física. Relatos de falhas estruturais e de equipamentos em algumas unidades da universidade colocam em pauta a necessidade urgente de investimentos na manutenção e modernização dos prédios, garantindo um ambiente de trabalho seguro e propício ao desenvolvimento das atividades acadêmicas e administrativas.
O Caminho da Negociação e a Mobilização Contínua
A organização do comando de greve está em fase final de definição. Uma assembleia convocada para a manhã desta terça-feira terá como pauta principal a escolha dos membros que irão compor este corpo estratégico, responsável por coordenar as ações e negociar com as instâncias governamentais e administrativas. A formação do comando é um passo crucial para dar direcionamento e força ao movimento.
A expectativa é que a paralisação ganhe corpo e gere a pressão necessária para que as demandas dos servidores técnico-administrativos sejam ouvidas e atendidas. A articulação nacional, através da FASUBRA, confere ao movimento um peso maior, indicando a amplitude da insatisfação e a união da categoria em busca de melhores condições de trabalho e de reconhecimento profissional. O desdobramento das negociações e a adesão de outras instituições ao longo dos próximos dias serão determinantes para o sucesso da greve e a conquista dos objetivos pleiteados.






