A greve dos servidores técnico-administrativos em educação (TAEs) das universidades federais do Paraná ultrapassou a marca de um mês sem um acordo formalizado. A paralisação afeta diretamente as atividades da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), além de impactar o Complexo Hospital de Clínicas (CHC/UFPR/EBSERH).
A articulação dos servidores tem se intensificado com a busca por diálogo direto com as administrações superiores. Em assembleias gerais, a categoria tem deliberado sobre a pauta de reivindicações e discutido os próximos passos da mobilização.
As negociações com o governo federal, que ocorrem em Brasília, envolvem representantes da Diretoria de Diálogos Sociais da Secretaria-Geral da Presidência da República e lideranças da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA).
Os Bastidores da Negociação e as Reivindicações Específicas
A pauta de negociações abrange uma série de demandas que visam aprimorar as condições de trabalho e a carreira dos TAEs. Entre os pontos cruciais, destaca-se a implementação imediata de uma comissão paritária para o reconhecimento de saberes e competências (RSC).
A revisão da jornada de trabalho para ampliar o acesso à jornada de 30 horas semanais é outra reivindicação central, visando a melhoria da qualidade de vida e produtividade dos servidores.
Questões relacionadas à infraestrutura, como a disponibilização de espaços adequados e reformas prediais, também compõem a lista, assim como a ampliação do quadro de TAEs para suprir demandas crescentes das instituições.
A greve dos TAEs integra um calendário nacional de mobilização organizado pela FASUBRA, que busca o cumprimento integral de acordos firmados anteriormente. Tais acordos englobam temas como carreira, jornada de trabalho, reposicionamento funcional e condições gerais de trabalho.
No âmbito específico da UFPR, especialmente no Complexo Hospital de Clínicas (CHC), há um foco em demandas como a implementação do acordo da chamada hora ficta, que visa a organização adequada da jornada e compensação justa do tempo trabalhado. A revisão dos adicionais de insalubridade, com o reconhecimento das condições reais de trabalho, também é um ponto relevante.
A categoria também solicita a implementação de medidas efetivas de combate ao assédio moral e a construção de um plano de saúde institucional que atenda às necessidades dos servidores. No CHC, em particular, o sindicato assegura que a maioria dos setores mantém um percentual significativo de trabalhadores em atividade, com adesão à greve controlada, garantindo o funcionamento de serviços essenciais.
Já na UTFPR, as reivindicações incluem o cumprimento da Resolução 45/2021, que prioriza processos de remoção e transferência interna antes da abertura de novos concursos públicos. Servidores do Instituto Federal do Paraná (IFPR) também aderiram ao movimento, reforçando a pauta nacional da FASUBRA.
O Impacto na Assistência e os Próximos Passos
A paralisação, embora tenha impacto nas atividades administrativas e acadêmicas, tem buscado minimizar os efeitos em serviços essenciais. No Complexo Hospital de Clínicas, o sindicato garante que os setores críticos, como UTIs e emergências, operam com a manutenção de um número suficiente de profissionais, priorizando a segurança dos pacientes sem renunciar ao direito de mobilização.
A gestão da UFPR manifestou respeito ao direito constitucional de greve e mantém um canal de diálogo institucional com o Sinditest-PR e demais instâncias pertinentes, acompanhando os desdobramentos do movimento.
Um encontro entre representantes sindicais e do governo federal foi considerado produtivo, com o objetivo de formalizar as demandas apresentadas através de um processo administrativo. A expectativa é que esse diálogo avance para a efetivação dos compromissos assumidos e a construção de soluções concretas para as reivindicações da categoria.
A continuidade das assembleias gerais e a pressão junto ao governo federal serão determinantes para a resolução da greve. A pauta, que reflete anseios antigos por melhores condições de trabalho e valorização profissional, demonstra a importância da mobilização para a defesa dos direitos dos servidores públicos.






