Os dados mais recentes referentes ao ano de 2025 no Paraná revelam um panorama complexo no combate à violência contra a mulher. Embora tenha havido uma redução de 20,2% nos casos de feminicídio em comparação com o ano anterior, totalizando 87 mortes de mulheres por companheiros ou ex-companheiros, outras estatísticas de violência doméstica continuam a gerar alerta.
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), por meio de sua Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), divulgou que apenas em janeiro de 2026, o estado registrou 5.783 ocorrências de violência doméstica. Essa média alarmante equivale a aproximadamente 186 casos diários, ou quase oito por hora.
Essa disparidade entre a redução dos feminicídios e a persistência dos índices de violência doméstica ressalta a necessidade de abordagens multifacetadas e contínuas. A proteção das mulheres demanda não apenas a punição dos crimes mais graves, mas também a prevenção e o acolhimento em todas as formas de agressão.
A ampliação da infraestrutura de segurança tem sido uma prioridade. Recentemente, o Governo do Paraná anunciou a entrega de 54 novas viaturas destinadas à Patrulha Maria da Penha, iniciativa ligada à Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp).
Estas viaturas são ferramentas essenciais para o trabalho de campo, permitindo que as equipes realizem um patrulhamento mais eficaz e respondam com agilidade às denúncias. A expansão da frota visa cobrir uma área geográfica maior e otimizar o atendimento em todo o território paranaense.
O secretário da Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira, enfatizou a importância do investimento contínuo na proteção das mulheres. Ele destacou que a nova frota facilitará os deslocamentos das equipes, ampliando significativamente a capacidade de atendimento e a presença do Estado em situações de risco.
Avanços Tecnológicos e Rede de Apoio
Além da infraestrutura física, o combate à violência doméstica no Paraná tem se beneficiado de iniciativas que integram tecnologia e serviços de apoio. A disponibilização de canais de denúncia mais acessíveis e a capacitação de profissionais que atuam na linha de frente são fundamentais para garantir que as vítimas se sintam seguras para buscar ajuda.
A eficácia da Patrulha Maria da Penha, por exemplo, reside não apenas na sua capacidade de patrulhamento ostensivo, mas também na sua atuação preventiva, através do acompanhamento de medidas protetivas e do diálogo com as vítimas. As novas viaturas potencializam essa atuação, permitindo um alcance maior e uma resposta mais rápida às necessidades emergentes.
A articulação entre órgãos de segurança pública, o Poder Judiciário e a sociedade civil organizada é crucial para a desconstrução da cultura da violência. Iniciativas educativas e campanhas de conscientização, focadas em desmistificar a violência doméstica e encorajar a denúncia, complementam as ações de repressão e proteção.
A Luta Contínua
Embora a queda nos índices de feminicídio seja um indicativo positivo, é imperativo reconhecer que a violência doméstica é um fenômeno complexo e multifacetado. A persistência de altos números em outras frentes de violência demonstra que a batalha pela segurança e dignidade das mulheres está longe de terminar.
A sociedade paranaense tem o desafio de manter o engajamento na prevenção e no enfrentamento de todas as formas de violência de gênero. Isso implica em fortalecer as políticas públicas existentes, promover a igualdade de gênero e assegurar que cada mulher se sinta protegida e amparada pelo Estado e pela comunidade.
A ampliação dos recursos e a modernização dos equipamentos para a Patrulha Maria da Penha representam um passo importante nesse sentido. Contudo, o sucesso a longo prazo dependerá da sinergia entre investimentos em infraestrutura, programas de conscientização e uma rede de apoio robusta e acessível a todas as vítimas.






