Desmatamento e trilhas ilegais no Paraná resultam em multas de R$ 878 mil

🕓 Última atualização em: 08/04/2026 às 09:18

Uma operação de fiscalização focada na proteção de Unidades de Conservação (UCs) no Paraná resultou na aplicação de R$ 878 mil em multas. A iniciativa, batizada de força-tarefa “Espaço Naturais Protegidos”, identificou e coibiu diversas infrações ambientais em áreas protegidas do estado, com foco em desmatamento ilegal, criação de trilhas não autorizadas e acesso indevido de visitantes.

Ao longo de uma semana de ações intensivas, foram lavrados 38 Autos de Infração Ambiental (AIAs). O balanço consolidado, divulgado pelo Instituto Água e Terra (IAT), aponta para a gravidade das intervenções em ecossistemas sensíveis.

As principais irregularidades detectadas incluem a supressão de vegetação nativa, especialmente em áreas de Mata Atlântica, e a tentativa de parcelamento do solo de forma irregular. Estas práticas configuram ameaças diretas à biodiversidade e aos serviços ecossistêmicos providos por estas áreas.

As vistorias abrangeram quatro importantes UCs paranaenses: o Parque Estadual do Pico do Paraná (entre Campina Grande do Sul e Antonina), o Parque Estadual da Serra da Baitaca (Piraquara e Quatro Barras), o Parque Estadual do Monge (Lapa) e o Parque Estadual Lauráceas (Adrianópolis).

O coordenador da força-tarefa e chefe do escritório regional do IAT em Maringá, Antônio Carlos Cavalheiro Moreto, enfatizou a importância da fiscalização contínua. “Nosso objetivo é intensificar o trabalho de fiscalização nas Unidades de Conservação do Paraná para coibir os crimes ambientais”, declarou.

Moreto também destacou a necessidade de engajamento da população. “Além da repressão, queremos orientar os turistas e frequentadores, buscando um melhor entendimento sobre o funcionamento dos parques estaduais. Assim, todos se adequam à legislação e nos ajudam a cuidar do nosso patrimônio natural”, completou.

Impacto do Desmatamento e Urbanização Ilegal em Áreas Protegidas

Um dos focos da operação recaiu sobre o desmatamento e a urbanização desordenada em zonas de amortecimento de unidades como a Serra da Baitaca e o Parque do Monge. Foram constatados 33,40 hectares de vegetação nativa eliminada irregularmente no entorno dessas áreas protegidas.

Na Serra da Baitaca, foram identificados indícios de parcelamento irregular do solo, o que sugere um avanço da ocupação urbana sobre os limites de proteção ambiental. Esta prática é particularmente preocupante, pois fragmenta habitats e pode levar à impermeabilização do solo, comprometendo a infiltração de água.

Outras autuações envolveram proprietários de tanques de água que operavam sem as devidas outorgas ou licenças ambientais. A presença dessas estruturas, quando não licenciadas, pode alterar o regime hídrico local e gerar impactos negativos.

No Parque Estadual Lauráceas, a fiscalização flagrou uma área de desmatamento interno para o plantio de pinus, uma espécie exótica e invasora. Além disso, edificações erguidas de forma ilegal na área de proteção ambiental foram demolidas e materiais apreendidos, reforçando a intolerância a construções clandestinas.

A soma das multas aplicadas, aproximando-se de R$ 1 milhão, reflete a diversidade e a gravidade das infrações cometidas, que vão desde a destruição de vegetação até construções ilegais e o uso inadequado de recursos hídricos.

Combate a Acessos Irregulares e Educação Ambiental

A força-tarefa também direcionou esforços para coibir o acesso irregular a parques, utilizando para isso trilhas não oficiais. A presença de visitantes em locais não permitidos, como na cachoeira da Samambaia e no campo de Asa Delta na Serra da Baitaca, foi um ponto de atenção.

Essas áreas, distantes das bases de controle do IAT, são mais suscetíveis a incêndios e ao descarte inadequado de resíduos sólidos. A alta circulação de pessoas, muitas vezes sem conhecimento das regras de visitação, aumenta a pressão sobre o ecossistema.

Em situações de menor gravidade, as equipes optaram pela educação ambiental, com cerca de 60 visitantes sendo advertidos verbalmente. O foco foi reforçar a importância do cadastro prévio nas bases do IAT antes de adentrar os parques.

No Parque do Pico do Paraná, uma pessoa foi multada em R$ 2 mil por descumprir a exigência de cadastro e utilizar uma entrada não autorizada. Uma trilha clandestina em terreno vizinho à UC resultou em multa de R$ 23 mil, demonstrando o rigor com atividades que desrespeitam os limites e as normas de uso.

A expectativa do IAT é que esta operação pioneira sirva de modelo para futuras ações, consolidando uma estratégia de proteção ambiental mais eficaz e contínua no estado, visando a preservação a longo prazo do rico patrimônio natural paranaense.

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