O Paraná iniciou o ano de 2026 com um cenário epidemiológico preocupante em relação às arboviroses, com destaque para a dengue. Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) revelam um número expressivo de casos suspeitos e confirmados da doença nos primeiros dias de janeiro, além de um balanço consolidado do ano anterior que aponta para uma alta incidência.
Somente na primeira semana epidemiológica de 2026, foram notificadas 384 ocorrências de dengue, das quais 10 já foram confirmadas. Este número inicial sinaliza a continuidade da circulação viral e a necessidade de atenção redobrada por parte das autoridades de saúde e da população.
O ano epidemiológico de 2025 encerrou com mais de 305 mil notificações de dengue em todo o estado, resultando em mais de 92 mil diagnósticos confirmados. Infelizmente, a doença ceifou a vida de 145 pessoas durante esse período.
A disseminação da dengue atingiu uma vasta área geográfica, com 398 municípios registrando algum tipo de notificação. Desses, 387 apresentaram casos confirmados, evidenciando a amplitude do desafio sanitário.
As regionais de saúde de Londrina, Paranavaí e Maringá emergiram como as mais afetadas, concentrando os maiores contingentes de casos confirmados. Londrina lidera com 22.653 casos, seguida por Paranavaí com 13.031 e Maringá com 11.577.
O Panorama de Outras Arboviroses e a Febre Oropouche
Além da dengue, outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti também preocupam. A chikungunya, por exemplo, registrou 11.560 notificações ao longo de 2025, culminando em 6.090 casos confirmados e 8 óbitos.
Em contrapartida, o vírus da zika apresentou um número menor de notificações, com 207 casos em 2025, e, felizmente, nenhum deles foi confirmado.
Um ponto de atenção emergente é a febre oropouche. Em 2025, o estado contabilizou 179 notificações, com 150 casos confirmados. A maioria desses casos (147) foi classificada como autóctone, ou seja, adquirida dentro do próprio município, com expressiva concentração em Adrianópolis (144 casos). Casos importados, com origem em outros estados, também foram identificados.
A febre oropouche é causada por um vírus transmitido principalmente por um mosquito de menor porte, o Culicoides paraensis, popularmente conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. A transmissão ocorre quando o vetor pica um indivíduo ou animal infectado e, subsequentemente, pica outra pessoa.
É importante ressaltar que os dados referentes ao início de 2026 ainda estão em fase de consolidação. A Semana Epidemiológica 01, que abrange os primeiros dias do ano, pode ter seus números alterados em boletins futuros, exigindo acompanhamento contínuo.
Desafios e Estratégias de Combate às Doenças Transmitidas por Vetores
A persistência e a ascensão de casos de arboviroses como a dengue, chikungunya e a emergência da febre oropouche no Paraná impõem desafios significativos às políticas públicas de saúde. A alta incidência em 2025 e o início preocupante de 2026 demandam uma reavaliação e o reforço das estratégias de controle vetorial e de vigilância epidemiológica.
Ações contínuas de combate ao mosquito Aedes aegypti, como a eliminação de focos de água parada, a conscientização da população sobre a importância da prevenção e a mobilização comunitária são fundamentais. A introdução de novas tecnologias e a integração de esforços entre os diferentes níveis de gestão em saúde são cruciais para mitigar a proliferação dessas doenças, que podem gerar surtos de proporções consideráveis.






