O outono chegou oficialmente ao Paraná, marcando a transição climática com temperaturas em declínio e a característica mudança de paisagem em diversas cidades. Em Curitiba, nesta quinta-feira (09/04/2026), a madrugada registrou as temperaturas mais baixas do ano, com os termômetros marcando 14,5ºC, enquanto a máxima durante o dia atingiu 24ºC, evidenciando o frescor característico da estação. Este período é notadamente anunciado pela transformação das folhagens de árvores como as liquidâmbares, que exibem um espetáculo de cores terrosas e avermelhadas.
A Praça Nossa Senhora de Salete, situada em frente ao Palácio Iguaçu no Centro Cívico, já se veste com os tons vibrantes do outono. As liquidâmbares, com sua beleza singular, exibem folhas em tons que variam do verde-claro ao amarelo, laranja e vermelho, prenunciando o auge da estação.
Originárias da América do Norte, estas árvores de longevidade impressionante, com potencial para ultrapassar os dois séculos de vida, adaptam-se notavelmente a climas frios, resistindo a neve e geadas. Em Curitiba, exemplares de porte imponente, capazes de atingir mais de 20 metros de altura, podem ser encontrados em algumas vias e bairros específicos, como Mossunguê, Cabral e Barreirinha.
A Adaptação Urbana e os Benefícios das Espécies Exóticas
A introdução de espécies como as liquidâmbares em paisagens urbanas é um exemplo da gestão paisagística focada em diversidade e adaptabilidade. Embora nativas de outro continente, seu comprovado vigor e resistência a condições climáticas adversas as tornam candidatas ideais para o plantio em espaços públicos de Curitiba, uma cidade que experimenta invernos rigorosos.
A presença dessas árvores contribui não apenas para a estética urbana, mas também para a qualidade do ar e a amenização das ilhas de calor. Sua capacidade de suportar baixas temperaturas as consolida como elementos importantes no planejamento de áreas verdes, garantindo que a beleza natural persista mesmo durante os meses mais frios, promovendo um ambiente mais agradável e resiliente.
Um dos locais mais emblemáticos para a contemplação destas árvores em Curitiba são as canaletas de ônibus da Avenida Padre Anchieta e da Rua Deputado Heitor Alencar Furtado, nos bairros Campina do Siqueira e Mossunguê. A observação da sua metamorfose sazonal oferece um valioso aporte pedagógico sobre os ciclos naturais e a importância da biodiversidade urbana.
O Ciclo das Folhas e o Reflexo no Bem-Estar Urbano
A queda das folhas no outono, longe de ser um sinal de declínio, representa um processo natural essencial para a saúde das plantas e para o ecossistema. As folhas caídas, ao se decompor, retornam nutrientes ao solo, enriquecendo-o e sustentando a vida microbiana, um aspecto fundamental da saúde do solo.
Este fenômeno também serve como um lembrete visual da temporalidade e da constante mudança, convidando à reflexão sobre os ciclos de vida e renovação. Para os habitantes da cidade, a paisagem outonal oferece uma oportunidade de conexão com a natureza, impactando positivamente o bem-estar psicológico.
A contemplação das cores outonais pode reduzir o estresse e promover um senso de tranquilidade, elementos cruciais em ambientes urbanos frequentemente caracterizados pela agitação. Assim, a presença e o ciclo de vida de árvores como as liquidâmbares transcendem a mera ornamentação, configurando-se como elementos vitais na construção de cidades mais saudáveis e harmoniosas.






