Curitiba celebrou a inauguração de um novo espaço público multifuncional no bairro Campo Comprido, que alia engenharia de contenção de cheias a lazer e educação ambiental. A obra, que integra o Programa de Revitalização e Obras de Curitiba (PRO Curitiba), representa um investimento significativo em infraestrutura urbana e qualidade de vida para milhares de moradores.
A nova estrutura atende a uma bacia hidrográfica de aproximadamente 8 km², impactando diretamente bairros como Campo Comprido, Mossunguê, Santo Inácio, Orleans e São Braz, onde residem cerca de 35 mil pessoas. A intervenção visa mitigar os riscos de alagamentos recorrentes na região, especialmente em períodos de chuvas intensas.
O conceito por trás do projeto é a solução baseada na natureza, combinando a funcionalidade de uma bacia de detenção com um design paisagístico que transforma a área em um parque acessível à comunidade. Esta abordagem busca não apenas resolver um problema de infraestrutura, mas também criar um ambiente mais agradável e educativo.
A localização estratégica às margens do Rio Mossunguê, afluente do Rio Barigui, principal eixo hídrico da cidade, reforça a importância da obra no contexto de gestão de recursos hídricos de Curitiba. A bacia de detenção foi projetada para comportar o volume de água excedente, evitando o transbordamento do rio e protegendo áreas adjacentes.
A transformação de uma área antes sujeita a alagamentos em um espaço de convivência evidencia a preocupação com a adaptação às mudanças climáticas. O parque conta com um espelho d’água permanente, diques de contenção em gabião, estruturas de controle de fluxo de água e uma galeria celular subterrânea que mais que dobrou a capacidade de vazão local.
O Legado da Infraestrutura Inteligente
A funcionalidade da obra de macrodrenagem é ampliada por um projeto paisagístico detalhado, assinado por Pablo Izidoro. A área de lazer inclui jardins de chuva, pista de caminhada, arquibancadas construídas com materiais naturais, uma ponte sobre o lago e iluminação adequada. O plantio de espécies nativas como jacarandás, canafístulas e ipês, somado à recuperação da mata ciliar, fortalece a biodiversidade e o aspecto ecológico do local.
As intervenções de engenharia foram complementadas pela requalificação urbana do entorno. Melhorias no asfalto, construção de novas calçadas e a implantação de uma rotatória contribuíram para a fluidez do tráfego e a segurança viária da região. O investimento total na obra foi de R$ 8,8 milhões, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Drenagem).
A concepção do projeto segue as diretrizes do Plano Diretor de Drenagem, focando em intervenções estruturais para o enfrentamento dos desafios hídricos urbanos. A coordenação da obra envolveu o Departamento de Pontes e Drenagem da Secretaria Municipal de Obras Públicas, com o apoio de outras secretarias municipais e órgãos federais.
O secretário municipal de obras públicas, Luiz Fernando Jamur, destacou que a iniciativa integra infraestrutura e preservação ambiental. Ele ressaltou o uso de gabiões e a criação de áreas alagáveis como exemplos de soluções que aumentam a capacidade de absorção hídrica, minimizam impactos ambientais e promovem a biodiversidade.
A Percepção da Comunidade
A recepção da comunidade tem sido extremamente positiva. Moradores de longa data expressam satisfação com a transformação da área. Joana Bizinelli, 75 anos, descreveu o novo espaço como um “presente para o bairro”, contrastando a situação anterior de “mato e nada” com a beleza atual do parque.
Ana Lucia Bizinelli, 70 anos, também demonstrou contentamento, ressaltando a importância de a população cuidar do novo espaço. “A gente só espera que a população continue cuidando para que as crianças, os idosos possam vir passear, curtir esse lugar que ficou muito bonito”, afirmou, evidenciando o senso de responsabilidade coletiva.
A inauguração contou com a presença de representantes de órgãos públicos e privados, como a Caixa Econômica Federal, Curitiba S.A. e representantes de famílias pioneiras na região, sublinhando a importância intersetorial da obra.
A obra em números evidencia a magnitude da intervenção: 5.827 m² de grama, 29.031 m³ de escavação, 181 árvores plantadas, 1.178 toneladas de asfalto, 350 mudas para jardins de chuva, 7.114 m³ de pedras para gabiões e 172 peças de galerias celulares. Além disso, gerou dezenas de empregos diretos e indiretos.






