Curitiba grita NÃO ao feminicídio

🕓 Última atualização em: 08/03/2026 às 15:01

O estado do Paraná registrou 87 casos de feminicídio em 2025, um número alarmante que motivou uma série de manifestações em Curitiba, especialmente no Dia Internacional da Mulher. Uma das ações mais impactantes ocorreu em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde 87 pares de sapatos foram dispostos sobre as escadarias, simbolizando cada vida perdida.

A iniciativa, organizada pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), integrou a campanha “não quero ser a próxima: a psicologia no combate à violência contra as mulheres”. Os calçados, além de servirem como um memorial visual, serão posteriormente doados a instituições que prestam apoio a mulheres em situação de violência.

Paralelamente, a Praça Santos Andrade foi palco da tradicional Marcha 8M, reunindo diversas organizações feministas em um protesto com o lema “pela vida das mulheres, contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1”. A marcha seguiu pela cidade, com paradas em locais estratégicos.

Estas mobilizações visam não apenas chocar a opinião pública com a dimensão da violência, mas também pressionar por políticas públicas mais eficazes e pela conscientização da sociedade sobre a gravidade do feminicídio, crime de ódio motivado por gênero.

A complexidade do combate à violência de gênero

A violência contra a mulher no Brasil é um problema multifacetado, com raízes profundas em estruturas sociais e culturais. O feminicídio, a forma mais extrema dessa violência, é o resultado de uma escalada que frequentemente passa por outras violências, como a psicológica, moral, sexual e patrimonial.

A discussão sobre as causas envolve desde a desigualdade de gênero histórica até a perpetuação de estereótipos machistas. A falta de políticas de Estado robustas e a morosidade do sistema judiciário em lidar com casos de ameaça e agressão também contribuem para o ciclo de violência que, em muitos casos, culmina na morte da mulher.

Especialistas apontam a necessidade de ações integradas que vão desde a educação nas escolas sobre igualdade de gênero e respeito, até o fortalecimento de redes de apoio para as vítimas, como delegacias especializadas, casas de abrigo e programas de acompanhamento psicológico e jurídico.

A atuação de órgãos como o CRP-PR, que utiliza sua expertise para conscientizar e mobilizar a sociedade, é fundamental. A psicologia, ao analisar os padrões de comportamento, as dinâmicas relacionais e os impactos da violência na saúde mental, oferece ferramentas essenciais para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e intervenção.

O papel da sociedade e do Estado na erradicação do feminicídio

A luta contra o feminicídio exige um compromisso contínuo e articulado entre a sociedade civil e o poder público. A exposição dos 87 pares de sapatos, por exemplo, funciona como um poderoso catalisador para o debate público, trazendo à tona estatísticas que, muitas vezes, permanecem distantes do cotidiano.

É imperativo que o Estado garanta a aplicação efetiva da Lei Maria da Penha, que em 2024 completou 20 anos, e invista em medidas que promovam a igualdade de gênero e combatam as desigualdades estruturais que alimentam a violência machista.

A conscientização sobre a importância de denunciar, de apoiar as vítimas e de desconstruir comportamentos misóginos no dia a dia é um passo crucial. Iniciativas como a mostra de intervenções visuais urbanas, que celebram a arte e a expressão das mulheres, também contribuem para a visibilidade e o empoderamento feminino.

O fim do feminicídio é um objetivo complexo que demanda um esforço coletivo. Ações pontuais, como as manifestações do Dia Internacional da Mulher, são importantes para manter o tema na agenda pública, mas a transformação duradoura depende de políticas públicas consistentes, de mudanças culturais e do engajamento de todos os setores da sociedade na construção de um futuro onde a vida das mulheres seja plenamente valorizada e protegida.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *