Curitiba celebra seus 333 anos com uma série de inaugurações artísticas em espaços públicos. A capital paranaense recebe novas obras de arte ao ar livre, expandindo seu acervo cultural e homenageando figuras importantes e marcos históricos da cidade. As intervenções buscam democratizar o acesso à arte e enriquecer a experiência urbana dos cidadãos.
Entre as novidades, destaca-se uma escultura em mosaico que celebra a relação Brasil-Japão. A obra, intitulada Elo, é assinada pela artista Patrícia Ono e localizada na Praça do Japão, no bairro Água Verde. Com dimensões de 1,2m por 3,20m, a peça é uma homenagem aos 130 anos de amizade entre as duas nações, utilizando a milenar técnica do mosaico para representar a união de fragmentos, histórias e tradições.
A técnica do mosaico foi escolhida por Patrícia Ono para simbolizar a complexidade e a beleza das relações diplomáticas e culturais. A obra é composta por cerâmicas e vidro, integrados a uma estrutura metálica, inspirada na leveza e precisão do origami japonês. Elementos visuais dialogam entre as culturas, incorporando símbolos nacionais e naturais.
Representando o Japão, a escultura exibe o crisântemo, a cerejeira e as icônicas Ondas de Kanagawa, inspiradas na obra de Katsushika Hokusai. Em contrapartida, a flora brasileira é representada pela araucária e pelo pinhão, que simbolizam a força e a conexão com as raízes paranaenses e brasileiras. A obra também presta tributo a Cláudio Seto, pioneiro do mangá no Brasil, que dá nome ao Largo Chuji Seto Takeguma, local da instalação.
Seto, que viveu 33 anos em Curitiba, é celebrado na escultura pela representação da deusa Amaterasu, símbolo de luz e união. Sua trajetória como ilustrador, artista visual e chargista, com influência do renomado Osamu Tezuka, é um marco na cultura pop brasileira e um elo entre as tradições artísticas orientais e ocidentais.
Expansão da Arte Urbana e Homenagens Inovadoras
Outra intervenção artística relevante é a transposição da obra Largo da Ordem 360º, do artista Simon Taylor, para um mural em azulejos. A peça, que será inaugurada no dia 17 de março, marca a estreia de Taylor em murais públicos e se localizará na lateral de um casarão histórico na Rua Barão do Serro Azul, próximo à entrada do Largo da Ordem.
O mural de Simon Taylor busca capturar a atmosfera histórica e cultural do Largo da Ordem em uma vista aérea detalhada. A obra, que tem cerca de 5,20 metros de altura por 6,6 metros de largura, foi produzida em azulejos pintados à mão pelo Estúdio Lenzi. O artista descreve seu trabalho como uma “caricatura urbana”, onde a precisão arquitetônica se une à sensibilidade artística.
A instalação dialoga com outras obras de arte presentes na região, como os painéis de Poty Lazzarotto e o painel Figuras e Pássaros, de Alberto Massuda, reforçando o compromisso da cidade com a valorização da arte pública e o intercâmbio cultural.
A terceira inauguração significativa é uma escultura em bronze em homenagem a Jaime Lerner, renomado arquiteto, urbanista e ex-prefeito de Curitiba. A obra, com aproximadamente 200 quilos, será apresentada no dia 23 de março no calçadão da Rua XV de Novembro, um local emblemático para sua trajetória política e urbanística.
A escultura retrata Lerner sentado em um banco de seu próprio design, segurando um lápis e um caderno aberto com a inscrição inspiradora: “Quem cria, nasce todo dia”. A escolha da Rua XV de Novembro para a instalação não é aleatória; foi nesta via que Lerner implementou, em seu primeiro mandato como prefeito, a primeira rua exclusiva para pedestres do Brasil, uma decisão audaciosa que moldou o futuro do planejamento urbano.
O legado de Jaime Lerner no planejamento urbano é reconhecido internacionalmente. Suas intervenções priorizaram a qualidade de vida, a sustentabilidade e a mobilidade, com a criação de parques multifuncionais como o Barigui e o São Lourenço, e a implementação de corredores de BRT, revolucionando o transporte público em Curitiba e servindo de modelo para outras cidades.






