Curitiba avança nas discussões sobre o futuro de sua paisagem verde com a retomada das audiências públicas para o Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU). O planejamento estratégico da cidade, que conta atualmente com aproximadamente 318,7 mil árvores adultas, busca integrar a comunidade na definição de diretrizes para o manejo e expansão de sua cobertura vegetal. Este plano abrange desde a escolha de espécies até a manutenção contínua, visando fortalecer a infraestrutura verde urbana.
A diversidade arbórea de Curitiba é um reflexo de sua história e de políticas de planejamento que evoluíram ao longo do tempo. Entre as espécies que compõem a paisagem urbana, destacam-se tanto as nativas, como a Araucária Angustifolia, símbolo regional, quanto espécies exóticas introduzidas em diferentes períodos. Essa multiplicidade de espécies, cerca de 217 identificadas, contribui para a estética da cidade e para a manutenção de ecossistemas urbanos.
A cidade tem buscado revitalizar e expandir sua vegetação, incorporando nos plantios mais recentes espécies como ipês, angicos, dedaleiros, quaresmeiras e frutíferas nativas, como pitangueiras e araçás. Este movimento reflete uma adaptação às necessidades ambientais contemporâneas e à busca por uma cidade mais resiliente.
A Participação Cidadã na Construção da Cidade Verde
As audiências públicas, agendadas para os dias 3, 5 e 10 de fevereiro, representam um pilar fundamental no processo de validação e aprimoramento do PMAU. Locais como as regionais Matriz, CIC e Santa Felicidade serão palcos para que moradores, especialistas e entidades apresentem suas sugestões e preocupações. A natureza aberta e participativa destes encontros é essencial para que o plano reflita as necessidades e aspirações da população curitibana.
Jean Brasil, superintendente de Obras e Serviços, enfatiza a importância das contribuições sociais. O plano, que já conta com dados e diagnósticos consolidados, necessita da visão da comunidade para sua versão final. A integração dessas sugestões visa garantir que as diretrizes para plantio, manutenção e monitoramento das árvores estejam alinhadas com a realidade local e os objetivos de sustentabilidade urbana.
A Prefeitura de Curitiba estabeleceu a meta ambiciosa de plantar 500 mil novas árvores até 2028, com 162 mil plantios já realizados em 2025. Para auxiliar neste esforço, a oferta de mudas gratuitas para a população é uma iniciativa contínua. O programa visa não apenas aumentar a cobertura vegetal, mas também educar e engajar os cidadãos na conservação e expansão do patrimônio verde da cidade.
O processo de doação de mudas exige a apresentação de documentos pessoais e comprovante de residência. Essa medida permite um georreferenciamento preciso, coordenado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). As informações coletadas são integradas ao Hipervisor da Prefeitura, uma plataforma essencial para a gestão e análise de dados públicos.
A expansão e a manutenção da infraestrutura verde urbana desempenham um papel crucial no combate às mudanças climáticas. As árvores contribuem significativamente para o equilíbrio térmico das cidades, reduzem a emissão de gases de efeito estufa e melhoram a qualidade do ar. O programa de plantio de árvores está intrinsecamente ligado ao PlanClima, o Plano de Adaptação e Mitigação das Mudanças Climáticas de Curitiba, reforçando o compromisso da cidade com a resiliência ambiental.
Todo plantio em vias públicas deve passar por avaliação e autorização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A seleção das espécies segue normas técnicas rigorosas, definidas pelo Departamento de Arborização e Produção Vegetal, para evitar conflitos com infraestrutura urbana e garantir a segurança viária.
Proteção e Regularização do Patrimônio Arbóreo
Curitiba adota um sistema de proteção para árvores consideradas de valor histórico ou cultural. Uma lista específica identifica espécies imunes de corte, declaradas pela Prefeitura ou reconhecidas como patrimônio cultural do Paraná. Atualmente, pelo menos 59 árvores possuem esse status de proteção legal, com revisões periódicas a cada cinco anos, permitindo a substituição de espécimes que apresentem danos, senilidade ou falecimento.
Para solicitações de plantio em áreas públicas, os munícipes devem contatar a Central 156. O pedido é encaminhado à Secretaria Municipal do Meio Ambiente para análise técnica. O plantio irregular de árvores, especialmente espécies frutíferas ou invasoras, pode causar transtornos como danos a calçadas e interferências na sinalização de trânsito, destacando a importância da regulamentação e do planejamento prévio.






